Política
Após afundar bairros em Maceió, Braskem inicia demissão em massa
Segundo Sindipletro AL/SE, na quinta-feira mais oito rescisões serão formalizadas, totalizando 17 desligamentos na empresa
A desativação da fábrica da Braskem no Pontal da Barra está provocando uma onda de demissões na empresa que preocupa o setor petroquímico alagoano. As demissões foram confirmadas, no início desta semana, pelo Sindicato dos Petroleiros de Alagoas e Sergipe (Sindipetro AL/SE).
Por meio de nota, o Sindicato disse que a mineradora começou a desligar funcionários da Unidade de Cloro/Soda de Maceió, e que o número de demissões deve se multiplicar nos próximos dias.
Segundo a diretoria da entidade sindical, depois da tragédia do afundamento solo, “a Braskem volta a gerar um novo drama social, com o desemprego se espalhando entre famílias que dedicaram décadas de trabalho à empresa”.
A Braskem foi procurada pela reportagem da Tribuna Independente, por meio da sua assessoria de comunicação, mas não confirmou e nem desmentiu as demissões.
De acordo com o Sindicato, o processo não é pontual. A entidade prevê centenas de operários e colaboradores sejam dispensados, ampliando o impacto sobre o emprego no segmento industrial do estado.
RESCISÕES
Na próxima quinta-feira (13/11), mais oito rescisões serão formalizadas, totalizando 17 desligamentos já confirmados, de acordo com a entidade sindical, que acompanha as homologações na Justiça do Trabalho. Para a diretoria do Sindicado, as demissões são consequências diretas do desmonte da fábrica do Pontal da Barra.
A companhia foi proibida de extrair sal-gema do subsolo maceioense por conta do afundamento do solo e passou a importar o sal do Chile. No entanto, desde maio deste ano que a Braskem não importa o sal, via Porto de Maceió. Sem a matéria prima, a mineradora paralisou a planta de cloro/soda do Pontal da Barra.
Há informações de dentro da empresa, mas ainda não confirmadas oficialmente, que as instalações da fábrica serão utilizadas apenas como depósito de dicloretano - produto usado da unidade da empresa no polo industriam de Marechal Deodoro.
O encolhimento das atividades locais da Braskem preocupa também o governo do Estado, não só quanto as demissões, mas principalmente no tocante à arrecadação de impostos.
350 EMPREGOS
Atualmente, a Braskem emprega cerca de 350 trabalhadores diretos em Alagoas. A empresa havia se comprometido a transferir 220 desses profissionais para unidades em outros estados, mas apenas 76 foram relocados até agora, o que, segundo o Sindipetro, indica mais cortes prestes a ocorrer.
NOTA DO SINDICATO
Em nota, a direção sindical criticou duramente a empresa: “A Braskem deixou pelo caminho o maior desastre ambiental urbano do mundo, causado pela extração de sal-gema que provocou o deslocamento forçado de mais de 60 mil pessoas. Agora, volta a gerar um novo drama social, com o desemprego se espalhando entre famílias que dedicaram décadas de trabalho à empresa”.
A diretoria do Sindipetro afirma que seguirá prestando apoio jurídico e acompanhando o caso de perto.
A Braskem foi acionada, por meio da sua assessoria de comunicação, para se posicionar sobre o assunto, mas não deu retorno, até o fechamento dessa matéria.

Vítimas: “vieram aqui e destruíram a cidade”
Nas mídias sociais, a notícia das demissões em massa ne trabalhadores da Braskem repercutiram negativamente para a empresa. A maioria dos internautas condenaram a empresa pelos crimes que teria cometido em Maceió e o rastro de destruição que teria deixado pelo caminho, em Alagoas.
“Vieram aqui, destruíram a cidade e agora vão embora destruir outro lugar”, comentou o internauta Paulo Mendonça, no rodapé da notícia sobre as demissões na Braskem.
Para Alexandre Sampaio, mais grave que as demissões dos colaboradores da mineradora foram as demissões dos trabalhadores das empresas que fecharam ou faliram por conta do afundamento do solo provocado pela Braskem, em Maceió.
Os representantes das vítimas da mineração calculam em cerca de 30 mil trabalhadores foram prejudicados direta ou indiretamente pelo desastre da mineração em Alagoas.
Segundo Alexandre Sampaio, foram fechados mais 6.000 negócios dentro do mapa de risco, mais de 2.000 nas bordas. Cerca de 16 mil empreendedores direta e indiretamente afetados, além de 15.000 trabalhadores que perderam emprego por causa do crime da Braskem.
Para a bióloga Neirevane Nunes, uma das fundadoras do Movimento Unificado das Vítimas da Braskem, os bairros empregavam muito mais gente e geravam muito mais renda que a Braskem, nem por seus moradores foram devidamente ressarcidos dos prejuízos que tiveram e das oportunidades que perderam, com a tragédia do afundamento do solo.
Segundo ela, as empresas dos bairros afetados empregavam 10 vezes mais do que a Braskem, isso tomando como referência ao relatório da CPI da Braskem.
“Esses números reais do lado dos atingidos a imprensa precisa dá destaque, até para fazer esse contraponto, mostrando que Alagoas perdeu muito mais com a Braskem do que ganhou. Os cinco bairros afetados pela mineração geravam mais emprego e renda local do que a Braskem”, observou.
“Além disso, a Braskem sempre se beneficiou de incentivos fiscais do governo. Há vários estudos que mostram que a Braskem nunca foi e nem é a redenção econômica de Alagoas”, acrescentou Neirevane, em postagem nas mídias sociais.
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