Política

Sobre as eleições deste ano, Adeilson Bezerra alerta para os riscos jurídicos da Carta de Anuência

O ponto central da análise de Bezerra, no entanto, é o rigor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)

Por Edmilson Teixeira 26/03/2026 16h54
Sobre as eleições deste ano, Adeilson Bezerra alerta para os riscos jurídicos da Carta de Anuência
Vídeo gravado está no instagram de Bezerra - Foto: instagram

Com o fechamento da janela partidária se aproximando, os bastidores da política em Alagoas entraram em estado de ebulição. O fenômeno, classificado como um verdadeiro "tsunami" de trocas de legenda, trouxe à tona um instrumento jurídico cobiçado, mas frequentemente mal compreendido: a Carta de Anuência.

Para lançar luz sobre o tema, o advogado Adailson Bezerra, presidente do Solidariedade em Alagoas e especialista no campo jurídico-político, utilizou suas redes sociais nesta quinta-feira (26) para emitir um alerta técnico aos mandatários e pré-candidatos.

Bezerra iniciou sua explicação fundamentando a lógica do sistema eleitoral brasileiro: nos cargos proporcionais (vereadores e deputados), o mandato pertence à agremiação, e não ao indivíduo.

"Quando um político troca de sigla fora das hipóteses legais, ele se expõe à acusação de infidelidade partidária e à consequente perda do cargo", explicou o advogado.

A carta de anuência surge como uma tentativa de "divórcio amigável", onde o partido declara formalmente que não se opõe à saída do filiado e renuncia ao direito de questionar a decisão na Justiça Eleitoral.

A armadilha da “anuência absoluta”


O ponto central da análise de Bezerra, no entanto, é o rigor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo ele, muitos políticos acreditam que o documento, por si só, é um salvo-conduto inquestionável, o que é um equívoco perigoso.
Para que a carta tenha validade jurídica real, ela precisa seguir dois pilares fundamentais:

1. Hierarquia: Deve ser emitida por órgãos partidários competentes e hierarquicamente superiores.
2. Justa Causa Concreta: O TSE tem decidido que a carta não é absoluta. Ela precisa estar acompanhada de elementos concretos que justifiquem a mudança (como mudança substancial do programa partidário ou grave discriminação política pessoal).

Consequência da descaracterização


O alerta de Adailson Bezerra é direto: se a carta de anuência não obedecer a esses critérios técnicos e não apresentar uma motivação real de "justa causa", o instituto é descaracterizado. Na prática, o documento perde o valor jurídico, deixando o político vulnerável a processos que podem culminar na cassação do mandato.

Em um cenário onde as reviravoltas são constantes, a orientação técnica de Bezerra serve como um "freio de arrumação" para quem pretende mudar de casa política sem calcular os riscos jurídicos da manobra.