Polícia
Médica presa por homicídio do ex-marido pode ter prisão relaxada, segundo delegado
Segundo ela, havia duas medidas protetivas em vigor contra Alan e outra contra um primo dele; Relatou também que o ex-marido teria voltado a se aproximar de forma ilegal e que vivia sendo ameaçada
A versão sobre a morte do médico Alan Carlos de Lima Cavalcante, em Arapiraca, deixou de ser linear já no primeiro depoimento. A ex-esposa e autora dos disparos, a médica Nádya Tamires, apresentou à Polícia Civil um pacote de documentos que arrasta o caso para um terreno mais complexo: medidas protetivas, denúncias de estupro de vulnerável contra a própria filha e alegações de descumprimento de ordens judiciais. Segundo o delegado Daniel Scaramello, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), se tudo isso for confirmado, a prisão da médica pode ser relaxada — e o flagrante, considerado ilegal.

O crime ocorreu no povoado Capim, zona rural da cidade, quando Nádya desceu do veículo já armada e atirou várias vezes contra o carro onde o ex-marido estava. Ela deixou o local dirigindo para Maceió, enquanto o Samu constatava a morte de Alan ainda na cena. A Polícia Civil confirmou a prisão logo depois, já na capital.
Ao ser ouvida, a médica disse ter agido para se defender. Segundo ela, havia duas medidas protetivas em vigor contra Alan e outra contra um primo dele. Relatou também que o ex-marido teria voltado a se aproximar de forma ilegal e que vivia sendo ameaçada. Junto com o relato verbal, entregou documentos referentes a uma denúncia de estupro de vulnerável envolvendo a filha do casal — denúncia já judicializada e aceita pela Justiça meses antes, segundo informações de fontes oficiais.
O delegado responsável confirmou que existe, de fato, um procedimento paralelo sobre o suposto abuso sexual. E deixou claro: a DHPP não analisa o mérito dessa denúncia, mas o histórico apresentado pela mulher pode mudar completamente o rumo da investigação. Scaramello afirmou que, se ficar demonstrado que Alan descumpriu medidas protetivas e que a médica reagiu ao que entendeu como ameaça iminente, a prisão pode ser revista. Em suas palavras, se legítima defesa e os fatos apresentados forem comprovados, “o flagrante pode ser relaxado”.
O delegado explicou ainda que circunstâncias moralmente justificáveis — como situações extremas associadas a violência doméstica — podem reduzir a pena entre um sexto e um terço, caso a defesa consiga demonstrar coerência entre os relatos e as provas.
A investigação agora corre em duas frentes: a DHPP apura o homicídio, reconstruindo a cronologia dos disparos, a motivação e a dinâmica do ataque; enquanto outra unidade policial trata da denúncia de estupro que, por ora, paira como uma sombra decisiva sobre a compreensão da relação entre vítima e autora.
O que parecia inicialmente um homicídio direto ganhou contornos de caso sensível, onde antecedentes, medidas protetivas, denúncias anteriores e possível violência estrutural pesam na balança. Até que as apurações avancem, a prisão de Nádya permanece válida — mas, como ressaltou o delegado, pode não permanecer assim por muito tempo.
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