Política

Vereador é agredido e vai parar no HGE

Parlamentar de Anadia, Carlos Aliberto teria sido vítima dos seguranças do deputado estadual Antonio Albuquerque; Uveal fala em coronelismo

Por Emanuelle Vanderlei - repórter / Tribuna Independente 31/07/2026 08h02
Vereador é agredido e vai parar no HGE
Carlos Aliberto teria ido ao encontro de Antonio Albuquerque desfazer aliança política com o parlamentar - Foto: Divulgação

Após a repercussão na última quarta-feira (29) de uma suposta agressão do deputado estadual Antonio Albuquerque (União Brasil) contra o vereador Carlos Aliberto, de Anadia, o presidente da União dos Vereadores de Alagoas (Uveal), Neto Bonfim (PSB), se pronunciou nas redes sociais.

“Acabamos de receber uma notícia de uma suposta agressão por parte de um deputado ao vereador Carlos Aliberto. Estamos chegando no hospital e a Uveal irá averiguar os fatos. E caso comprovado a Uveal entrará com as medidas cabíveis, essas práticas não existem mais, o coronelismo acabou. E a Uveal estará sempre ao lado de cada vereador alagoano, independentemente de qualquer coisa”, disse Bonfim em vídeo publicado na última quarta (30). Neto não menciona o nome do deputado em nenhum ponto de sua publicação.

De acordo com informações propagadas em alguns portais de notícias, o vereador teria sido espancado por seguranças do parlamentar durante reunião política em Maceió, em razão de ter decidido romper aliança política com o grupo e anunciar apoio ao ex-prefeito de Maceió, JHC (PSDB).

A publicação mais recente de Aliberto nas redes sociais, foi no dia 22 de julho, quando ele parabeniza o ex-prefeito de Maceió por seu aniversário. Na mensagem, ele chama o pré-candidato a governador de “grande líder”, e deseja “que a nova fase seja marcada por grandes vitórias, conquista e pela realização de muitos sonhos”. Na noite do mesmo dia, apesar de não se pronunciar diretamente sobre o assunto, o deputado estadual Antonio Albuquerque e seu filho, o deputado federal Nivaldo Albuquerque, compartilharam uma publicação do perfil “Limoeiro Notícias”, onde é relembrado um caso em que houve especulações sobre a autoria de um atentado contra a casa do prefeito de Limoeiro de Anadia.

“A publicação, feita por um perfil identificado na plataforma, atribui ao crime uma motivação ligada a um suposto relacionamento extraconjugal envolvendo pessoas conhecidas da cidade. A versão, contudo, não é apresentada com documentos ou outras provas e passou a repercutir entre moradores, dividindo opiniões. O caso ganhou notoriedade na época em que ocorreu, mobilizando forças policiais e despertando preocupação na população. As investigações avançaram, um suspeito foi identificado e o inquérito seguiu para apreciação do Poder Judiciário”, descreve a publicação.

O texto cobra responsabilidade sobre comentários públicos que não podem se tornar provas. “Especialistas em Direito ouvidos em situações semelhantes alertam que comentários publicados na internet não possuem, por si só, valor probatório. Qualquer alegação envolvendo pessoas identificáveis precisa ser confrontada com documentos oficiais, depoimentos constantes dos autos ou decisões judiciais antes de ser tratada como fato”.

No mesmo dia em que é acusado pelo tribunal da internet, o parlamentar compartilhou o texto que destaca o comportamento peculiar em municípios pequenos.

“Em cidades pequenas, onde relações pessoais e políticas frequentemente se cruzam, episódios dessa natureza costumam ultrapassar a esfera criminal e passam a integrar o imaginário popular. O resultado é um ambiente propício para rumores, versões conflitantes e interpretações que nem sempre encontram respaldo nas investigações. Diante desse cenário, uma cobertura jornalística responsável exige a distinção entre aquilo que foi oficialmente apurado pelas autoridades e aquilo que permanece apenas no campo das alegações ou especulações. É justamente essa separação que preserva a credibilidade da informação e o direito de defesa de todos os envolvidos”, diz a publicação compartilhada por Antonio e Nivaldo Albuquerque.

A Tribuna Independente tentou contato com o deputado Antonio Albuquerque para ouvir sua versão dos fatos, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. Também foi procurado o Hospital Geral do Estado (HGE) para mais detalhes sobre o caso, mas foi informada que no período eleitoral, os órgãos públicos estão restritos a informações de utilidade pública. A assessoria destacou que, independentemente disso, a informação não poderia ser repassada. “Fora do período, também não poderíamos, pois seria um caso de violência”, informou a assessoria da unidade.