Interior

Seca atinge todo o território de Alagoas e volta a ser grave em parte do estado

Monitor da ANA aponta que a área afetada saltou de 69% para 100% em um mês; avanço da estiagem preocupa municípios e compromete o abastecimento de água

Por Lucas França com Tribuna Hoje com assessoria 21/10/2026 14h14
Seca atinge todo o território de Alagoas e volta a ser grave em parte do estado
Seca no Nordeste - Foto: Adailson Calheiros / Arquivo

Alagoas registrou seca em todo o seu território em setembro, segundo dados do Monitor de Secas, divulgado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O levantamento aponta que a área afetada passou de 69% em agosto para 100% no mês seguinte, um aumento de 31 pontos percentuais.

Além da ampliação da área atingida, o estado voltou a apresentar seca grave. Essa classificação correspondeu a 22% do território alagoano em setembro. Os dados foram publicados no dia 19 de outubro e comparam as condições registradas nos dois meses.

A última vez que o monitoramento havia identificado seca em toda a extensão de Alagoas foi em fevereiro deste ano. Já o quadro atual é considerado o mais severo desde janeiro de 2026, quando a seca grave alcançava 30% do estado.

Municípios alertam para falta de água


A expansão da estiagem tem preocupado a Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), que acompanha os efeitos do fenômeno sobre a população e as administrações municipais.

O vice-presidente da entidade e prefeito de Pão de Açúcar, Jorge Dantas, chamou a atenção para a redução dos níveis dos reservatórios e as dificuldades para garantir o abastecimento das comunidades. Segundo ele, o fornecimento de água por carros-pipa tem gerado despesas elevadas para as prefeituras.

Em setembro, Pão de Açúcar distribuiu 948 carradas de água por meio de caminhões-pipa, custeadas com recursos municipais. O prefeito destacou a importância do serviço para as famílias que enfrentam dificuldades de acesso à água e cobrou apoio de outras esferas de governo.

Alagoas está entre as dez unidades da Federação que registraram seca em 100% de seus territórios em setembro. Na região Nordeste, a mesma situação foi identificada no Maranhão, no Piauí e em Sergipe.

Também apresentaram seca em toda a extensão territorial o Acre, o Amapá, o Distrito Federal, o Espírito Santo, Roraima e Tocantins.

O monitoramento ainda identificou aumento da área afetada pela estiagem em 13 estados e agravamento da intensidade do fenômeno em 14 unidades da Federação.

No Nordeste, a seca alcançou 96% do território em setembro, o maior percentual entre as regiões brasileiras. No cenário nacional, a área afetada passou de 67% para 75% do país.

Enquanto houve intensificação da seca em áreas do Norte e do Nordeste, parte do Centro-Oeste e do Sudeste apresentou melhora nas condições. Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina permaneceram sem registros de seca no período.

A presença de seca em 100% do território alagoano não significa que todo o estado esteja sob seca grave. O indicador aponta que todas as áreas registraram algum grau do fenômeno, com diferentes níveis de intensidade.