Política
UP oficializa Lenilda Luna ao governo
Durante convenção partidária, Unidade Popular definiu também candidaturas ao Senado, Assembleia e Câmara Federal
Dando início à agenda de convenções eleitorais partidárias, a Unidade Popular (UP) reuniu a militância na última terça-feira (21), no Sindicato dos Bancários, para oficializar suas candidaturas para as eleições de outubro deste ano. O partido definiu candidatura própria ao Governo do Estado, um candidato ao Senado, dois para deputado federal e dois para deputado estadual.
Encabeçada pela jornalista Lenilda Luna, que disputa o Governo, a chapa se propõe a defender uma mudança no sistema econômico e enfrentar nomes tradicionais da política do Estado.
“A luta que a gente trava é a luta pelo socialismo. O sistema capitalista não é eterno e a nossa luta aponta para uma sociedade sem explorados e sem exploradores. Não podemos ficar amarrados nem rendidos às famílias que mandam no poder de Alagoas. Para dialogar com o nosso povo com autonomia, precisamos construir instrumentos que são nossos”, disse Lenilda.
Em seu discurso, a candidata ao governo defende a campanha eleitoral como espaço de debate.
“O que é que estamos fazendo nós, socialistas, nessa campanha eleitoral? Não é à toa que a gente chama de guerra. No momento em que as pessoas estão discutindo eleição, é como na Copa do Mundo. Até quem não gosta de futebol vai lá, ‘Espanha é não sei o quê’, vai lá e dá um pitaco.
No momento que as pessoas estão discutindo eleição, todo mundo se volta para as decisões, e é nessa hora que nós não podemos nos furtar a dialogar com o nosso povo. Mas para dialogar com o nosso povo com honradez, nós precisamos construir instrumentos que são nossos”.
Em entrevista à Tribuna Independente, a jornalista reconhece as dificuldades que o partido vai enfrentar e se propõe a tomar um caminho diferente dos outros nessa corrida.
“Nossa expectativa é fazer uma campanha de denúncia e de conscientização política, sem ilusões de que o processo eleitoral controlado pelo poder econômico seja um campo de jogo neutro. Não temos as máquinas partidárias nem o dinheiro das oligarquias para cobrir artificialmente o estado com carreatas e santinhos. Alcançaremos os trabalhadores nos 102 municípios por meio da militância de base, do trabalho olho no olho, das feiras livres, das portas de fábrica, dos assentamentos rurais e das ocupações urbanas”.
Para Lenilda, é mais uma oportunidade de mobilizar a classe trabalhadora do que de ocupar o poder. “Queremos usar a campanha para organizar as pessoas em torno das suas demandas reais. Afirmamos que só com participação popular e controle social seremos capazes de garantir as mudanças profundas que Alagoas precisa. O nosso canal direto com o povo é a verdade e a luta de classes diária, não o marketing político pré-fabricado”.
Sem acesso ao fundo partidário por conta da cláusula de barreira eles buscam alternativas de autofinanciamento.
“Está claro que o financiamento público de campanha hoje é estruturado para perpetuar no poder os mesmos partidos tradicionais e os donos do capital. A Unidade Popular financia suas lutas e suas campanhas a partir da contribuição voluntária da própria classe trabalhadora. São rifas, brigadas de arrecadação nas ruas, doações de militantes, apoiadores, sindicalistas e ativistas dos movimentos sociais. Não recebemos dinheiro de empresários nem fazemos acordos de bastidores com o poder econômico. Isso garante a nossa total independência política: não devemos nada aos tubarões que exploram o estado, apenas ao povo trabalhador de Alagoas”.
COMPOSIÇÃO
Alexandre Fleming, professor do Instituto Federal de Alagoas, disputa uma das vagas ao Senado. Luna terá como vice o psicólogo Jardel Queiroz, coordenador do Movimento de Luta nos Bairros (MLB). Já na disputa do Senado, os suplentes serão Liliane e Mota. Também haverá candidaturas à Câmara Federal, Lili Anjos e Charles Pereira, e à Assembleia Legislativa de Alagoas, Daniel Calisto e Maria José.
Oficialmente, esses são os primeiros nomes com autorização para iniciar a campanha eleitoral, pedir voto ao povo alagoano e ir às ruas com nome e número da urna. Fora esses nomes, o partido não pretende indicar aliados.
“A Unidade Popular não faz alianças pragmáticas por tempo de TV, fundo eleitoral ou loteamento de cargos públicos. Não nos coligamos com partidos que representam o projeto das oligarquias alagoanas ou que concorrem para manter arranjos de poder”, disse Lenilda.
Candidata defende ações governamentais com participação popular
Em contato com a reportagem da Tribuna Independente, Lenilda Luna destacou que, se eleita, pretende ter um mandato participativo no Governo de Alagoas.
“Não prometemos milagres nem transformações dentro dos limites de um sistema desenhado para proteger privilégios. Vamos governar não para as elites, mas com o povo organizado em Conselhos Populares Deliberativos. As mudanças que defendemos começam pela garantia da efetiva aplicação dos recursos públicos nas verdadeiras prioridades sociais”.
A ideia de mudança, para ela, passa pelo controle mais rigoroso da destinação das verbas públicas.
“Queremos auditar rigorosamente todos os contratos com Organizações Sociais [OSs] na saúde e na educação, que hoje funcionam como um manto para fechar as contas e dificultar a transparência no repasse das verbas públicas, e também convênios com organizações filantrópicas que colocam os recursos do SUS a serviço dos interesses de políticos locais. Pretendemos garantir o controle estatal rigoroso sobre a mineração [enfrentando o crime cometido pela Braskem e assegurando a reparação às vítimas], estatizar serviços essenciais e submeter o orçamento público à decisão direta das comunidades, periferias e trabalhadores”.
Apesar de lançar candidaturas e pedir votos, a postulante ao Governo menciona que defende o uso do voto para contrariar o sistema.
“Em relação à segunda vaga do Senado, não faremos indicações táticas para candidaturas do sistema. O nosso compromisso é construir uma alternativa abertamente socialista e anticapitalista. Recomendamos ao eleitor que fortaleça a chapa da UP e utilize o voto como instrumento de protesto, organização e afirmação do Poder Popular, e para isso, venha para a militância, porque precisamos construir a transformação que queremos para a sociedade”.
Entre os compromissos assumidos pelo partido, eles colocam o enfrentamento às oligarquias e redistribuição de riqueza, direitos trabalhistas e de moradia, e reforma agrária popular. Também defendem o combate à violência contra a mulher, equiparação salarial e defesa dos serviços públicos.
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