Interior

Onça-parda é registrada em Alagoas após 25 anos e reforça importância da preservação ambiental

Espécie ameaçada de extinção foi flagrada em área de Caatinga preservada no Sertão do estado

Por Lucas França com Tribuna Hoje 18/03/2026 10h57 - Atualizado em 18/03/2026 12h01
Onça-parda é registrada em Alagoas após 25 anos e reforça importância da preservação ambiental
O registro foi feito por pesquisadores do Instituto SOS Caatinga em uma área do Sertão alagoano - Foto: Reprodução

Uma onça-parda voltou a ser registrada em Alagoas após um intervalo de 25 anos, reacendendo o debate sobre conservação ambiental no estado. O registro foi feito por pesquisadores do Instituto SOS Caatinga em uma área do Sertão alagoano e confirmado pelo médico veterinário e vice-presidente da organização, Rick Taynor Andrade Vieira.

O último registro do animal havia ocorrido em 2001, na região da Várzea da Marituba, no município de Piaçabuçu. Desta vez, o local exato da nova ocorrência não foi divulgado por questões de segurança, já que a espécie ainda é alvo de caça ilegal na região.

Conhecida também como suçuarana ou puma, a onça-parda pertence à espécie Puma concolor e está classificada como vulnerável ao risco de extinção. A categorização é reconhecida por órgãos ambientais nacionais e também consta na lista estadual mais recente de espécies ameaçadas, divulgada em 2017.

O flagrante ocorreu em uma área considerada bem preservada do bioma Caatinga, onde também foram identificadas outras espécies ameaçadas, como a jaguatirica, o veado-catingueiro e o jacu. Segundo especialistas, a presença da onça-parda é um indicativo positivo da qualidade ambiental da região.

Por ser um predador de topo de cadeia, o animal depende de um ecossistema equilibrado para sobreviver. Isso significa que sua existência está diretamente ligada à presença de outras espécies e à conservação do habitat natural.

De acordo com o pesquisador responsável pela confirmação do registro, o exemplar observado é um macho adulto, que aparenta estar saudável e em bom estado corporal.

Após a identificação, o Instituto SOS Caatinga iniciou articulações com órgãos ambientais para fortalecer ações de proteção na área. Entre as medidas previstas estão atividades de educação ambiental e intensificação da fiscalização para coibir a caça ilegal.

A organização atua no Sertão de Alagoas com projetos voltados à preservação da fauna e flora da Caatinga, em parceria com instituições acadêmicas e órgãos públicos. As iniciativas incluem estudos com diferentes grupos de animais, como anfíbios, répteis, primatas e felinos ameaçados.

Especialistas também destacam a necessidade de atualização das listas de espécies ameaçadas no estado, já que a última revisão foi realizada há quase uma década. A atualização é considerada fundamental para orientar políticas públicas e estratégias de conservação mais eficazes.