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Promotor Kleber Valadares analisa obra de Guimarães Rosa e defende que o ser humano pode evoluir
Na avaliação do promotor, a reflexão permanece atual porque desafia visões deterministas sobre a natureza humana
Setenta anos após a publicação de "Grande Sertão: Veredas", uma das mais importantes obras da literatura brasileira, o escritor João Guimarães Rosa continua provocando reflexões profundas sobre a condição humana. É justamente esse olhar sobre as pessoas, seus conflitos e suas possibilidades de transformação que o promotor de Justiça, Kleber Valadares escolheu destacar em seus artigos ao iniciar uma série de textos dedicados ao autor mineiro.
Segundo Valadares, uma das mensagens mais atuais presentes na obra é a compreensão de que ninguém está definitivamente preso às circunstâncias em que vive. Conforme ressaltou, Guimarães Rosa apresenta a ideia de que o ser humano possui a capacidade permanente de evoluir, rever comportamentos e modificar sua trajetória ao longo da vida.
O promotor observou que, mesmo quando indivíduos são criados em contextos semelhantes, recebendo educação, oportunidades e experiências parecidas, é comum que desenvolvam personalidades e atitudes completamente diferentes. Para ele, essa constatação sugere a existência de uma dimensão interna própria de cada pessoa, capaz de influenciar suas escolhas e seu modo de agir.
Ao abordar essa questão, Guimarães Rosa utiliza uma metáfora presente em "Grande Sertão: Veredas" envolvendo a mandioca mansa e a mandioca brava. De acordo com Valadares, o escritor chama a atenção para o fato de que, embora possuam aparência semelhante, uma alimenta e a outra pode matar.
Mais do que uma comparação botânica, a imagem serve para ilustrar as transformações humanas. Conforme pontuou o promotor, Rosa destaca que a mandioca mansa pode, em determinadas circunstâncias, tornar-se brava. Da mesma forma, a mandioca brava também pode, inesperadamente, tornar-se mansa.
"Guimarães Rosa demonstra que o ser humano é mutável e tem o condão de sempre evoluir buscando suas melhores qualidades", afirmou Valadares ao comentar o trecho da obra.
Na avaliação do promotor, a reflexão permanece atual porque desafia visões deterministas sobre a natureza humana. Segundo ele, a mensagem do escritor é clara ao sugerir que ninguém está condenado a permanecer o mesmo durante toda a vida.
A passagem escolhida para inaugurar a série reforça exatamente essa inquietação proposta por Rosa: se até a mandioca pode mudar sua essência, por que o ser humano não poderia transformar-se para melhor?
Sete décadas depois de sua publicação, "Grande Sertão: Veredas" continua oferecendo respostas e, principalmente, perguntas sobre aquilo que somos e aquilo que ainda podemos nos tornar.
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