Política
Conseg é acusado de proteger “golpista”
Deputado Cabo Bebeto diz que empresário Liberto Júnior estaria sob proteção do Conselho Estadual de Segurança Pública
O deputado estadual Cabo Bebeto (PL) denunciou o Conselho Estadual de Segurança Pública de Alagoas (Conseg) de proteger o empresário Liberto Firmino Júnior, acusado de aplicar um golpe estimado em R$ 80 milhões, em cerca de 60 pessoas físicas e jurídicas, na região do Agreste. A denúncia foi feita na semana passada, no plenário da Assembleia Legislativa de Alagoas.
De acordo com o deputado, o empresário Liberto Júnior teria sumido, no final de 2025, deforma abrupta e sem dar explicações, deixando os credores que fizeram negócios com ele a ver navios. Segundo o parlamentar, que utilizou a tribuna da Assembleia para denunciar a suposta fraude milionário, o empresário teria se aproveitado da confiança que gozava junto da nata da sociedade arapiraquense “para aplicar o golpe”.
Entre as vítimas do suposto golpe estariam, além das pessoas físicas, o banco Bradesco e outras empresas. No entanto, os prejuízos teriam sido causados também a trabalhadores e pequenos empresários da região do Agreste. Segundo a denúncia, as vítimas compravam imóveis que não foram entregues, fizeram aplicações que não tiveram o retorno prometido ou emprestaram dinheiro e não receberam.
De acordo com o deputado Cabo Bebeto, a crise estourou no final de dezembro, quando veio à tona que um dos sócios da empresa (Liberto Júnior), filho do fundador da Alamedas Incorporadora, teria cometido diversas irregularidades. Entre as acusações, destaca-se a venda de um mesmo imóvel para duas ou três pessoas diferentes, além de outras negociações fraudulentas que lesaram dezenas de famílias na região do Agreste.
“Uma construtora que sempre teve seu nome respeitado em Arapiraca e região. Os primeiros levantamentos apontam prejuízos de 50 milhões de reais”, afirmou o parlamentar. No entanto, de acordo com relatos dos credores, esse valor pode ultrapassar os R$ 80 milhões. “Parte desses valores ele arrecadou, junto aos credores, dias antes de desaparecer, em novembro de 2025”, comentou uma das vítimas.
PROTEÇÃO ESTATAL
Para o deputado Cabo Bebeto, um “golpe como este não pode ficar impune”. Por isso, ele fez um apelo às autoridades para quem tomem as providências. Segundo o parlamentar, o empresário “golpista” encontra-se foragido, mas a polícia não estaria no seu encalço porque Liberto Júnior estaria sendo protegido. Essa questão, por sinal, foi o ponto central da indignação de Cabo Bebeto.
Ele revelou, em seu pronunciamento, a descoberta de que um dos sócios da construtora está sob proteção policial autorizada pelo Conselho Estadual de Segurança Pública (Conseg). Para o deputado, trata-se de uma “inversão de valores” inaceitável. O sócio no caso, é Liberto Júnior, filho do empresário Liberto Firmino, fundador da Alamedas Incorporação, responsável por vários loteamentos de alto padrão, em Arapiraca.
“O que chama a atenção é que essas pessoas lesadas descobriram que um dos sócios está tendo segurança fornecida pelo Estado. Policiais estão fazendo a segurança de quem causou um prejuízo de 50 milhões”, criticou Bebeto, classificando a medida como um “tapa na cara do cidadão de bem”. A fala do parlamentar também ganhou repercussão nas mídias sociais, com a postagem dele sobre o suposto golpe.

Prejuízo de R$ 80 milhões está na Justiça
A reportagem da Tribuna Independente esteve em Arapiraca, na semana passada, para ouvir as vítimas do suposto golpe e o empresário Liberto Júnior, mas ele não estava na sede da Alamedas Incorporadora, cuja sede fica em frente ao campus da Ufal. Os credores relataram que procuram a empresa, no final do ano passado, mas não tiveram explicações nem sobre os compromissos firmados e nem sobre o paradeiro de Liberto Firmino.
Os credores alegam que ficaram no prejuízo e não sabem quando serão ressarcidos. Por isso, eles procuraram a Justiça e estão processando o empresário.
A ação judicial encontrasse tramitando na 8ª Vara Civil de Arapiraca, sobe a reponsabilidade do juiz Helestron Silva da Costa. A preocupação dos credores aumentou quando eles souberam que a Alamedas Incorporadora entrou em Recuperação Judicial.
Para o deputado Cabo Bebeto, isto agrava a situação das vítimas, já que pelas regras jurídicas desse processo, os credores muitas vezes precisam abrir mão de parte do valor devido e aguardar longos prazos para qualquer tipo de ressarcimento.
Não por acaso, alguns credores disseram que foram procurados, pelos representantes de Liberto Júnior, para fazer um acordo, caso aceitassem um deságio de 70%.
“Eles queriam que a gente assinasse um acordo para receber apenas 30% do valor devido, mesmo assim de forma parcelada, em inúmeras prestações mensais. Ainda assim, sem nenhuma garantia”, relatou um dos credores, que investir cerca de R$ 450 mil na empresa de Liberto Júnior. “Tomei dinheiro emprestado a minha família para investir na empresa dele e até agora não recebi nada”, acrescentou o credor, que pediu anonimato.
OUTRO LADO
O deputado Cabo Bebeto encerrou seu discurso, na quinta-feira passada, pedindo uma revisão imediata da proteção concedida ao empresário Liberto Júnior, pelo Conseg. Ele também cobrou maior rigor das autoridades judiciais e do Governo do Estado no tratamento de casos de estelionato, como este de Arapiraca, que devastam a vida financeira de trabalhadores, comerciantes e investidores.
A reportagem da Tribuna Independente procurou ouvir o Conseg, cuja presidência está sob a responsabilidade do juiz Maurício César Breda Filho, mas ele não deu retorno. Segundo a assessoria de comunicação do Conseg – acusado pelo deputado de colocar seguranças para proteger o suposto “golpista” – a denúncia ainda não teria entrado em pauta no conselho, por isso nenhum dos conselheiros poderiam se posicionar.

Grupo Alamedas pede Recuperação Judicial
O grupo Alamedas Incorporadora Ltda, cujo diretor encontra-se “sumido”, ingressou com pedido de Recuperação Judicial, na comarca de Arapiraca. O processo sob o nº 0719224-95.2025.8.02.0058, encontra-se tramitando na Justiça. Segundo os credores que se dizem prejudicadas, a medida teria sido adotada após os representantes da empresa deixarem de honrar compromissos financeiros e, supostamente, se ausentarem da cidade para evitar cobranças.
De acordo com relatos colhidos junto às vítimas e documentos que circulam entre os credores, os responsáveis pela incorporadora teriam atuado de má-fé, realizando a venda de um mesmo imóvel para diversas pessoas, além de prometerem investimentos imobiliários que, conforme apontado pelos prejudicados, jamais saíram do papel.
As estimativas iniciais indicam que o passivo da empresa pode ultrapassar R$ 80 milhões, alcançando grande número de pessoas físicas e jurídicas. Entre os lesados estariam um banco privado, profissionais liberais de diversas áreas, servidores públicos estaduais e federais, além de indivíduos que teriam atuado como financiadores privados (agiotas).
Procurados pela reportagem da Tribuna Independente, na semana passada, os credores afirmam que buscam esclarecimentos junto a empresa, mas não tiveram retorno. Por isso, eles responsabilizam o Liberto Júnior, que estava no comando da incorporadora quando sumiu, deixando para atrás um rasto de prejuízos e dívidas. Além, de um patrimônio milionário e vários empreendimentos imobiliários, entre eles o Residencial Sierra.
“Ele fez o rapa. Pegou dinheiro emprestado e dos credores, antes de sumir”, afirmou um credor, que investiu quase R$ 2 milhões nos negócios de Liberto Júnior, até então um empresário bem-sucedido, de conduta ilibada e acima de qualquer suspeita. “Agora, estamos nas mãos da Justiça”, acrescentou, enquanto aguarda o andamento do processo de Recuperação Judicial e a apresentação do plano econômico-financeiro que deverá ser submetido ao crivo do juízo e da assembleia.
A situação segue em apuração, tramitando na 8ª Vara da Comarca de Arapiraca – Cível Residual, sob o comando do juiz Helestron Silva da Costa. De acordo com a última movimentação do processo, foi dado vista ao Ministério Público Estado, para que se manifeste a respeito do pedido de recuperação judicial. Somente depois dessa manifestação, novas informações devem surgir à medida que o processo judicial avance.
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