Educação

Após 16 anos de espera, Aldeia Katokinn recebe nova sede de escola estadual

Por Ana Beatriz Rodrigues / Agência Alagoas 31/01/2026 13h12
Após 16 anos de espera, Aldeia Katokinn recebe nova sede de escola estadual
Unidade entregue em Pariconha na sexta-feira é a 20ª do programa Escola do Coração - Foto: Agência Alagoas


“Enquanto houver raízes e sementes, frutos serão multiplicados”. Esta é a frase estampada na entrada da nova Escola Indígena Professor Juvino Henrique, inaugurada na sexta-feira (30), em Pariconha, pelo governador Paulo Dantas.

Com investimento superior a R$ 4 milhões, a nova unidade representa a resistência do povo Katokinn, que aguardou por 16 anos pela construção da escola. A entrega encerra um ciclo de três grandes inaugurações no município. É a 8ª escola indígena entregue pela atual gestão, consolidando Paulo Dantas como o governador que mais investiu na educação dos povos originários em Alagoas.




“Que momento especial! Como é bom poder estar aqui nesta escola linda, que agora recebe um equipamento maravilhoso. Ele trará uma oferta de ensino com qualidade, dignidade e um futuro extremamente promissor, para que esta comunidade cresça e alcance, cada vez mais, o respeito pelo qual sempre lutamos e preservamos”, destacou a secretária Executiva de Desenvolvimento da Educação e Cooperação com os Municípios, Sueleide Duarte, que, na ocasião, representou a secretária de Estado da Educação, Roseane Vasconcelos.

A construção do equipamento neste território simboliza o respeito à cultura, à história e à identidade dos povos indígenas.


O cacique Daniel Katokinn expressou a felicidade da comunidade ao receber uma estrutura adequada para dar continuidade à resistência de seu povo.

“Como somos uma comunidade urbana, enfrentamos o desafio da concorrência com as escolas municipais e estaduais; as pessoas naturalmente preferem estruturas padronizadas. Nossos alunos são excelentes. Temos jovens que hoje se formam em enfermagem e outras áreas e que estudaram debaixo de pés de juazeiro ou de castanhola. Agora, com essa ampliação, a escola vai valorizar ainda mais o nosso ensino”, relatou Daniel.


O prédio conta com sete salas de aula, ginásio poliesportivo e capacidade para atender até 600 estudantes, substituindo décadas de improviso em salões comunitários e casas adaptadas, e garantindo mais dignidade para a preservação das tradições do povo Katokinn.

Os Katokinn integram o grupo histórico conhecido como povos do sertão nordestino, cuja existência foi invisibilizada por séculos de colonização.

“A educação escolar do povo Katokinn possui uma importância singular e diferenciada. Seu objetivo transcende a preparação para o mercado de trabalho, ao focar na formação de cidadãos comprometidos com a continuidade da nossa cultura e tradição, sempre pautada na valorização dos saberes ancestrais e de nossos anciãos”, pontuou a estudante gremista Jeniffer Ramonielly.



Homenagem

O nome da unidade homenageia o primeiro pajé da comunidade, Juvino Henrique, símbolo da resistência na luta pelo reconhecimento étnico desde a década de 1930.

“Juvino foi um dos primeiros a puxar o nosso Toré. Foi o primeiro pajé da comunidade, vindo de uma linhagem tradicional. Era uma figura extremamente respeitada, não só por nós, mas por toda a região e pelos pariconhenses. Ele se encantou, mas seu nome permanece como um símbolo forte de resistência para o nosso povo”, recordou Daniel.