Interior

Três localidades de Craíbas começam a ser monitoradas por sismógrafo

Por Davi Salsa - Sucursal Arapiraca 11/02/2026 09h02
Três localidades de Craíbas começam a ser monitoradas por sismógrafo
Sismógrafo instalado pela equipe da Ufop irá detectar vibrações no entorno da mineradora Vale Verde - Foto: Tancredo Pereira / Divulgação

Após a apresentação do plano de trabalho, na semana passada, aos moradores da área rural de Craíbas, no Agreste alagoano, a equipe do professor Carlos Henrique Arroyo Ortiz, do Laboratório de Lavra de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), já iniciou a instalação do sismógrafo para detectar vibrações no entorno da Mineradora Vale Verde (MVV).

A instituição foi contratada para avaliar as ações da atividade da empresa e se há relação com as rachaduras em várias residências no entorno da mineradora.

A equipe do professor Carlos Arroyo, que é doutor em Geociências e atua em pesquisas relacionadas à modelagem geoestatística e geometalúrgica de depósitos minerais, definiu esta semana as localidades onde será instalado o equipamento, um sismógrafo de engenharia, da marca Ztex.

O grupo de estudos e pesquisas é formado por profissionais geólogos, geofísicos físicos e engenheiros de mineração. A estação sismográfica de alto sensor pode registrar níveis de vibração entre 0.0127mm/seg a 250mm/seg.

Segundo apurou a Tribuna, a primeira localidade escolhida é o Sítio Lagoa do Mel, onde o equipamento deverá funcionar por 20 dias.

Em seguida, o sismógrafo será deslocado para as localidades de Torrões e Pau Ferro. Os estudos sismológicos serão financiados pela Mineradora Vale Verde (MVV), após a Justiça Federal ter homologado acordo em setembro do ano passado.

Os trabalhos tiveram início depois que a Defensoria Pública da União (DPU) em Alagoas recomendou estudos técnicos e aparelhamento das Defesas Civis Municipais de Craíbas e Arapiraca, no âmbito da Ação Civil Pública nº 0800795-44.2023.4.05.8001, que tramitou na 8ª Vara Federal de Alagoas.

Desde o ano de 2021 que a MVV realiza o trabalho de extração de minério de cobre, ferro e ouro, no Povoado Serrote da Laje e outras áreas rurais do município de Craíbas.

Em março do ano passado, a empresa foi adquirida pelo grupo chinês Baiyn Nonferrous pelo valor de R$ 400 milhões de dólares, o equivalente a R$ 2,3 bilhões de reais.

A mina com lavra a céu aberto tem reservas estimadas em 52,7 milhões de toneladas de minério de cobre, ferro e ouro. O projeto tem previsão de 14 anos de atividades, mas o período de atividades para extração de minérios pode ser ampliado para 20 anos, conforme consta no site da Agência Nacional de Mineração (ANM).

As explosões semanais, denominadas pela mineradora apenas de “desmontes”, seriam a causa das rachaduras em várias residências.

Em reiteradas notas oficiais, encaminhadas à imprensa, a MVV, sempre que é indagada sobre a relação de suas atividades com os tremores de terra na região, nega qualquer vínculo com os abalos sísmicos e reforça que mantém as melhores práticas de ESG, que consistem em monitoramento ambiental contínuo estando rigorosamente dentro dos padrões exigidos na legislação brasileira e em linha com as melhores práticas internacionais.