Polícia
Após denunciar ameaças em Maribondo, família registra Boletim de Ocorrência contra pedreiro
Caso ocorreu no Povoado Mata Verde e envolve lesão corporal, injúria e ameaça
O que era denúncia virou inquérito. Dois dias após a publicação da reportagem “Família denuncia tentativa de invasão de terra e ameaças em Maribondo”, a disputa no Povoado Mata Verde, chegou oficialmente à Polícia Civil. O comerciante Fernando de Almeida Silva, 52 anos, registrou nesta terça-feira, 2, o Boletim de Ocorrência nº 00079948/2026 no 101º Distrito Policial, onde aponta o pedreiro Valdomiro Idalino da Paz, 42 anos, como autor de lesão corporal dolosa, injúria real e ameaça.
Segundo o relato no B.O., o fato ocorreu no dia 28 de maio de 2026, por volta das 16h, durante uma festa de aniversário ao lado da residência da vítima. Fernando afirma que Valdomiro chegou e, sem motivo, desferiu dois tapas em sua cabeça, além de proferir xingamentos. Conforme o documento, Valdomiro teria ameaçado a vítima e sua família, dizendo: "Este povoado está pequeno pra mim e pra você e sua família". O B.O. também cita que não seria a primeira vez que o acusado ameaça a família.
O caso foi registrado pelo delegado Rômulo da Silva Monteiro. A vítima manifestou desejo de representar criminalmente contra o suposto autor. O inquérito deve apurar os crimes previstos nos artigos 129, 140 §2º e 147 do Código Penal.
A primeira reportagem, do dia 31 de maio, afirmava que a família Almeida Izidio, que tem a posse de uma propriedade de 25 tarefas há mais de 50 anos, relata viver sob ameaças há mais de dois anos. Segundo Lucineia de Almeida Silva, 45, filha do dono da terra, “esse cidadão chegou agora querendo bater o terror lá”. O conflito começou quando Valdomiro comprou o terreno ao lado. A família já havia registrado dois B.O.s este ano: o nº 00021805/2026, de 10/02, por “provocações com som alto”, e o nº 00043866/2026, de 24/03, que “detalha ameaças relacionadas à derrubada de cerca e menção a arma de fogo”.

Lucineia contou que foi intimidada duas vezes no rio da propriedade: “Ele foi lá me intimidar com revólver na cintura, com a pistola na cintura”. A PM chegou a fazer diligências, mas o suspeito “fugiu por área de mata”. E a família afirma ter vídeo de 9 de abril que mostra Valdomiro um dia após ser liberado por porte de arma. “No outro dia ele passou de carro com intenção de cometer um atropelamento”, relatou Lucineia. O material “será entregue às autoridades”.
Na semana passada, a PM foi até a casa do suspeito, da sogra e a uma pedreira. “Quando ele avistou a viatura, saiu na carreira. Os policiais viram. Estava de roupa amarela, chapéu amarelo. Saiu correndo por dentro do mato”, contou Lucineia, que acompanhava a diligência.
Com o B.O. nº 00079948/2026, o caso deixa de ser “TCO” e pode virar inquérito. A vítima manifestou desejo de representar criminalmente. O delegado Rômulo da Silva Monteiro conduz o registro. Enquanto isso, o pedido da família continua o mesmo “A gente pede muito que a Justiça tome providência”. Em Maribondo, onde todo mundo se conhece, a demora da Justiça não significa só impunidade. Significa conviver com o medo na porta´´, afirma Lucineia.
O espaço segue aberto para manifestação.
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