Polícia
Família denuncia tentativa de invasão de terra e ameaças em Maribondo
A invasão de terras no Brasil é tratada como crime de esbulho possessório (quando alguém quer toma a posse de um imóvel alheio à força, ameaça ou de forma clandestina). É isso que está acontecendo em uma região rural do povoado de Mata Verde, no município de Maribondo, zona da mata alagoana, onde a família Almeida Izidio, que tem a posse de uma propriedade de 25 tarefas há mais de 50 anos, relata viver sob ameaças há mais de dois anos por causa de uma disputa de terra.

Segundo Lucineia de Almeida Silva, 45 anos, a terra pertence à família há mais de 50 anos. A propriedade tem cerca de 25 tarefas e nunca houve conflito com vizinhos anteriores. "Meu pai tem essa terra há mais de 50 anos. É vizinho do pessoal do seu Paulo, do seu Ulisses Botelho. Até hoje ninguém nunca teve nenhum tipo de problema", afirma.

O conflito, no entanto, começou há pouco mais de dois anos, quando um homem, identificado como Valdomiro Idalino da Paz, natural de Palmeira dos Índios, mas que vive desde a adolescência no povoado Mata Verde, comprou o terreno ao lado. "Esse cidadão chegou agora querendo bater o terror lá. É uma criatura que até hoje a gente não entende o que ele quer. A gente entende que ele quer tomar a terra, só que ele não vai tomar não", diz Lucineia.
A área que ele está tentando invadir com ameaças e até intimidação armada, segundo a filha do proprietário, tem aproximadamente 1 tarefa, o que em Alagoas corresponde a mais de 3 mil metros quadrados, e fica próxima a um dos braços do rio São Miguel, que cruza a região. Nos últimos anos a família Almeida Izidio vive preocupada e com medo que a situação possa se agravar.
Tanto que a família já registrou dois Boletins de Ocorrência no 101º DP de Maribondo. O BO nº 00021805/2026, de 10/02/2026, que relata provocações com som alto e o BO nº 00043866/2026, de 24/03/2026, que detalha ameaças relacionadas à derrubada de cerca que divide as propriedades e menção a arma de fogo.
Lucineia relata ainda que foi intimidada duas vezes enquanto estava em um rio na propriedade. "Ele foi lá me intimidar com revólver na cintura, com a pistola na cintura", conta. Depois dessa ocorrência, a PM realizou diligências na região e equipes da Polícia Civil foram até a casa do suspeito e ele fugiu por área de mata, segundo relatos.
Depois disso, na tarde do último dia 28 de maio, o irmão de Lucineia, José Izidio da Silva, teria sido agredido com um tapa pelas costas durante uma festa de aniversário. "Ele veio por trás do meu irmão e deu um tapa. Na hora o pessoal segurou meu irmão. Aí ele disse que Mata Verde estava pequena demais para ele e para nós", relata.
A família diz ter um vídeo gravado no dia 9 de abril deste ano, pelo irmão de Lucineia. Segundo ela, a gravação mostra o homem um dia após ter sido liberado mediante fiança por porte de arma. "No outro dia ele passou de carro com intenção de cometer um atropelamento. Ele está cheio de má intenção, ninguém sabe o que ele quer", afirma Lucineia. O vídeo foi preservado e será entregue às autoridades.
Durante a semana, após nova ameaça, a família registrou denúncia e acompanhou a Polícia Militar até endereços ligados ao suspeito. De acordo com Lucineia, os policiais foram à casa do homem, à casa da sogra e depois a uma área de pedreiras onde ele trabalharia.
"Quando ele avistou a viatura, saiu na carreira. Os policiais viram. Estava de roupa amarela, chapéu amarelo. Saiu correndo por dentro do mato que não tinha quem pegasse", relata. Lucineia afirma que estava dentro da viatura mostrando o local e também presenciou a fuga. Trabalhadores da cooperativa de Pedreiras teriam confirmado que ele correu ao ver a polícia.
A família tentava realizar um "TCO" – Procedimento de Constatação de Ocorrência – mas a ação depende da localização do investigado. "A gente foi na casa dele junto com a polícia depois da denúncia, mas ele não estava", diz.
Além disso, segundo a família, o invasor fica provocando com som alto na praça em frente a casa do proprietário, com bebedeiras e insultos, o que aumenta a sensação de insegurança não somente para a família, mas para a comunidade do Povoado Mata Verde.
"A gente é uma família de paz. Nunca teve nenhum tipo de confusão com ninguém, muito menos com vizinho de terra", reforça Lucineia. "A gente pede muito que a Justiça tome providência".
Mais lidas
-
1No domingo (31)
Iphan entrega restauração da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, em Marechal Deodoro
-
2Galo
CRB pode perder atacante Mikael para clube do Japão
-
3Detetive aracnídeo
Cage em Spider-Noir: qual versão assistir, preto e branco ou cores
-
4“Maju”
Aluna de escola pública em Alagoas viraliza pela fluência em inglês
-
5Reunião
CGJ/AL discute políticas de regularização imobiliária com Prefeitura de Maceió



