Interior

Júri condena mãe e padrasto pelo assassinato do menino Dyllan Taylor em Arapiraca

Padrasto Meydson Alysson Alves da Silva Leão pega mais de 14 anos de prisão, enquanto a mãe, Joyce Silva Soares, foi condenada a mais de 13 anos

Por Ascom MP/AL 17/03/2026 20h23 - Atualizado em 17/03/2026 20h29
Júri condena mãe e padrasto pelo assassinato do menino Dyllan Taylor em Arapiraca
Mãe e padrasto foram condenados - Foto: Reprodução

Um sofrimento inimaginável: uma criança indefesa, sem qualquer possibilidade de pedir socorro, vítima justamente de quem deveria protegê-la. Nesta terça-feira (17), o Ministério Público de Alagoas (MP/AL), representado pelo promotor de Justiça Ivaldo da Silva, atuou no Tribunal do Júri em nome de Dyllan Taylor Soares, de apenas três anos, brutalmente assassinado em Arapiraca pelo padrasto Meydson Alysson Alves da Silva Leão (réu confesso), com a conivência da mãe, Joyce Silva Soares.

Com uma sustentação firme e tecnicamente fundamentada, o Ministério Público convenceu o Conselho de Sentença, que condenou Joyce a 13 anos, cinco meses e 15 dias de prisão, e Meydson a 14 anos e três meses de reclusão. Joyce saiu presa do julgamento, enquanto o padrasto teve mandado de prisão expedido.

Após 10 anos de espera, a sociedade alagoana finalmente viu a punição dos responsáveis por um crime que, à época, causou profunda comoção e indignação. O promotor destacou a dificuldade de atuar em um júri com uma vítima tão vulnerável, mas ressaltou que a narrativa probatória foi decisiva para demonstrar que a morte da criança resultou de agressões reiteradas, intensas e conscientes.

“Com a condenação de ambos os réus, o Tribunal do Júri reafirmou a soberania dos veredictos e a força da prova produzida nos autos. A decisão representa uma resposta firme da Justiça e da sociedade diante de um caso de extrema gravidade, marcado pela vulnerabilidade absoluta da vítima e pela quebra mais severa do dever de cuidado e proteção”, afirmou o promotor Ivaldo da Silva.

Durante a instrução, testemunhas relataram um histórico contínuo de maus-tratos: o menino aparecia frequentemente com hematomas, marcas de agressão e demonstrava medo dos acusados. Houve referência a episódios anteriores de violência, com castigos físicos e sinais de espancamento. Os interrogatórios revelaram contradições e imputações recíprocas, confirmando que ambos tinham pleno conhecimento do sofrimento imposto à criança.

O crime

Segundo os autos, o assassinato ocorreu na madrugada de 21 de janeiro de 2016. Dyllan sofreu sucessivas agressões físicas que culminaram em traumatismo crânio-encefálico e traumatismo abdominal fechado, conforme laudo cadavérico. A perícia apontou morte por ação de instrumento contundente, ou seja, espancamento. O exame revelou hemorragia interna, grande quantidade de sangue nas cavidades craniana e abdominal, lesões renais e intenso comprometimento interno — quadro incompatível com a versão defensiva de queda acidental.