Política
Comandante geral da PM/AL esclarece polêmica sobre postagem e repudia distorção: "Era sobre Lionel Messi, não nos consultaram"
No tribunal da Internet e das redes sociais, a interpretação de um texto virou uma arma de duplo gume. Uma postagem, por mais bem-intencionada que seja, pode ser moldada ao gosto do freguês — ou do adversário. E quando entramos em período eleitoral, a situação ganha contornos ainda mais delicados. O oportunismo político fica à espreita, pronto para explorar qualquer brecha e transformar um mal-entendido em palanque benéfico para interesses próprios.
Neste sábado, 18, este Blog foca numa matéria veiculada pelo site Agora Alagoas com a manchete: “Discurso sobre ‘Exaustão’ gera debate após morte de policiais em Alagoas”. A publicação traz na capa o governador Paulo Dantas e o Comandante-Geral da PM/AL, Coronel Paulo Amorim, associando uma mensagem do comandante a uma suposta insensibilidade diante do luto da corporação, que lamenta a perda de três policiais militares em cerca de quinze dias, em casos tratados como suicídio.
A matéria do portal cita que a repercussão negativa cresceu após a divulgação de uma frase atribuída ao Coronel Amorim, que diz: “Sucesso: Jamais faça o mínimo, faça o máximo até a exaustão, até o seu corpo não aguentar, até fadigar totalmente o seu corpo e mente, até desmaiar de cansaço, até colapsar”.
Para quem lê de fora, sem o devido contexto e embalado pelo momento de dor da segurança pública, a declaração pareceu um contrassenso às cobranças por melhores condições emocionais e psicológicas para os militares.
Profissionalismo em alta
No entanto, o jornalismo sério exige ouvir as partes e checar os fatos na fonte. Ao visitarmos a página oficial do Coronel Paulo Amorim, o cenário é completamente diferente do pintado pelo alarmismo. O perfil do oficial é historicamente voltado para mensagens de encorajamento, resiliência e força de vontade. São textos de motivação pessoal criados pelo próprio militar.
Este Blog conversou diretamente com o comandante Paulo Amorim. Sorridente e demonstrando tranquilidade com a própria postura, ele desfez o mal-entendido e revelou a verdadeira inspiração por trás da frase polêmica: o futebol.
"Os caras não nos consultam e publicam uma matéria dessa na mídia distorcendo completamente o meu ponto de vista, sobretudo porque coincidiu com o fato de um policial aposentado ter cometido um suicídio", desabafou o comandante.
Segundo Amorim, a exaltação ao limite extremo e à entrega total foi uma analogia direta à força de vontade e ao brio da Seleção da Argentina na Copa do Mundo, personificada na figura de Lionel Messi. Para o comandante, ver um atleta de quase 40 anos correr e se doar daquela forma no contexto do futebol atual é o exemplo máximo de não fazer apenas o "mínimo", mas ir além para alcançar um objetivo. A postagem era sobre superação esportiva e pessoal, e não uma diretriz operacional para a rotina diária dos homens e mulheres que fazem a segurança do Estado.
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