Interior
Empresário é acusado de golpe milionário em Arapiraca
Liberto Júnior, da Alamedas Empreendimentos, teria enganado cerca de 60 pessoas; prejuízos passam dos R$ 80 milhões
A nata da sociedade arapiraquense está estarrecida com a possibilidade de um ‘golpe de mestre’, aplicado pelo empresário Liberto Firmino. Desde o final do ano passado, quando ele desapareceu, não se fala em outra coisa, na cidade. Por essa, ninguém esperava, mesmo assim a fuga dele ainda é tida como duvidosa. Muitos dizem que ele vai voltar e resolver a situação, cumprido os compromissos firmados pelos investidores.
A maioria dos moradores de Arapiraca não acredita que o empresário tenha dado calote nos clientes, até porque o mentor do suposto golpe se apresentava como um jovem empresário muito bem-sucedido e dono de uma empresa sólida, administrada pela família, uma gigante do ramo imobiliário na região do Agreste alagoano: a icorporadora Alamedas Empreendimentos.
Há relatos que ele tenha deixado a sua casa de forma abrupta, abandonando bens, documentos e veículos de luxo, o que aumentou a preocupação dos credores quando a possibilidade de golpe. “Eu não dizer que fui vítima de golpe, até que ele cumpra os compromissos que assumiu comigo”, afirmou dos credores que recebeu a reportagem da Tribuna Independente, na quinta-feira, em Arapiraca.
Os investidores lesados ainda alimentam a esperança de reaver os valores investidos. Eles calculam que os prejuízos que tiveram devem passar dos R$ 80 milhões. “Só eu investi quase R$ 2 milhões e estou sem dormir direito de tanta preocupação”, comentou um servidor público, que tomou dinheiro empestado da mãe para investir os negócios do empresário Liberto Firmino.
“Por favor não faça a imagem da gente, para evitar constrangimento”, pediu um dos investidores, com receio de aparecer e se passar por “otário”. “Não somos incautos à toa, decidimos investir na incorporadora dela, porque ele se mostrava uma pessoa honesta e até então nada desabonava a sua conduta”, acrescentou outra vítima.
Para os investidores lesados, a questão só será resolvida na Justiça, onde o caso tramita desde o início do mês. “Desde o final do ano de 2025 que nós esperamos uma resposta dele ou da empresa, mas ele sumiu e não deu nenhuma satisfação aos credores”, afirmou o dono de uma loja de material de construção que teve um prejuízo de R$ 90 mil, com o “sumiço” do Liberto Júnior.
“Ele comprava material com a gente e sempre pagava, por isso tinha crédito, mas de novembro de 2025 para cá deixou de pagar e não deu nenhuma explicação”, relatou o comerciante. Segundo ele, as vítimas reuniram contratos, comprovantes de transferência, conversas e demais documentos e formalizar as denúncias às autoridades judiciais.
CASO NA JUSTIÇA
O suposto golpe aplicado pelo empresário Liberto Firmino Júnior está sendo apurado pelo juiz titular da 8ª Vara Criminal da Comarca de Arapiraca, Helestron Silva da Costa. No entanto, até o momento, a justiça ainda não se manifestou sobre o caso, mas a secretaria da Vara disse todas as partes serão ouvidas, antes do magistrado decidir sobre o mérito da questão.
“A nossa expectativa é de que na Justiça ele se comprometa a horar os compromissos, ou o juiz decrete a indisponibilidade dos bens dele para que esse patrimônio, que a gente sabe que ele tem, seja usado para cobrir os prejuízos que tivermos”, destacou um dos credores lesados. Segundo ele, a família de Liberto é dona de um patrimônio invejável, por isso as vítimas do suposto golpe ainda têm esperança no ressarcimento.
OUTRO LADO
Na sede da Alamedas Empreendimentos – um prédio suntuoso com fechada de vidro fumê, de frente para uma rodovia, onde do outro lado da pista fica a entrada do campus da Ufal de Arapiraca – uma funcionária disse que dono não estava, mas não sabia quando ele iria retornar. Ela passou o contato de uma secretária da firma (084-8841-8221), mas “o número do celular chamado não existe”.
A funcionária não quis confirmar o “sumiço” do padrão, afirmou apenas que ele estaria viajando e que o pai dele é quem estaria à frente da empresa, na sua ausência. Sobre as notícias de golpe, ela preferiu não comentar, mas disse que a empresa sempre foi correta com ela e com os demais colaboradores. “Eles nunca atrasaram os salários e sempre trataram a gente super bem”, conformou, revelando apenas o primeiro nome: Simone.
NOTÍCIA
Nas mídias sociais, a notícia do suposto golpe e do desaparecimento do empresário Liberto Júnior se espalhou pela cidade como um rastro de pólvora. “A população ficou abalada com a notícia do desaparecimento dele e maioria não acredita que ele tenha aplicado esse golpe”, afirmou um empresário local, lesado por Liberto Júnior. Segundo ele, o suposto esquema de estelionato teria deixado um rombo que ultrapassar os R$ 80 milhões.
De acordo com relatos das pessoas ouvidas pela Tribuna Independente, Liberto Júnior teria apresentado uma proposta de investimentos em negócios imobiliários com promessas de altos retornos. As vítimas afirmam que os contratos eram feitos em nome da incorporadora Alamedas e que o empresário realizava transferências bancárias a partir das contas da própria empresa, o que transmitia confiança e dava aparência de legalidade à operação.
Nos últimos meses, diversos investidores – empresários, comerciantes, servidores públicos, médicos, advogados, dentistas e construtores – aportaram quantias significativas acreditando se tratar de um negócio sólido. Contudo, segundo os depoimentos, o esquema começou a ruir quando o empresário desapareceu repentinamente em novembro de 2025, deixando a sede da incorporadora fechada e sem qualquer comunicação oficial.
Acusado construiu fama de ter conduta ilibada
Várias vítimas estiveram pessoalmente na sede da Incorporadora Alamedas, mas não encontraram o empresário. Desde então, nenhum contato foi possível, e familiares também não se pronunciaram sobre o paradeiro de Liberto Júnior.
Um advogado que representa parte dos clientes lesados afirmou que está sendo feito um levantamento detalhado do número de vítimas e dos valores envolvidos. “Ainda estamos consolidando todas as informações. Pelos relatos iniciais, o montante total pode se aproximar de R$ 80 milhões, mas esse valor pode aumentar conforme mais pessoas se apresentem”, enfatizou.

Quando lançou em abril de 2013 o Residencial Sierra, seu primeiro grande empreendimento em Arapiraca, o empresário Liberto Firmino Júnior, proprietário da Incorporadora Alamedas, reuniu a nata da sociedade arapiraquense, até a então prefeita Célia Rocha e seu vice Yale Fernandes prestigiaram o evento.
A festa, que contou com cerca de 600 convidados, começou por volta das 21 horas e entrou pela madrugada, embalada por uma banda local e pelo pagode de Alexandre Pires, ex-vocalista do grupo Só para Contrariar. O evento foi apresentado pela jornalista Gilka Mafra.
Além do palco, uma imensa tenda foi montada para acomodar os convidados em centenas de cadeiras espalhadas pelo local. Entre os presentes, as principais autoridades do município, incluindo o procurador de justiça Geraldo Magela Pirauá, o juiz de Direito, Giovanni Jatubá, o deputado estadual Ricardo Nezinho.
Na oportunidade, a então prefeita Célia Rocha fez uso da palavra e elogiou o espírito empreendedor do empresário Liberto Júnior. Ela também agradeceu à classe empresarial arapiraquense pela confiança na parceria com o poder público e por acreditar na garra de um jovem empreendedor.
Naquele momento, o Residencial Sierra era considerado o maior empreendimento do gênero em Arapiraca, com uma área de 73 mil metros quadrados, sendo 45 mil para preservação ambiental. Após os discursos das autoridades, a Banda Villa Lobos se apresentou para o público, que também curtiu e se divertiu com o show do cantor Alexandre Pires.
O empresário Liberto Firmino, idealizador e executor do projeto do Residencial Sierra, lembrou do início de suas atividades, como morador do bairro Batingas, e a implantação inicialmente de um mercadinho na localidade. Ele disse que começou de baixo, mas depois do lançamento daquele empreendimento de alto padrão, outros loteamentos de luxo seriam lançados. De fato, sua incorporadora, colocaria no mercado pelo menos mais empreendimentos: os condomínios fechados Sementeira e Baraúnas.
Por conta desse perfil empreendedor e de empresário bem sucedido, Liberto Júnior sempre gozou de uma boa reputação, sempre foi visto com um bom pagador e cumprir de seus compromissos. Por isso, muita gente em Arapiraca não acredita que ele tenha dado o golpe e fugido das suas responsabilidades.
Nas mídias sociais, praticamente todos os comentários são favoráveis a ele. Quase ninguém acredita na notícia do golpe. A maioria diz que ele sempre foi um homem de bem, de uma família rica e dona de grande prestígio na região do Agreste.
No entanto, ninguém explica por que ele fugiu? Por que não deu uma entrevista à imprensa para esclarecer tudo? Por que a empresa, depois de ter movimentado cerca de R$ 80 milhões dos investidores e que se mostrava sólida, entrou em recuperação judicial?
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