Política

15 de abril de 2021 08:14

Renan Filho apoia CPI e faz críticas ao governo federal

Governador argumenta que a condução do enfrentamento à pandemia não tem respaldo na ciência e o país está sendo isolado

↑ Governador Renan Filho (Foto: Agência Alagoas)

O presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), formalizou a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, que investigará a atuação do governo de Jair Bolsonaro no enfrentamento à pandemia do novo Coronavírus, assim como o uso de recursos federais por Estados e municípios na contenção da crise sanitária. A pressão pela investigação cresceu com a escalada de mortes causadas pela Covid-19. Já são mais de 358 mil vítimas da doença no país.

No caso do Governo Federal, a CPI deve investigar questões como a responsabilidade da União na falta de oxigênio no Amazonas, o atraso na compra de vacinas e uso de dinheiro público na compra de medicamentos sem comprovação científica, a exemplo da hidroxicloroquina, entre outros temas.

O debate ganha repercussão em Alagoas. Durante a coletiva desta quarta-feira (14), o governador Renan Filho (MDB) tratou sobre a criação da CPI. Para ele, o Congresso Nacional sempre tem autonomia para identificar os momentos em que precisa fazer uma investigação com mais profundidade para atender o anseio da população.

“O Congresso atendeu os requisitos para formar uma CPI, para investigar a condução da Covid-19 no Brasil, porque este país virou o epicentro planetário do coronavírus, por uma série de fatores que precisam ser investigados e elucidados. E eu acredito que o Congresso Nacional tem competência, tem condição para fazer isso. Hoje mesmo, a França fechou o território para o povo brasileiro. O mundo inteiro está fechando o território para o Brasil, né? Por quê? Porque a gente tem uma condução errática, uma condução que não respeita a ciência por parte do Governo Federal, uma condução que já teve quatro ministros da saúde na crise”.

O governador ressaltou ainda que tem se esforçado demais e espera que no futuro as pessoas olhem para trás e observem a conduta de cada um que estava na gestão pública nesse momento.

“Eu certamente estarei aqui para tomar as decisões, mesmo que indo contra o fluxo em alguns momentos, mas para defender o interesse do povo alagoano”.

Tereza Nelma fala em políticas desastrosas

 

A coordenadora da bancada federal alagoana, deputada Tereza Nelma (PSDB) acredita que os senadores consideraram que não era mais possível manter a “lenga-lenga” de que o presidente Bolsonaro vai respeitar a ética do cargo de Presidente da República.

“Mal formou um Comitê para tratar do Covid-19, sob sua presidência, Bolsonaro continuou com os mesmos ataques e xingamentos, inclusive contra as decisões do próprio Comitê. A decisão de constituir uma CPI para investigar a ação do Governo Federal no combate à pandemia fez Bolsonaro aumentar os ataques e sair cometendo crimes de responsabilidade, além de espalhar informações falsas, como é seu costume”.

A deputada ressaltou ainda que a sociedade está convencida de que não fossem os prefeitos e os governadores “teríamos muito mais mortes de parentes, amigos, pessoas abandonadas pelas políticas sociais. A responsabilidade central desse quadro e da pandemia no Brasil é do presidente e de suas políticas desastrosas”.

MUNICÍPIOS

O presidente da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), Hugo Wanderley (MDB), também se manifestou sobre a criação da CPI. Para ele, todo instrumento que sirva para cooperar, qualificar o enfrentamento a covid é bem-vindo.

“É esperar que a comissão seja utilizada com fins objetivos e colaborativos para melhorar o andamento no plano de enfrentamento contra Covid-19. Penso que qualquer que seja o ente, seja a nível estadual, federal, municipal, e caso tenha algum tipo de omissão (ou alguma infração), ele precisa ser incluído na investigação sem problema algum. Isso é transparência, que é necessária”.

“Possíveis erros dos estados não devem ser indicados”

 

Em recente entrevista para o programa “Sua Excelência, o Fato”, o senador Renan Calheiros (MDB) pontuou que a CPI será algo absolutamente normal, “até porque é constitucional na vida política brasileira” e aproveitou para citar que a CPI pode investigar possíveis erros de estados e municípios durante a pandemia, o que, segundo ele, não precisa ser indicado desde o início da comissão.

“O papel da CPI é iluminar compartimentos escuros. Se houver compartimentos escuros no município, no estado ou na União, temos que iluminá-los. Não precisa preocupação de até onde vai a CPI. O importante é que a CPI vá”.

O senador Rodrigo Cunha (PSDB) também defendeu a instauração da CPI no Senado Federal para investigar a atuação do governo federal no combate à pandemia da Covid-19.

“Com CPI ou sem CPI, o fato é que já passou em muito da hora de o governo Bolsonaro ter uma postura e uma ação concreta de combate à pandemia. Já são mais de 350 mil mortes. Todos nós temos ou um parente, ou um amigo, ou no mínimo conhecidos que já morreram por complicações de Covid-19. Chega de naturalizar a morte de tanta gente, chega de achar que é ‘normal’, que é ‘natural’, que é ‘assim mesmo’”, disse o senador.

Rodrigo Cunha ainda fez um destaque que falta coordenação nacional no combate à pandemia.

“Não poderia, portanto, deixar de ser favorável a qualquer iniciativa que busque frear o mau uso dos recursos destinados ao combate à pandemia no Brasil. Indicar remédios sem eficácia como a cloroquina e o chamado kit Covid, não defender o uso de máscaras, não liderar a coordenação de uma iniciativa nacional rumo a medidas coerentes causa mais sofrimento à população”.

Fonte: Tribuna Independente / Carlos Victor Costa

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