Política

Deputados apoiam nome do MDB à presidência da ALE

Estaduais eleitos e reeleitos antecipam debate sobre Mesa Diretora do próximo ano

Por Emanuelle Vanderlei - repórter / Tribuna Independente 21/10/2026 09h10
Deputados apoiam nome do MDB à presidência da ALE
Ricardo Nezinho conta, atualmente, com o apoio de 23 parlamentares dos 27 que foram eleitos na ALE - Foto: Ascom ALE

Com a bancada de deputados estaduais alagoanos definida após o primeiro turno das eleições, os eleitos e reeleitos não perderam tempo e já aceleraram as tratativas para definir a próxima Mesa Diretora da Assembleia Legislativa Estadual (ALE). Com a conversa já bem adiantada, o deputado Fernando Pereira (PP) que chegou a ser cotado para lançar uma chapa mais alinhada com o grupo de JHC (PSDB), governador eleito, deixou claro que apoia o nome indicado pela atual Mesa: Ricardo Nezinho (MDB).

Pereira é da família e do grupo político de Arthur Lira (PP), eleito senador. Mas, por se tratar de uma reeleição, e sua atuação na ALE pode permanecer diplomática, compondo com o grupo majoritário. Fernando confirmou que apoia Nezinho e que é candidato a primeiro secretário nesta composição.

A lista apresentada até agora inclui, além de Nezinho e Pereira, os deputados Alexandre Ayres (MDB), Cibele Moura (MDB), Marcos Barbosa (PT) e o atual presidente de mesa diretora, Marcelo Victor (MDB).

Entre os eleitos na casa, o MDB e seus aliados conseguiram manter a maioria absoluta, mas desta vez não estarão no Governo. Com JHC no governo, há possibilidades diversas, mas os parlamentares estão tentando se blindar disso antecipando a discussão e fechando os acordos.

De acordo com as informações de Fernando Pereira, 23 dos 27 parlamentares já estariam confirmados como apoiadores de Nezinho, o que dificultaria uma possível articulação do próximo governador para neutralizar a oposição.

Os que por enquanto ainda são dissidentes, segundo o aliado de Lira, seriam três novatos que fizeram campanha ao lado de JHC: Tenorinho Malta (PSDB), Lucas Barbosa (PSDB) e Leonardo Dias (PL), e o mais veterano dos veteranos, Antonio Albuquerque (União Brasil).

A posse da próxima legislatura só acontece em fevereiro de 2027, e só nesse momento acontece de fato a definição da Mesa Diretora. A composição, mesmo que já contabilize tantos apoios, dificilmente pode ser considerada algo definitivo. Diferentemente do grupo que está no governo atualmente, o governador eleito esse ano tem por hábito se manter em silencio, fazer mistério sobre os próximos passos, e deixar para a última hora todo o qualquer anúncio.

Foi assim na eleição para a prefeitura, ainda mais forte na candidatura ao Governo do Estado, e promete ser assim daqui até assumir a cadeira de chefe do Poder Executivo.

A mudança de configuração deixa sinais de que a próxima legislatura pode contar com um pouco mais de resistência do que a encontrada pelos governos anteriores do passado recente, mas vale lembrar que em 2020 JHC chegou à prefeitura e, com a máquina na mão, construiu uma relação de quase parceria com a Câmara Municipal. Oposição mesmo praticamente só da vereadora Teca Nelma, que era do PSD e migrou para o PT por onde conquistou o segundo mandato e agora se tornou deputada. No segundo mandato, o prefeito que o antecedeu, Rui Palmeira (PSD), foi a grande pedra no sapato de JHC.