Política
Após cancelar encontro duas vezes, Temer recebe Evo Morales nesta terça em Brasília
Visita do presidente boliviano foi adiada em razão de cirurgias às quais Temer foi submetido nas últimas semanas; Em 2016, Evo disse que impeachment de Dilma era 'injusto' e um 'golpe'
A reunião, no Palácio do Planalto, acontece depois de ter sido adiada em razão das cirurgias às quais Temer foi submetido nas últimas semanas.
Pela programação, divulgada pela Secretaria de Comunicação Social, Evo será recebido por Temer às 11h, no Palácio do Planalto.
Em seguida, eles terão o chamado encontro bilateral ampliado, do qual participam ministros e representantes dos dois governo. Para o início da tarde está prevista, ainda no Planalto, a cerimônia de Assinatura de Atos, na qua Brasil e Bolívia assumirão compromissos conjuntos.
Por fim, Temer e o presidente boliviano almoçarão juntos no Palácio Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores.
Segundo o ministério, o Brasil é o maior parceiro comercial da Bolívia, sendo o principal destino das exportações do país (19%). Em 2016, diz o Itamaraty, o comércio bilateral registrou US$ 2,8 bilhões.
'Golpe'
Aliado dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, Evo Morales criticou por diversas vezes o processo de impeachment de Dilma.
No dia em que Dilma foi afastada pelo Senado, por exemplo, ele publicou uma mensagem no Twitter na qual afirmou que o processo de impeachment era um "golpe" parlamentar.
Dois dias antes de Dilma ser destituída do cargo pelo Senado, Evo voltou a comentar o impeachment na rede social.
Ao se dirigir à "irmã Dilma", o presidente boliviano afirmou que o objetivo do "injusto" processo era "expulsar os pobres, os negros e as mulheres" do poder.
Reeleição
Primeiro indígena a chegar à Presidência da Bolívia, Evo Morales está no poder desde 2006 e foi reeleito duas vezes – 2009 e 2014. Recentemente, uma decisão da Justiça da Bolívia abriu caminho para ele tentar o quarto mandato consecutivo, em 2019.
O Tribunal Constitucional Plurinacional (TCP) da Bolívia acatou uma ação apresentada por parlamentares do partido governista MAS para acabar com o limite de mandatos consecutivos no país.
A ação alegava que os limites para reeleição violam o sufrágio universal. Conforme a posição da Corte, tratados de direitos humanos que ampliam os direitos políticos devem ter preferência sobre a Constituição boliviana.
A decisão foi na contramão do resultado de um plebiscito realizado em 2016, que rejeitou alterar a Constituição e derrubar o limite de reeleições. Após a decisão do tribunal, Evo afirmou pelo Twitter estar habilitado para que o povo decida se apoia mais um mandato.
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