Interior

Arapiraca tem 437 crianças sem o nome do pai na certidão de nascimento

Município é um dos maiores sem identificação paterna em Alagoas

Por Davi Salsa 09/08/2026 11h05 - Atualizado em 09/08/2026 11h20
Arapiraca tem 437 crianças sem o nome do pai na certidão de nascimento
Números representam mais de 7% dos registros - Foto: Reprodução

Os números da paternidade no registro civil chamam atenção em Arapiraca.

Dados do Portal da Transparência do Registro Civil mostram que 437 crianças nascidas no município em 2023 foram registradas sem o nome do pai na certidão de nascimento.

No mesmo ano, Arapiraca contabilizou 5.874 nascimentos. Na prática, os 437 registros representam aproximadamente 7,4% do total.

O número coloca Arapiraca entre os municípios alagoanos com maior quantidade de registros sem identificação paterna. No primeiro semestre de 2023, foram 258 casos registrados na cidade, segundo dados da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen).

Mais de 35 mil casos em Alagoas

O cenário municipal faz parte de uma realidade ainda maior em Alagoas. Levantamentos recentes baseados nos registros civis apontam que mais de 35 mil pessoas foram registradas no estado sem o nome do pai desde 2016.

A ausência do nome paterno na certidão não significa necessariamente que a criança não tenha contato com o pai, mas indica que a paternidade não estava reconhecida ou registrada no momento do nascimento.

Em muitos casos, o reconhecimento pode ocorrer posteriormente. O próprio sistema de registro civil permite que a paternidade seja reconhecida depois do nascimento, inclusive por iniciativa voluntária do pai ou a partir da indicação da mãe.

Um número que chama atenção

Em Alagoas, somente em 2023, foram mais de 3,1 mil registros de nascimento sem identificação paterna. Em Arapiraca, foram 437.

Por trás de cada número existe uma história familiar diferente e uma criança que, no momento do registro, teve apenas o nome da mãe incluído na certidão.

Os dados reforçam a importância do reconhecimento da paternidade e do acesso das famílias aos mecanismos disponíveis para garantir à criança o direito à filiação.