Política

Bancada de Alagoas deve ter maioria favorável à venda dos Correios

Privatização da empresa estatal já está na pauta da Câmara e se aprovada permite a venda em 100% em um único leilão

Por Carlos Amaral com Tribuna Independente 07/07/2021 07h51
Bancada de Alagoas deve ter maioria favorável à venda dos Correios
Reprodução - Foto: Assessoria
A possibilidade de privatização dos Correios se tornou mais visível no horizonte, seja com o anúncio do secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados, do Ministério da Economia, Diogo Mac Cord, de que a ideia é vender 100% da empresa num único leilão, seja pela entrada do tema – PL 591/2021 – na pauta da Câmara dos Deputados. A bancada alagoana, por possuir perfil governista, tende a ter maioria favorável ao tema, com somente dois parlamentares abertamente contrários à venda da estatal: Tereza Nelma (PSDB) e Paulão (PT). Em suas redes sociais, a deputada tucana afirmou que “a privatização da empresa mais antiga do Brasil, 358 anos, está com votação prevista para hoje na Câmara Federal. Poucos entendem a real dimensão desse tema. A empresa presta serviços importantíssimos para o país, promovendo cidadania em mais de 5 mil municípios. Sem contar que é responsável por empregar 115 mil pessoas, além de garantir um direito constitucional: a universalidade do serviço postal”. Já o deputado do PT afirma que os Correios foram colocados na “bacia das almas pelo desgoverno Bolsonaro”. Ele ressalta o papel logístico que a empresa cumpre no país e o impacto negativo que sua privatização gerará entre os trabalhadores. “Os Correios, além de tudo que realiza como empresa postal, também atua como banco, entrega vacinas, realiza ENEM, exporta e importa, emite documentos e realiza sonhos dos cidadãos brasileiros nas regiões mais remotas”, lista. “A privatização, além de desempregar os trabalhadores, vai gerar lucro para empresas estrangeiras que investem no mercado de capital, onde apenas elas multiplicam seus dividendos”, completa Paulão. Já o deputado Marx Beltrão (PSD), através de sua assessoria, não quis manifestar opinião sobre o tema. “O deputado federal Marx Beltrão informa que o PL sobre a privatização dos Correios ainda não entrou na pauta de votação da Câmara. Tão logo isso aconteça, o parlamentar irá se pronunciar sobre o assunto”. A Tribuna confirmou o ingresso do PL 591/2021 na pauta de plenário da Câmara dos Deputados para esta terça no portal da Casa. Até o fechamento desta edição, o tema não havia sido posto em discussão/votação. Outros parlamentares foram procurados, mas nenhum retornou à reportagem até o fechamento desta edição. CONTRAMÃO Se efetivada a privatização dos Correios, Brasil segue no sentido oposto dos demais países do planeta. Quem afirma é o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Empresa dos Correios e Telégrafos em Alagoas (Sintect), Alysson Guerreiro. “Das mais de 200 empresas similares em todo o planeta, apenas 8 são privatizados. Então, o Brasil está na contramão do mundo. E dessas oito, duas – Argentina e Portugal – estão em processo de estatização porque os valores das encomendas aumentaram e não se alcançou a totalidade da população. Argentina e Portugal são pequenos pertos do Brasil, mas imagine aqui, num país continental, como isso vai se dar. Qual empresa privada vai investir para entregar carta, remédio naquelas cidadezinhas lá na ponta do Amazonas?”, argumenta o presidente do Sintect em Alagoas. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Empresa dos Correios e Telégrafos em Alagoas (Sintect), Alysson Guerreiro, reforça a rentabilidade da empresa estatal e critica a falta de debate público sobre sua possível privatização. “Não houve discussão sobre a privatização. A gente tem tentado conversar com o Arthur Lira para que a gente coloque a verdade sobre os números dos Correios porque o que está se propondo é com base em inverdades”, afirma. “A empresa, por exemplo, é lucrativa. Em 2020, ela teve lucro de R$ 1,5 bilhão. Os Correios batem todos os recordes de entrega de encomendas, sejam nacionais ou internacionais. Os Correios são a única empresa publica presente em todos os municípios do país. É uma empresa rentável e que não depende financeiramente do governo. Segundo o TCU [Tribunal de Contas da União], seu índice de entrega dentro dos prazos de 97% das encomendas. A população será a maior prejudicada se os Correios forem privatizados”, completa Alysson Guerreiro. GREVE Não bastasse a possibilidade de privatização, os trabalhadores dos Correios enfrentam defasagem salarial e devem realizar uma assembleia na próxima quinta-feira (8) para deliberar sobre a paralisação dos serviços devido à proposta de 0% de reajuste nos vencimentos de seus funcionários. A categoria pede reajuste salarial de 5%, a não a criação do banco de horas, e novas contratações para o quadro de funcionários, já que último concurso público para empresa ocorreu em 2011. Em nota, a diretoria dos Correios afirma que a proposta “reflete, rigorosamente, o atual momento dos Correios com a manutenção das 29 cláusulas do atual Dissídio Coletivo de Greve - sem reajuste salarial -, e inclusão de uma cláusula referente a banco de horas, tornando o processo mais flexível para o empregado, de forma que ele possa fazer essa negociação diretamente com o gestor”.