Política

Parlamentares vão debater construção de megatorres em audiências

Câmara de Maceió e Assembleia Legislativa realizarão audiências públicas para debater os impactos ambientais e urbanísticos deempreendimento na região da Lagoa da Anta, na orla de Jatiúca

Por Thayanne Magalhães / Tribuna Independente 01/03/2025 08h10 - Atualizado em 01/03/2025 08h36
Parlamentares vão debater construção de megatorres em audiências
Empreendimento ficará no lugar do Hotel Jatiúca, na região da Lagoa da Anta - Foto: Edilson Omena

A discussão sobre a construção de cinco megatorres residenciais na região da Lagoa da Anta, em Maceió, ganhará espaço tanto na Câmara Municipal quanto na Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas (ALE). Os dois parlamentos realizarão audiências públicas para debater os impactos ambientais e urbanísticos do empreendimento, que prevê edifícios de 15 andares cada um no entorno da área preservada.

Na Câmara, o requerimento do vereador Allan Pierre (MDB) foi aprovado e a audiência pública está marcada para o dia 17 de março. O objetivo é reunir representantes do poder público, setor imobiliário, entidades ambientais e sociedade civil para discutir os riscos do projeto, que envolve a conversão da área cedida ao Hotel Jatiúca em um complexo de alto padrão.

Já na Assembleia Legislativa, a audiência ocorrerá no dia 11 de março, às 10h, conforme anunciado pelo presidente da Comissão de Meio Ambiente, deputado Delegado Leonam (União Brasil). A pauta incluirá os possíveis impactos ambientais e a necessidade de um debate mais amplo sobre a urbanização da região.

Serão convidados representantes do Ministério Público Estadual, Ministério Público Federal, Universidade Federal de Alagoas, Prefeitura de Maceió, Instituto do Meio Ambiente (IMA), Ibama, OAB/AL, Creci/AL e Defensoria Pública, além da empresa Record Construtora, responsável pelo projeto.

O vereador Chico Filho (MDB) já defendeu que a discussão sobre o empreendimento ocorra de forma responsável, considerando tanto o desenvolvimento urbano quanto a necessidade de preservação ambiental. Segundo ele, é essencial garantir que qualquer intervenção na Lagoa da Anta respeite as normas ambientais e contemple os interesses da população.

A polêmica em torno do projeto tem se intensificado devido à falta de atualização do Plano Diretor de Maceió, defasado há 20 anos, e às preocupações levantadas por ambientalistas sobre a impermeabilização do solo e o aumento do trânsito na região. Especialistas alertam para os impactos negativos que a verticalização excessiva pode causar no ecossistema local, afetando o lençol freático e a biodiversidade da Lagoa da Anta.

EMPREENDIMENTO

A Record Construtora firmou um contrato com o Grupo Lundgren para a execução do empreendimento, que terá um Valor Geral de Vendas (VGV) superior a R$ 1,5 bilhão. O projeto prevê a construção de cinco torres de 15 andares cada, com unidades de alto padrão. Segundo fontes do setor imobiliário, a construtora já pagou R$ 10 milhões ao Grupo Lundgren e assumirá uma dívida de R$ 260 milhões, além de um pagamento adicional de R$ 260 milhões, totalizando R$ 520 milhões.

A questão também envolve debates sobre a mobilidade urbana, já que a região da Lagoa da Anta já enfrenta congestionamentos frequentes.