Política

Exonerações após eleição em Alagoas levantam questionamentos sobre uso político de cargos

Por Tribuna Hoje 09/10/2026 11h14 - Atualizado em 09/10/2026 11h17
Exonerações após eleição em Alagoas levantam questionamentos sobre uso político de cargos
Jornalista Fernando CPI cobra transparência do governo estadual sobre 44 desligamentos registrados desde o início da semana e defende apuração de possíveis pressões eleitorais sobre trabalhadores - Foto: Imagem ilustrativa



As 44 exonerações registradas no Governo de Alagoas desde o início da semana, segundo levantamento citado pelo jornalista Antonio Fernando da Silva, conhecido como Fernando CPI, levantam questionamentos sobre os critérios adotados pela administração estadual após o resultado das eleições. Em artigo, o presidente da Associação dos Jornalistas Independentes do Estado de Alagoas, defende a divulgação dos motivos dos desligamentos e a apuração de possíveis relações entre as demissões e a atuação política de trabalhadores durante a campanha eleitoral.

De acordo com o levantamento mencionado pelo jornalista, as exonerações atingiram pelo menos dez órgãos estaduais, com 25 desligamentos na Secretaria de Agricultura e Pecuária. Para Fernando CPI, embora a exoneração de ocupantes de cargos comissionados seja uma prerrogativa administrativa, a sequência de mudanças exige explicações públicas.

“O problema não é exonerar. É a possível utilização política do cargo”, afirma.

O jornalista ressalta que não é possível atribuir motivação política a todos os desligamentos sem provas. No entanto, segundo ele, relatos de trabalhadores que teriam recebido avisos de demissão após as eleições justificam a apuração dos casos.

Jornalista cobra critérios e transparência

Fernando CPI questiona se as mudanças fazem parte de uma reorganização administrativa ou se há relação com o resultado eleitoral. Ele defende que o governo apresente informações sobre a quantidade de cargos que serão extintos, as secretarias atingidas, os critérios utilizados e a economia prevista com as medidas.

“Se a medida é exclusivamente administrativa, que sejam apresentados os critérios”, pontua.

O jornalista também considera necessário esclarecer se houve orientação para que servidores comissionados ou trabalhadores terceirizados participassem de atividades eleitorais em favor do grupo governista.

Na avaliação dele, eventuais denúncias de pressão ou de utilização da estrutura pública para fins eleitorais devem ser investigadas pelos órgãos competentes. Fernando CPI pondera, contudo, que as suspeitas precisam ser apuradas individualmente, sem generalizações.

Transição deve preservar serviços públicos

Além dos possíveis impactos sobre os trabalhadores desligados, o artigo chama atenção para os efeitos das exonerações sobre o funcionamento da administração estadual. Conforme o jornalista, mudanças sucessivas podem provocar descontinuidade dos serviços, sobrecarga das equipes e perda de conhecimento técnico.

Fernando CPI defende que a transição entre o governo de Paulo Dantas e a gestão do governador eleito ocorra de forma institucional, com respeito aos servidores e à continuidade dos serviços prestados à população.

O jornalista também afirma que a derrota eleitoral de um grupo político não deve resultar em perseguição a trabalhadores por suas preferências ou manifestações políticas.

“O voto é secreto. A consciência é livre”, ressalta.

Apuração deve esclarecer possíveis irregularidades

Ao concluir o artigo, Fernando CPI defende que o governo estadual esclareça os motivos dos desligamentos e que eventuais irregularidades sejam apuradas. Para ele, a administração pública deve atuar com transparência, independentemente do grupo político que esteja no poder.

O jornalista argumenta que cargos públicos devem atender às necessidades do Estado, e não funcionar como instrumentos de mobilização eleitoral. Caso as exonerações decorram de uma reorganização administrativa, ele cobra a apresentação de dados e justificativas. Se houver indícios de perseguição política ou uso da máquina pública para fins eleitorais, defende a investigação pelos órgãos de controle.