Política
Arthur Lira nega 'tomar PL' e quer votar em JHC ao governo
Ex-presidente da Câmara federal vai lançar pré-candidatura ao Senado no dia 20 de março em Maceió
Na mesma semana em que o MDB realizou a sua convenção estadual e reafirmou a decisão de lançar candidatura de Renan Calheiros ao Senado e de Renan Filho ao Governo de Alagoas, o lado adversário parece seguir a passos lentos, evitando declarações diretas, posicionamentos definitivos.
Nos últimos dias, circulou nos bastidores a informação de que o deputado federal Arthur Lira (PP) estaria para assumir o comando do PL, de JHC. Isso porque, segundo as especulações, o prefeito de Maceió estaria incomodando as instâncias nacionais ao deixar dúvidas sobre os caminhos que vai tomar nas eleições deste ano.
Procurado pela Tribuna Independente, Lira garantiu que não procede essa informação. Avisou, através de sua assessoria, que o que existe é o compromisso de votar e apoiar a candidatura de JHC para governador. Também surgiram nas redes sociais imagens de uma reunião entre JHC, a senadora Eudócia Caldas (PL), sua mãe, e o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto.
Os fatos conhecidos nesse grupo são de que Lira lança oficialmente sua pré-candidatura ao Senado no dia 20 de março, e promete um grande evento com aliados para dar a largada pela disputa deste ano. Ele se organiza para manter o controle do PP em Alagoas, onde pretende eleger seu filho Álvaro para sucedê-lo na vaga que ocupa atualmente, além de outros aliados.
A realidade é que poucos fatos são novos no cenário político, mas quase nada está definido. Até agora apenas Renan Filho é um nome decidido para o governo, mas ninguém diria que é um fato novo, caso JHC figurasse ao lado de Lira no dia 20 como candidato a governo. Todos os aliados já o tratam assim, apesar de em alguns momentos seu nome surgir como opção para o Senado.
Sem poder negar o cenário nacional, JHC faz parte do partido de Flávio Bolsonaro (PL), e até apareceu nas imagens vazadas de anotações de táticas do candidato à presidência na semana passada. Nos rabiscos, Bolsonaro estaria esperando uma definição sobre o palanque com JHC até o dia 15 de março.
Com base enorme da Câmara Municipal, JHC mantém apreensivos seus aliados na casa, que esperam por sinais que nunca chegaram. Nossa reportagem procurou o líder do PL na Câmara, o vereador Leonardo Dias, mas ele não tem informação a respeito, não emite opinião.
Na avaliação do cientista político Ranulfo Paranhos, os dias de silêncio estão contados. “Esse já é um momento das cartas da mesa do jogo político serem colocadas, ou pelo menos os últimos momentos em que jogadores, players, ainda tentam blefar para ganhar mais no jogo. Então essa é a estratégia. Pelo menos essa é a estratégia do JHC”.
Citando os acordos que envolvem o prefeito, Paranhos pondera sobre as escolhas dele. “A estratégia dele é uma estratégia de aliança no passado, com o Rodrigo Cunha, que deu certo, que funcionou. E agora uma nova aliança beneficiando a Tia [Marluce Caldas, ministra do STJ], junto a um dos cargos de justiça, mas isso envolve diretamente um acordo com os Calheiros. Só que ele tem uma autoavaliação ou autopercepção ou ele deve ter mensurado isso do ponto de vista mais científico feito pesquisa interna para saber o potencial do crescimento saber o quanto ele é conhecido no Estado. E aí ele está fazendo esse jogo de espera”.
A espera, na análise do cientista político, pode ter a ver com a barganha junto a Lira. “Ele [JHC] também está esperando como negociar com o Arthur Lira, porque até então ele era, ou ele ainda é, aliado político do Arthur Lira. Veja, tornar-se aliado político do Arthur Lira coloca você automaticamente como opositor ao grupo dos Calheiros e vice-versa. Então a única pessoa que está conseguindo fazer isso numa dada medida e que não tem muita coisa a perder e que tem poder para fazer isso autonomia hoje no Estado de Alagoas se chama Luciano Barbosa [MDB] em relação a Arapiraca. Apoio ao Arthur Lira, apoio ao filho, candidatura do filho do outro filho, e por aí vai. Não vai para a reeleição. Enfim, é uma outra discussão para a gente fazer depois”.
Como JHC não é Luciano Barbosa, o movimento dele faz Ranulfo Paranhos acreditar que ele tem alguma aposta em mente.
“O JHC está esperando aquilo que a gente chama de timing [momento] político. E eu não sei se ele pode perder este time, porque o acordo implica em dizer que ele não será candidato ao Governo do Estado, ele será candidato a Senado em parceria com o Renan Calheiros pai e fica a disputa para o Governo do Estado em aberto, muito mais fácil para o Renan Filho que possivelmente hoje, candidato sozinho, solo, levaria no primeiro turno. Candidato solo que eu falo é sem um JHC na disputa e levaria no primeiro turno. Alguma coisa diz ao JHC, que a gente não sabe que vozes são essas, que ele para se pronunciar ele está precisando de mais tempo porque ele está negociando. E se ele está negociando é porque ele está buscando aquilo que a gente chama na política de maior retorno”.
Ranulfo observa que se demorar mais que o necessário para se definir, o prefeito pode ficar sem nada. “Então nesse momento ele está evitando o maior desgaste para garantir o maior retorno, e esse maior retorno consequentemente ele vai saber que não pode ser uma aliança com um pé na canoa dos Calheiros e um pé na canoa do Arthur Lira, porque em algum momento essas duas canoas vão se distanciar, e ele possivelmente vai cair na água. Então ele vai ter que tomar uma decisão”.
LANÇAMENTO
Em tempo, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira anunciou que irá lançar a sua pré-candidatura ao Senado por Alagoas no dia 20 de março, em Maceió.
O ato se dará cerca de dois meses depois de o deputado alagoano anunciar sua intenção de disputar uma das duas vagas à Casa Alta (Senado) nestas eleições.
Lira irá disputar, pela primeira vez, um cargo eletivo contra o senador Renan Calheiros (MDB), seu principal adversário no estado.
TERCEIRA VIA
A disputa pelo Senado, porém, ainda pode mudar com uma terceira via. Neste início de ano, o nome da primeira-dama de Maceió, Marina Candia, passou a ser cotado para concorrer.
Além dela, corre por fora o deputado Alfredo Gaspar (União Brasil), que ganhou projeção depois de se tornar o relator da CPMI do INSS.
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