Polícia

12 de novembro de 2019 09:37

AL registra 800 crimes cibernéticos

Ao TH Entrevista, delegado conta que clonagem do número de telefone para cometer fraudes está entre principais delitos

↑ Segundo Thiago Prado, um terço dos crimes cibernéticos cometidos no estado são estelionato e furto: “crimes que trouxeram prejuízos financeiros à vítima” (Foto: Arthur Melo)

O TH Entrevista dessa semana traz como tema o uso crescente das redes sociais para a aplicação de golpes. De acordo com o delegado Thiago Prado, responsável pela Seção de Crimes Cibernéticos, da Divisão Especial de Investigação e Capturas (Deic), da Polícia Civil de Alagoas (PC/AL), já foram registrados no estado aproximadamente 800 crimes desde o início das atividades da especializada.

“Nós temos um número crescente, as pessoas passaram a se comunicar mais pela internet – fazer compras, fazer transações, inclusive financeiras. Ou seja, com isso, os crimes também migraram do ambiente físico para o ambiente virtual. Daí vem o perigo. Em Alagoas temos registrados cerca de 800 crimes nessa modalidade. E um terço deles são crimes de fraudes envolvendo estelionato, furto mediante fraude – crimes que trouxeram prejuízos financeiros a vítima’’, conta o delegado.

Prado diz que um dos principais é a clonagem de WhatsApp, quando logo após a vítima anunciar a venda de produto no comércio eletrônico, o criminoso pega o número e entra em contato com a ela se passando pelo portal eletrônico. “Nessa modalidade, o criminoso consegue o código de verificação do aplicativo, consegue ativar em outro aparelho e recebe todos os contatos que a vítima tem. Daí ele começar a solicitar dinheiro emprestado em toda rede de contato dela. E isso vem trazendo alguns prejuízos para as pessoas’’.

Confira a entrevista completa acesse no link do Youtube:

Segundo o delegado, existem alguns cuidados para se proteger deste tipo de golpes, que são simples e fundamentais. “Não fornecer nunca o código de ativação do WhatsApp via aplicativo de texto, uma vez que o portal de comércio nunca iria pedir isso. Outra dica é ativar a verificação em duas etapas para proteger o aplicativo com duas senhas. Além disso, as pessoas que forem solicitadas para emprestar o dinheiro, não façam. Efetuem uma ligação ou marque um encontro presencial com seu amigou ou familiar que ‘solicitou’ o empréstimo emergencial para ter a certeza que não é um golpe’’, aconselha.

Quem utiliza as redes sociais para realizar essas fraudes acaba cometendo dois tipos de crimes, invasão de dispositivo informático e estelionato. “Pratica a fraude se passando por amigo dessa segunda vítima e aí passa a vir às fraudes’’, disse o delegado, informando que a polícia em tese teria como recuperar o dinheiro. Porém, na prática, o valor é depositado em chamadas contas sangria – ou seja, logo após o deposito, todo dinheiro é retirado da conta em minutos, o criminoso já está aguardando no caixa. “Além disso, as quadrilhas na maioria das vezes são de fora do estado. Então o nosso tempo resposta é limitado’’, complementa Prado.

Ainda de acordo com o delegado, se o criminoso for pego, ele irá responder tanto por invasão de dispositivo pessoal quanto por crime de estelionato. “São condutas diferenciadas por esses dois crimes. Vale fazer o alerta também para os pais. Pois existem muitos casos que os suspeitos acabam utilizando as crianças para conseguir dados de cartões, documentos. Ou seja, evitar dar o celular e números de cartões para terceiros, fazer compras em sites conhecidos entre outros cuidados, na internet. Vale desconfiar sempre’’.

Thiago Prado relembra que recentemente ocorreu um crime bárbaro em Olho d’Água Grande que se iniciou via rede social. “A vítima marcou um encontro com o criminoso e chegando ao local era uma emboscada e acabou sendo assassinado. O ambiente virtual tem fatores positivos, é bom para se comunicar, interagir, mas também é um ambiente perigoso. As pessoas têm que tentar identificar os perfis fakes para não acontecer o pior’’.

 

Fonte: Tribuna Hoje / Lucas França

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