Política

5 de agosto de 2019 10:22

Sindicato faz ato e denuncia demissão em massa na Equatorial Energia

Segundo os sindicalistas, mais de 500 demissões já foram realizadas em 100 dias de Equatorial à frente da antiga Ceal; mais 400 estão por vir

↑ Sindicato dos Urbanitários denunciava em agosto demissões em massa na Equatorial Energia (Foto: Adailson Calheiros / Arquivo)

Mais de 500 demissões e mais 400 a vir. Esse é o número que o Sindicato dos Urbanitários de Alagoas aponta como resultado da Equatorial Energia em 100 dias após adquirir a antiga Ceal. Em protesto, a entidade realizou um ato em frente à sede da empresa na manhã desta segunda-feira (5). A média de demissões é de cinco por dia.

Segundo Nestor Powell, presidente do Sindicato dos Urbanitários, esse número apresentado também considera os trabalhadores que aderiram ao Pedido de Demissão Voluntária (PDV). Contudo, em sua avaliação, essa prática vai na contramão do discurso de qualidade nos serviços prestados adotado pela Equatorial ao assumir o comando da distribuidora de energia elétrica de Alagoas. Além disso, o dirigente sindical ressalta a troca dos antigos concursados por contratação terceirizada.

Nestor Powell, presidente do Sindicato dos Urbanitários (Foto: Adailson Calheiros)

“São pessoas concursadas, capacitadas e eles ficam terceirizando. Isso já está sendo refletido na qualidade do serviço. A população já percebe isso. Queremos que a empresa dê certo. Afinal de contas, é a responsável pela distribuição de energia e tem de fazer o trabalho bem feito. Só não acreditamos que com diminuição de quadro, a qualidade do serviço irá melhorar. Isso é incompatível. O discurso não casa com a prática”, afirma. “Estamos tentando colocar para a empresa que queremos sentar com ela e discutir uma reestruturação sem demissões”, completa Nestor Powell.

Ainda de acordo com o presidente do Sindicato dos Urbanitários, a cláusula do acordo coletivo da categoria que vetava as demissões em massa foi retirada das negociações.

“Com a reforma trabalhista, que flexibilizou tudo, o a cláusula do acordo coletivo que não permitia demissões em massa foi retirada na última negociação. Justamente para isso, ter a liberdade para diminuir o quadro”, relata Nestor Powell.

Mesmo reconhecendo que há um bom diálogo com a empresa nas mesas de negociação, o presidente do Sindicato dos Urbanitários aponta intransigência em relação às demissões.

“Em negociação em mesa, não há clima hostil. Não podemos dizer isso. Sempre que temos procurado, eles têm aberto o diálogo. Agora, estão intransigentes sobre as demissões. Disseram que tem nove setores na empresa que o modelo de gestão da Equatorial não permite que tenha quadro próprio. A empresa insiste e diz que tem mais 400 pessoas para demitir”, diz. “Num estado com o nosso, pequeno, com a crise de desemprego que está no Brasil – e aqui reflete muito mais – você vê trabalhadores que passaram em concurso sendo demitidos, é uma coisa que influencia no próprio trabalhador, mas na economia do estado que é afetada com mais demissões”, completa Nestor Powell.

EQUATORIAL EMITE NOTA

Nota de esclarecimento

A Equatorial Energia Alagoas esclarece que a empresa foi privatizada recentemente, herdando uma dívida de mais de R$ 1.8 bilhões de reais, com sucessivos prejuízos e uma prestação de serviço precária. Neste momento, a distribuidora encontra-se em processo de reestruturação.

A empresa realizou o Programa de Demissão Voluntária, onde os que julgaram ser o momento, aderiram ao PDV. O quadro de colaboradores da distribuidora está sendo adequado ao modelo de gestão do Grupo Equatorial Energia.

A concessionária mantém relacionamento institucional respeitoso com todos os órgãos de representação de classe, entidades públicas e poderes constituídos, prezando pela observância da legislação trabalhista.

A Companhia ainda ratifica o compromisso da empresa com o estado e já apresentou o plano de investimentos da companhia até 2020, onde busca a melhoria no fornecimento de energia elétrica e atendimento, para satisfação dos clientes.

Assessoria de Imprensa da Equatorial Energia Alagoas

Fonte: Tribuna Hoje / Carlos Amaral

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