Política

1 de agosto de 2018 07:45

Marcelo Tadeu critica uso político de precatórios do Fundef

Juiz aposentado ressalta que o Ministério Público e Justiça Eleitoral precisam estar atentos

↑ Juiz Marcelo Tadeu acionou o partido para receber R$ 39 mil relacionados ao fundo partidário (Foto: Sandro Lima/arquivo)

O juiz aposentado Marcelo Tadeu, pré-candidato a deputado estadual pelo PDT, criticou o uso político da discussão sobre os precatórios do extinto Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), mais especificamente a demanda de professores pelo rateio desse dinheiro, na monta de mais de R$ 1 bilhão.

Em entrevista a Rafael Medeiros, da Rádio Penedo FM, no último dia 20 de julho, o juiz aposentado ponderou sobre a responsabilidade desse debate e que muitos professores não têm direito ao recurso, mas acreditam no oposto e já esperam o dia de recebê-lo.

“Professorado é uma classe tão massacrada ao longo da história e agora imagina que vai acordar com meio milhão de reais na conta bancária. Muitos deles sequer têm direito. Tem de esclarecer isso. É algo grave. Vai ser tão frustrante que pode levar até à depressão ou até morte. São R$ 1,8 bilhões só para Alagoas. O Ministério Público tem de estar atento ao que está acontecendo”, disse.

“A Justiça tem de verificar até que ponto esse tipo de evento tem repercussão no campo eleitoral. Tem gente querendo ser o ‘papai da criança’ do R$ 1,8 bilhões para distribuir aos professores alagoanos. A condução de todo esse processo precisa ser observada no âmbito da legislação eleitoral”, completa Marcelo Tadeu.

O pedetista não citou nenhum nome em sua entrevista. Contudo, o deputado federal João Henrique Caldas (JHC), do PSB, preside uma comissão na Câmara dos Deputados sobre o tema e espalhou outdoors pelo estado em defesa do rateio de 60% dos precatórios para os professores. O parlamentar é pré-candidato à reeleição.

Por diversas vezes à Tribuna Independente, representantes do Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Alagoas (Sinteal) já questionaram a visão do Tribunal de Contas da União (TCU) que mantém parecer contrário ao rateio de parte dos recursos do antigo Fundef para  o magistério.

O Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Alagoas chegou a emitir uma nota técnica solicitando ao TCU uma mudança de pensamento, porém não houve êxito. Em resumo, eles dizem “como podem tratar educação sem considerar o professor”. A categoria alega perdas salariais da época do Fundef e que o rateio nunca fora realizado pelas prefeituras, conforme a Lei do Fundo.

Fonte: Tribuna Independente / Carlos Amaral

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