Polícia

Após 10 meses, polícia prende suspeito da morte de Mônica Cristina ocorrida em São José da Tapera

Vítima foi morta a tiros pelo ex-marido, Leandro Pinheiro, após um discussão durante um festejo na cidade

Por Lucas França 04/04/2024 13h04 - Atualizado em 04/04/2024 20h05
Após 10 meses, polícia prende suspeito da morte de Mônica Cristina ocorrida em São José da Tapera
Leandro Pinheiro Barros e sua vítima, Mônica Cristina - Foto: Reprodução

A Polícia Civil, por meio da Diretoria de Inteligência Policial (Dinpol), sob o comando do delegado Thales Araújo, prendeu o acusado do crime de feminicídio, ocorrido em 18 de junho de 2023, na cidade de São José da Tapera, interior de Alagoas, que teve como vítima Mônica Cristina Gomes Cavalcante Alves, 26 anos. A prisão de Leandro Pinheiro Barros ocorreu nesta quinta-feira (4), em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia.

O acusado estava foragido desde o dia do crime e a operação de localização e captura o acusado foi um trabalho em conjunto da Diretoria de Inteligência Policial de Alagoas (Dinpol), Agência Brasileira de Inteligência (Abin), da Inteligência da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Centro Regional de Inteligência Antinarcóticos da Polícia Nacional da Bolívia.

Leandro Barros, que é filho de um sargento da Polícia Militar, lotado em Sergipe, matou a esposa a tiros em frente a um fórum municipal na cidade sertaneja. A mulher era servidora pública do município e deixou um casal de filhos pequenos. O assassino é pai das crianças. Ele chegou a mudar o visual para não ser reconhecido e preso. 

Após o feminicídio, Leandro Barros foi visto fugindo em um Jeep em direção a Sergipe, onde mora o pai dele. Leandro iniciou então um plano de fuga que o levou a buscar refúgio na cidade de Santa Cruz de La Sierra, onde já mantinha um relacionamento amoroso com uma estudante de medicina. De acordo com as investigações, o acusado já estava morando há um tempo na cidade boliviana.

O Inquérito Policial que investigou o crime foi conduzido por uma comissão especialmente designada pelo Delegado Geral de Polícia Civil, Gustavo Xavier, composta pelos Delegados Diego Nunes, titular do 38º DP - São José da Tapera, Thales Araújo - DINPOL e Igor Diego Vilela - DRACCO.

Leandro Pinheiro foi preso na Bolívia (Foto: Reprodução)

O CASO

Mônica foi morta em frente a um fórum municipal a tiros, após uma discussão durante uma festa junina no município sertanejo. 

O Instituto Médico Legal foi acionado para fazer o recolhimento do corpo no local e a Polícia Civil realizou diligências para encontrar o homem que matou a ex-mulher. No entanto, ele não foi encontrado. Conforme informações, o suspeito identificado como Leandro Pinheiro Barros é filho de um sargento da Polícia Militar lotado em Sergipe.

A vítima gravou um vídeo, antes de ser morta relatando quem seria autoria e a motivação. No vídeo gravado no local do crime, Mônica aparenta desespero e afirma: "Quem pegar esse celular, eu tô só me defendendo. Ele é abusivo e quer atirar em mim, me defendam".

Ela relatou ainda ter sofrido agressões várias vezes enquanto tinha o relacionamento com o criminoso. "Me agrediu várias vezes fisicamente e psicologicamente. Eu fiz de tudo pra gente ser feliz, mas não deu. Era uma relacionamento extremamente abusivo, me desculpe se alguém tá triste com esse vídeo, mas não fiquem".

A morte de Mônica repercutiu em toda a imprensa alagoana e chocou a cidade de São José da Tapera.

AGRESSÕES

A investigação sobre o assassinato de Mônica Cavalcante revelou que ela aparecia no trabalho com marcas de agressão provocadas pelo marido. "Por meio das oitivas, obtivemos a informação de que a Mônica algumas vezes chegou ao seu local de trabalho apresentando hematomas em virtude das agressões que ela já havia sofrido outras vezes, agressões essas praticadas pelo esposo dela", disse o delegado Diego Nunes.

O delegado afirmou ainda que uma pistola 9 mm de Leandro Barros foi apreendida na casa em que ele morava com a esposa. No local, também foi encontrada uma camisa manchada de sangue.

(Foto: Ascom PC/AL)

"A gente realizou a apreensão de uma arma de fogo que estava no interior da residência do casal, uma pistola 9 milímetros que pertencia ao esposo da Mônica. Encaminhamos essa arma para o Instituto de Criminalística para realização de exame de confronto balístico justamente para que possamos confirmar que foi essa a arma utilizada no crime. Nós também apreendemos a camisa que o autor do crime utilizava quando tirou a vida da Mônica. Essa camisa apresentava grande mancha de sangue e foi encaminhada para o Instituto de Criminalística para realização de exame pericial", contou Nunes.

Na ocasião, o Ministério Público do Estado de Alagoas (MP/AL) denunciou Leandro Pinheiro Barros pelo crime de homicídio triplamente qualificado contra a companheira dele. Ele teve a prisão decretada pela Justiça.

“O acusado praticou feminicídio em desfavor de sua mulher, de forma premeditada, em frente ao fórum da comarca de São José da Tapera, revelando destemor à Justiça e às consequências jurídicas penais”, diz um trecho da ação penal proferida pelo promotor Fábio Bastos Nunes, após receber o inquérito da Polícia Civil.

“O tiro à curta distância, conforme resta evidenciado nos exames periciais, demonstra toda frieza na execução do crime, e denota a periculosidade real do acusado”, enfatizou o promotor.

Na denúncia, o promotor reforçou o pedido. “Frente à imputação ora formulada e em razão da imprescindibilidade da medida, requer que seja decretada a prisão preventiva do denunciado para a garantia da ordem pública e aplicação da lei penal em razão da gravidade em concreto do crime, revelado pelo modus operandi empregado”, argumentou Nunes à época do crime.

(Foto: Ascom PC/AL)