Polícia

MPAL apura conduta de policial envolvido na morte de mulher durante abordagem em Maceió

Promotoria de Controle Externo da Atividade Policial acompanha investigação sobre disparo que matou Amanda Rhuanny Lopes da Silva, de 32 anos, no Jacintinho

Por Redação 08/09/2026 07h41
MPAL apura conduta de policial envolvido na morte de mulher durante abordagem em Maceió
Amanda Rhuanny Lopes da Silva morreu durante abordagem policial no Jacintinho - Foto: Reprodução

O Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) abriu uma apuração para verificar as circunstâncias da morte de Amanda Rhuanny Lopes da Silva, de 32 anos, atingida por um disparo de arma de fogo durante uma abordagem policial no bairro do Jacintinho, em Maceió. O caso ocorreu na noite do último sábado (5), na região conhecida como Aldeia do Índio, e envolve um policial militar que participou da ocorrência.

A apuração está sob acompanhamento da Promotoria de Justiça de Controle Externo da Atividade Policial, titularizada pela promotora Karla Padilha. Entre os pontos que devem ser esclarecidos estão a conduta do militar durante a abordagem, as circunstâncias que levaram ao disparo e a existência de eventual procedimento ou processo anterior envolvendo o agente. A promotoria também deverá analisar as providências adotadas pelas forças de segurança após a ocorrência. O MPAL tem, entre suas atribuições constitucionais, o controle externo da atividade policial e a fiscalização de possíveis ilegalidades ou abusos.

A morte ocorreu durante uma ação policial iniciada após uma denúncia relacionada a possível uso ou tráfico de drogas em uma confraternização. Segundo a versão apresentada por familiares, Amanda teria questionado a abordagem realizada na porta de uma residência e acabou sendo atingida por um tiro no peito. A família sustenta que ela teria sido empurrada pelo policial antes do disparo. A Polícia Militar, por sua vez, apresentou outra versão para o episódio e afirmou que a mulher teria avançado contra o militar e tentado tomar sua arma. As circunstâncias ainda são objeto de investigação.

Um dos pontos que deverão ser esclarecidos é o registro da ocorrência. Conforme documentos citados em reportagens sobre o caso, a morte aparece como ocorrência de homicídio decorrente de intervenção policial, enquanto o boletim que chegou à imprensa fazia referência ao episódio de forma secundária, associado a outra ocorrência relacionada à apreensão de drogas. A íntegra do registro principal, contudo, não foi localizada em fonte oficial aberta consultada para esta reportagem.

A investigação também deverá considerar os elementos produzidos pela perícia, incluindo o exame cadavérico, além dos depoimentos de testemunhas e demais provas que possam ajudar a esclarecer a dinâmica do disparo. A análise desses elementos será importante para verificar se a utilização da arma de fogo pelo policial observou os requisitos legais e os protocolos aplicáveis ao uso da força.

A Promotoria de Controle Externo da Atividade Policial tem atuação permanente na fiscalização das instituições responsáveis pela segurança pública em Alagoas. Recentemente, Karla Padilha realizou inspeções em delegacias da capital e apontou problemas estruturais, falta de efetivo e outras situações relacionadas ao funcionamento das unidades policiais.

O caso deverá continuar sendo acompanhado pelo Ministério Público enquanto avançam as investigações. A apuração poderá subsidiar a adoção das medidas cabíveis pelo órgão, inclusive na esfera criminal, caso sejam identificados elementos que indiquem a ocorrência de crime. Até a conclusão das investigações, não há definição sobre eventual responsabilização do policial envolvido na morte de Amanda Rhuanny.