Política

Protesto contra censura e ações judiciais reúne dezenas de jornalistas em defesa da liberdade de imprensa

Por Claudio Bulgarelli 29/09/2026 12h40 - Atualizado em 29/09/2026 14h55
Protesto contra censura e ações judiciais reúne dezenas de jornalistas em defesa da liberdade de imprensa
Protesto contra a censura - Foto: Sandro Lima

Profissionais da comunicação, e convidados da sociedade civil organizada, realizaram na manhã desta terça-feira, um ato público em Maceió, no bairro de Jaraguá, motivados pelo crescente número de processos e medidas judiciais que afetam a divulgação de conteúdos jornalísticos e o funcionamento de veículos em todo o estado. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e de acordo com levantamentos da imprensa local e relatórios recentes, a Federação PSDB/Cidadania e a coligação ligada ao grupo político de JHC ajuizaram mais de 100 ações judiciais e representações no Tribunal Regional Eleitoral
As ações judiciais envolvem diversos réus e pedidos de remoção de conteúdo. Entre os nomes e veículos recorrentemente citados nos levantamentos estão profissionais e portais como Portal UP, a Folha de Alagoas, a Jovem Pan News (Maceió FM), o Portal Emergência 190 AL, o jornal Extra de Alagoas e jornalistas como Bleine de Oliveira, com oito processos, o repórter Ítalo Timóteo, Edivaldo Júnior, Geraldo Majella e Wadson Correia, além de veículos como a CBN Maceió.
O volume de processos motivou protestos de entidades de imprensa contra o suposto assédio judicial e em defesa da liberdade de expressão. Os jornalistas defendem que a cobertura aborda temas de interesse público, como a gestão de recursos e investigações ligadas ao Iprev Maceió e ao Banco Master. Por sua vez, a coligação argumenta nas ações que as publicações extrapolaram os limites informativos, afetando a honra de agentes públicos ou configurando propaganda eleitoral irregular.
Por isso a mobilização, tendo a frente jornalistas como João Mousinho, Carlos Victor Costa, Geraldo Majella e Bleine Oliveira, teve o objetivo de defender a democracia, a liberdade de expressão e o livre exercício da profissão jornalística, cobrando o direito de divulgar informações de interesse público sem sofrer intimidações.
Presente na manifestação, o deputado federal Paulão, a deputada estadual Élida Miranda, jornalista e militante do PT e dois ex-secretários de Estado da Comunicação, Ênio Lins e Joaldo Cavalcante. O deputado Paulão, que possui um histórico de atuação em defesa da liberdade de expressão e contra o cerceamento da atividade jornalística, e que já propôs audiências públicas na Comissão de Direitos Humanos para debater a violência e a judicialização excessiva contra profissionais da comunicação, afirmou estar ao lado dos jornalistas alagoanos.
``Reafirmo que a liberdade de imprensa e o livre exercício profissional são pilares fundamentais da Constituição e da democracia, e que a tentativa de impor o medo ou cercear o trabalho dos repórteres prejudica o direito de toda a sociedade alagoana de ser informada com transparência. Essa manobra antidemocrática que busca "amordaçar" e silenciar críticas legítimas, especialmente no contexto de investigações jornalísticas sobre a gestão pública e a aplicação de recursos previdenciários não pode prosseguir´´, afirmou o deputado.

A maioria dos processos foram ajuizados pelo ex-prefeito JHC e pela Federação PSDB/Cidadania. As reportagens alvo das contestações judiciais envolvem críticas à gestão do ex-prefeito JHC e a cobertura de investimentos de R$ 117 milhões feitos pelo Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev Maceió) no Banco Master, além de gastos com o carnaval (caso da Beija-Flor). O jornalista João Mousinho, um dos organizadores, afirmou que os processos em massa funcionam como uma tentativa de censura e intimidação econômica ou profissional.

A jornalista Bleine Oliveira, que enfrenta uma série de processos judiciais movidos pelo ex-prefeito JHC, são ações, que segundo ela, motivaram acusações de censura prévia e assédio judicial contra a imprensa local. No início de janeiro de 2026, JHC acionou a Justiça contra Bleine e o veículo Folha de Alagoas. O motivo foram comentários e reportagens publicados pela jornalista abordando a destinação de R$ 117 milhões
do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) no Banco Master.
``Me sinto "violada" diante da censura imposta ao meu trabalho e tenho certeza que a série de processos que respondo, e são 8, é uma forma de assédio judicial, uma violência contra a imprensa e uma atitude antidemocrática. O ambiente político em Alagoas apresenta "características autoritárias" que ameaçam a liberdade de manifestação e o exercício profissional da comunicação´´.