Política

Vídeo: jornalistas denunciam censura e assédio judicial em Alagoas

Encontro na manhã desta terça-feira reúne parlamentares e comunicadores em defesa da liberdade de imprensa

Por Tribuna Hoje 29/09/2026 18h07 - Atualizado em 29/09/2026 18h42
Vídeo: jornalistas denunciam censura e assédio judicial em Alagoas
Ato denunciou grande número de ações judiciais sofridas pelos profissionais da comunicação - Foto: Sandro Lima

Na manhã desta terça-feira (29), jornalistas, parlamentares e ex-secretários de comunicação se reuniram no Restaurante Casa de Mainha, no bairro de Jaraguá, em Maceió, para denunciar o aumento de processos judiciais contra profissionais e veículos de comunicação em Alagoas. O encontro, marcado por discursos firmes, destacou a preocupação com o cerceamento da liberdade de imprensa em pleno período eleitoral.

A deputada estadual Élida Miranda ressaltou que combater a desinformação não pode ser confundido com censura. “Para combater a fake news, a ferramenta não pode ser a censura. A censura não pode ocorrer, não pode acontecer e principalmente não pode acontecer a perseguição a profissionais que estão colocando as informações”, afirmou. Para ela, o contraditório é saudável na democracia e não pode ser substituído por perseguições políticas ou econômicas.

O deputado federal Paulão reforçou a gravidade da situação e lembrou que calar a imprensa é um risco à democracia. “Toda vez que cala a imprensa, a liberdade de expressão é um germe do fascismo, é um germe da ditadura”, disse. Ele destacou que o papel da imprensa é conviver com a diferença e que o contraditório deve ser garantido. “Contra a censura, favorável à democracia”, concluiu.

A jornalista Bleine Oliveira, que enfrenta oito processos, relatou as dificuldades financeiras e emocionais que vem sofrendo. “Dos oito processos a que respondo, já teria perdido três, meu advogado está recursando, mas dizem que eu já estou devendo cerca de 50 mil reais”, contou. Ela classificou o momento como um “retorno à ditadura” e defendeu que divergências de opinião não podem ser motivo para ações judiciais. “As divergências são democráticas. O que não pode é você usar instrumentos de poder para massacrar, silenciar jornalistas”, afirmou.

O jornalista Ênio Lins contextualizou o cenário local dentro de um movimento nacional. “O que ocorre em Alagoas, através do candidato bolsonarista, é uma cópia do que acontece a nível nacional do movimento de censura organizados pelos bolsonaristas”, declarou. Ele criticou a tentativa de impedir o jornalismo investigativo e lembrou que a liberdade de opinião é um valor inalienável garantido pela Constituição.

Um dos organizadores do ato, o jornalista João Mousinho, destacou a importância da comunicação independente. “O jornalismo independente e sério do Estado de Alagoas é um dos pilares da nossa democracia”, afirmou. Ele classificou os processos em massa como uma tentativa de intimidação e ressaltou que a imprensa livre luta bravamente para expor a verdade dos fatos à sociedade.

O ex-secretário de comunicação Joaldo Cavalcante lembrou que o jornalismo, por essência, é exercício da crítica e da polêmica. “Embora, historicamente, os jornalistas costumam ser recebidos como uma figura incômoda, é lamentável que, em plena democracia, depois de nós passarmos por um processo ditatorial, a gente se deparar com situações dessas”, disse. Ele comparou o cenário atual com episódios internacionais, como a expulsão de equipes de TV da Casa Branca, para mostrar que a censura é uma ameaça global.