Política
Cepram recebe relatório sobre Serra do Parafuso
Instituto SOS Caatinga denuncia que instalação do Parque Eólico em Mata Grande compromete vida da fauna e flora da região
Um relatório técnico do Instituto SOS Caatinga, denunciando a ameaça de desmatamento da Serra do Parafuso, localizada em Mata Grande, será entregue ao Conselho Estadual de Proteção Ambiental (Cepram), que se reúne hoje, a partir das 9 horas, no auditório do Palácio República dos Palmares, no Centro de Maceió.
O documento, denunciando o derrubada de vegetação para a implantação de uma usina de energia eólica na região, será protocolado pela jornalista Joseane Calado, que é integrante do Cepram, representando o Sindicato dos Jornalistas de Alagoas (Sindjornal). Segundo ela, o documento de 14 páginas foi produzido pelo Instituto SOS Caatinga e tem como título “Relatório Técnico Crítico Preliminar de Expedição”.
Com sede no município de São José da Tapera, no Sertão alagoano, o Instituto SOS Caatinga, fundado em 27 de fevereiro de 2004, trabalha na defesa da natureza, desenvolvendo pesquisas sobre a fauna e a flora do bioma. Esse relatório que será entregue ao Cepram é fruto de suas últimas expedições à Serra do Parafuso.
De acordo com o documento, a área apresenta rica avifauna e desempenha serviços ecológicos importantes no combate as mudanças de clima na região. “No entanto, a potencial instalação de um parque eólico na localidade pode impactar negativamente a biodiversidade local e seus serviços ecossistêmicos”, alerta o relatório.
“A expedição piloto resultou em mais de 320 registros de fauna na Serra do Parafuso, incluindo o registro da espécie de macaco-prego mais ameaçada do país e que é alvo de políticas públicas em nível nacional e estadual, o macaco-prego-galego, Sapajus flavius”, acrescenta o documento.
MINISTÉRIO PÚBLICO
No relatório, consta que, com base nos registros preliminares obtidos de fauna, o Instituto solicitou ao Ministério Público do Estado de Alagoas, por meio da 5ª Promotoria da Capital – Núcleo do Meio Ambiente, que tomasse as medidas cabíveis de fiscalização, proteção e conservação da Serra do Parafuso.
Solicitou ainda ao MP/AL a realização de estudos sobre o bioma, sobre seu potencial como reduto de espécies ameaçadas de extinção, antes de autorizar qualquer empreendimento no local.
Os integrantes do Instituto temem pela flora exuberante da caatinga, a vida dos animais, espécies raras, ameaçadas de extinção e os impactos ambientais que esse Parque Eólico pode causar.
No relatório, constam fotos de grupos de macaco-prego-galego (Sapajus Favius) e seus apetrechos de pedras usados para se alimentar de frutas e sementes, encontrados nos arredores da serra. As fotos sãos de George Agamenon da Silva. Nelas, há registro de sítios de quebra de frutos usados por macacos dessa espécie em uma das bases de ancoragem da torre eólica localizada na Serra do Parafuso.
Em outros sítios foram feitos registros de Tatu-peba (Euphractus sexcinctus), do Gato-mourisco (Herpailurus yagouaroundi), de Jaguatirica (Leopardus pardalis), de Guaxinim (Procyon cancrivorus), do Urubu-rei (Sarcoramphus papa) e de um bando de Jacus (Penelope jacucaca), encontrados a cerca de 500 metros da torre de monitoramento.
O relatório, assinado pelo diretor presidente do Instituto SOS Caatinga, Marcos Antônio Bezerra Araújo, apela aos integrantes do Cepram para que impeçam a instalação desse Parque Eólico, para evitar que esse empreendimento gigantesco destrua o meio ambiente e ameaça a fauna e a flora da Serra do Parafuso.
“A preservação da área da Serra do Parafuso em Alagoas deve ser considerada prioridade estadual no plano de desenvolvimento local, para assim garantir a manutenção dos serviços ecológicos prestados pela região no combate aos efeitos negativos das mudanças climáticas”, alerta o relatório do Instituto SOS Caatinga.
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