Política
Mídia retoma discurso da Lava Jato como estratégia de disputa política
Artigo do jornalista Antonio Fernando da Silva, do CPINews, aponta uso seletivo de narrativas antigas para atacar adversários e influenciar o debate público
O jornalista Antonio Fernando da Silva (Fernando CPI), do site CPINews, em seu artigo desta semana, analisou a reaparição da Operação Lava Jato no debate público e sustentou que o movimento não decorre de novas apurações ou fatos inéditos. Segundo o autor, a retomada parte de setores da mídia alinhados à extrema direita e se apresenta como estratégia política, não como prática jornalística, com foco em atingir adversários, especialmente o presidente Lula.
De acordo com o artigo, o uso recorrente da Lava Jato ocorre mesmo após questionamentos judiciais que desmontaram pilares centrais da operação, indicando uma tentativa de reativar simbolicamente um discurso já superado no campo jurídico.
Narrativas recicladas
O texto apontou que reportagens e comentários têm resgatado acusações antigas, muitas delas anuladas ou revistas por decisões judiciais. Essas publicações, segundo a análise, deixam de contextualizar ilegalidades reconhecidas oficialmente, como abusos processuais e conluios entre acusação e magistrados.
O método descrito, segundo a análise, se baseia na repetição de denúncias sem apresentação de provas novas, priorizando impacto e repercussão. Nesse modelo, o autor avalia que o espetáculo da acusação substitui o compromisso com a apuração rigorosa dos fatos, enquanto decisões judiciais contrárias à operação são ignoradas.
Cortina de fumaça
Outro ponto destacado é o uso da Lava Jato como mecanismo para desviar a atenção de investigações e escândalos que envolvem setores do mercado financeiro, grandes grupos econômicos e elites que raramente ocupam o centro das manchetes ou dos inquéritos.
O artigo também apontou uma tentativa de reescrever a história recente, tratando a operação como referência moral, mesmo após reconhecimentos formais de ilegalidades que comprometeram sua legitimidade.
Quando informar deixa de ser o objetivo
Segundo Antonio Fernando da Silva, ao escolher alvos específicos e poupar determinados grupos, parte da imprensa deixa de exercer a função de informar e passa a atuar como agente político. As manchetes, nesse contexto, deixam de refletir a complexidade dos fatos e passam a atender a interesses de poder.
Esse movimento, de acordo com o autor, contribui para a criminalização seletiva da política e para o enfraquecimento do debate público, aproximando o jornalismo da propaganda.
O foco no presidente
O artigo ressaltou que os ataques recorrentes ao presidente não se restringem à figura pessoal, mas ao conjunto de políticas e símbolos associados ao seu governo, como programas de inclusão social, combate à fome e redução das desigualdades.
Para o autor, a insistência em associar o nome do presidente a escândalos já desmontados judicialmente contrasta com o silêncio diante de crimes de grande impacto econômico atribuídos a setores privilegiados da sociedade.
Democracia em risco
Na avaliação do jornalista, o uso da Lava Jato como ferramenta política fragiliza a democracia, distorce o debate público e compromete a credibilidade da imprensa. Ao atuar como um tribunal de exceção, o jornalismo abdica da verificação rigorosa e contribui para a disseminação de desinformação.
O texto conclui que a experiência recente demonstrou o alto custo desse modelo para o país e que a tentativa de retomá-lo indica menos compromisso com a verdade e maior interesse na manutenção de disputas de poder.
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