Política

Força-tarefa chegará ao Sertão

Clima político acirrado na região leva representantes da Justiça Eleitoral e Segurança Pública a se reunirem com candidatos hoje

Por Carlos Amaral com Tribuna Independente 11/11/2020 07h59
Força-tarefa chegará ao Sertão
Reprodução - Foto: Assessoria
A cinco dias do pleito eleitoral, a força-tarefa montada para acompanhar as condições de segurança na disputa deste ano, realiza, nesta quarta-feira (11), mais uma reunião – in loco – em uma das cidades sob monitoramento: Major Izidoro. O foco do encontro, que envolve o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Secretaria de Segurança Pública (SSP), Ministério Público Eleitoral (MP Eleitoral) e o Conselho Estadual de Segurança Pública (Conseg) será o mesmo da reunião do último dia 4, em Coruripe, que é mostrar que o Estado está vigilante em relação à segurança das eleições. O serviço de inteligência das forças de segurança de Alagoas aponta que dez cidades estão sob monitoramento devido à possibilidade de violência entre grupos políticos nas eleições deste ano. São elas: Coruripe, Jequiá da Praia, Major Izidoro, Batalha, Matriz de Camaragibe, Olivença, São Miguel dos Campos, São Miguel dos Milagres, Junqueiro e Rio Largo. À reportagem, o presidente do Conseg, o advogado Fábio Ferrário, se limitou a dizer que “o plano de segurança [para as eleições] já está no TRE” e que “todo o estado está sendo alvo de atenções, para termos um pleito sem intercorrências, no aspecto da segurança pública”. O TRE se limitou apenas a comentar que a reunião desta quarta tem o mesmo teor da do dia 4, inclusive o motivo de sua realização ser em Major Izidoro. “Clima complicado”. Já a SSP, não quis falar sobre o que se discute nas reuniões. Disse apenas “acompanhar uma ação feita pelo TRE, não é algo feito pela SSP. Como integrantes do processo eleitoral, como força de segurança que vai atuar na manutenção da ordem pública, vamos participar dessa atividade”. Contudo, à edição de 7 e 8 de novembro da Tribuna Independente, o titular da SSP, coronel Lima Júnior, comentou sobre as 10 cidades sob monitoramento, garantindo que os municípios monitorados terão um tratamento diferenciado. A reportagem também manteve contato com o Ministério Público Eleitoral, no entanto até o fechamento da edição, não houve resposta. HISTÓRICO DE VIOLÊNCIA O histórico de violência ligada à política em Alagoas é de longa data. Desde o impeachment de Muniz Falcão, em 1957, onde houve troca de tiros no plenário da Assembleia Legislativa entre deputados aliados e opositores; passando pela troca de tiros no Senado Federal, em 1963, entre os senadores Arnon de Mello e Silvestre Péricles devido a desavenças políticas locais. Na ocasião, dois disparos feitos por Arnon de Mello atingiram José Kairala, senador do Acre recém-empossado, cuja esposa e filho pequeno estavam na Casa naquele momento; passando pelo assassinato do vereador da cidade de Batalha Neguinho Boiadeiro ao sair da Câmara Municipal, em 2017. Este assassinato, contudo, não está provado ter sido um crime político. ATUALIZADO O MP Eleitoral retornou à reportagem após o fechamento desta edição da Tribuna. A promotora eleitoral Viviane Karla da Silva Farias, da 10ª Zona eleitoral, comentou sobre o acirramento das disputas no interior. “Uma de nossas maiores preocupações é garantir a segurança do eleitor e a democracia no processo eleitoral, a segurança do voto e da sociedade. Um dos nossos maiores entraves têm sido o acirramento das disputas políticas entre grupos locais”, diz a promotora.