Interior
Mina a céu aberto em Craíbas já atinge mais de 200 metros de profundidade
Especialistas da Universidade Federal de Ouro Preto estão monitorando a região
O município de Craíbas, localizado no Agreste alagoano, possui uma área territorial oficial de 277,617 km², conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Dentro desse território, conforme os mapas do Google Earth, a atividade mineradora ocupa 6,69 km², área que engloba a mina, a barragem de rejeitos e toda a infraestrutura associada ao empreendimento.
Desde o ano de 2021 que a Mineradora Vale Verde (MVV) vem operando a mina a céu aberto e com a planta de processamento de cobre no Povoado Serrote da Laje, retirando o mineral do solo profundo em Craíbas.
A área principal da jazida, segundo dados de satélite, apresenta uma profundidade de mais de 200 metros e dimensões aproximadas de dois quilômetros no sentido norte-sul e um quilômetro no sentido leste-oeste.
As camadas mineralizadas variam significativamente em espessura, podendo alcançar desde poucos metros até cerca de 250 metros, dependendo do setor do depósito.
A mineralização economicamente viável foi identificada até profundidades próximas de 200 metros, limite compatível com operações de lavra superficial.
Em março do ano passado, a empresa foi adquirida pelo grupo chinês Baiyin Nonferrous. O valor do investimento foi de 420 milhões de dólares, o que corresponde a R$ 2,3 bilhões de reais.
A mina tinha reservas iniciais confirmadas de 52,7 milhões de toneladas de minério de cobre, mas esse número pode aumentar significativamente nos próximos anos, com os novos estudos e pesquisas e a possibilidade da descoberta de novas jazidas na região, sobretudo em Arapiraca e no município de Igaci.
Estudos e monitoramento
No início deste mês de fevereiro, a equipe do professor Carlos Henrique Arroyo Ortiz, do Laboratório de Lavra de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), realiza trabalhos de instalação do sismógrafo para detectar vibrações no entorno da Mineradora Vale Verde (MVV).
A instituição foi contratada para avaliar as ações da atividade da empresa e se há relação com as rachaduras em várias residências no entorno da mineradora.
A equipe do professor Carlos Arroyo, que é doutor em Geociências e atua em pesquisas relacionadas à modelagem geoestatística e geometalúrgica de depósitos minerais, definiu esta semana as localidades onde será instalado o equipamento, um sismógrafo de engenharia, da marca Ztex.
O grupo de estudos e pesquisas é formado por profissionais geólogos, geofísicos físicos e engenheiros de mineração.
A estação sismográfica de alto sensor pode registrar níveis de vibração entre 0.0127mm/seg a 250mm/seg.
Segundo apurou a Tribuna, a primeira localidade escolhida é o Sítio Lagoa do Mel, onde o equipamento deverá funcionar por 20 dias.
Em seguida, o sismógrafo será deslocado para as localidades de Torrões e Pau Ferro. Os estudos sismológicos serão financiados pela Mineradora Vale Verde (MVV), após a Justiça Federal ter homologado acordo em setembro do ano passado.
Os trabalhos tiveram início depois que a Defensoria Pública da União (DPU) em Alagoas recomendou estudos técnicos e aparelhamento das Defesas Civis Municipais de Craíbas e Arapiraca, no âmbito da Ação Civil Pública nº 0800795-44.2023.4.05.8001, que tramitou na 8ª Vara Federal de Alagoas.
As explosões semanais, denominadas pela mineradora apenas de “desmontes”, seriam a causa das rachaduras em várias residências.
Em reiteradas notas oficiais, encaminhadas à imprensa, a MVV, sempre que é indagada sobre a relação de suas atividades com os tremores de terra na região, nega qualquer vínculo com os abalos sísmicos e reforça que mantém as melhores práticas de ESG, que consistem em monitoramento ambiental contínuo estando rigorosamente dentro dos padrões exigidos na legislação brasileira e em linha com as melhores práticas internacionais.
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