Educação
Corte de verba no orçamento da Ufal impactará em serviços e na assistência estudantil
Reitor Josealdo Tonholo está preocupado com situação e cobra a recomposição orçamentária deputada Laura Carneiro (PMDB-RJ) foi escolhida relatora do decreto presidencial
O reitor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Josealdo Tonholo, demonstrou grande preocupação com os rumos da instituição neste ano, após o anúncio dos cortes orçamentários às universidades federais, considerando que o orçamento para 2026 está 13% menor em relação ao ano passado.
Josealdo Tonholo adiantou que a Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior) está prevendo uma reunião com o MEC no final do mês de janeiro para tratar do problema com o ministro Camilo Santana, que está devidamente atualizado sobre a situação de cada instituição.
Segundo análise preliminar da Andifes, divulgada em 23 de dezembro, as 69 universidades federais sofreram um corte de R$ 488 milhões. A redução corresponde a 7,05% dos recursos discricionários das instituições, apesar de o MEC ter proposto um aumento de 43% em comparação com 2022.
O reitor disse ainda que a Ufal e as demais universidades vão continuar conversando com o Ministério da Educação (MEC) e com a bancada federal. “Também vamos trabalhar com todas as prefeituras das cidades onde estamos instalados presencialmente, e vamos continuar com a parceria estratégica que temos com o governo do estado de Alagoas”, afirmou, ao confirmar que a articulação é fundamental para avançar:
Segundo ele, os recursos tiveram corte de quase R$ 7 milhões, e isso vai impactar nos contratos de limpeza, segurança, além do forte impacto que teremos na assistência estudantil, com cerca de R$ 600 mil de corte. Começaremos 2026 com um orçamento bastante inferior ao mínimo necessário para fazer a universidade funcionar a contento.
Saímos com uma perda de pelo menos 13% em relação ao ano passado, considerando o corte da Lei Orçamentária Anual -LOA e a perda inflacionária”, reforçou o reitor da Ufal.
Tentando mudar este cenário, os reitores das universidades federais do Nordeste estão unidos lutando pela recomposição orçamentária. Tonholo está neste grupo. Ele se uniu aos demais reitores e reitoras das universidades federais do Nordeste e também assinou nota conjunta que pede a recomposição orçamentária das Instituições Federais de Educação Superior (Ifes) para garantir inclusão e desenvolvimento regional.
“Entendemos que Alagoas e nossos estudantes merecem muito mais do que é possível oferecer com este orçamento, considerando os preceitos de uma universidade contemporânea. por isto reclamamos do exíguo orçamento. Teremos um ano de muitos desafios, mas o que não falta é capacidade de trabalho e resiliência. Vamos mais uma vez nos superar”, adiantou.
O reitor da Ufal explicou que a maior preocupação é em relação aos recursos de manutenção que mantêm o funcionamento regular da Universidade.
Na avaliação do reitor da Ufal, as universidades federais constituem instrumentos estratégicos para o enfrentamento das desigualdades sociais e das assimetrias regionais, bem como para a promoção da inclusão social. Nas últimas décadas, essas instituições passaram por um intenso processo de expansão e interiorização, ampliando de forma significativa o acesso ao ensino superior público, gratuito e de qualidade.
“A expectativa da Ufal era poder contar com o orçamento de 2026 como sendo o orçamento executado no ano de 2025 mais uma suplementação que incluísse parte do passivo demandado para a recomposição orçamentária em relação ao estrangulamento que fomos submetidos desde 2014, além de incluir a inflação do ano passado. Isto porque o orçamento atualmente praticado para as Universidades Federal tem sido cerca de 50% do que foi executado há mais de 10 anos. Para se ter uma ideia, o orçamento de 2025 foi equivalente ao que tivemos em 2009”, comparou.
Josealdo Tonholo reforçou que a Ufal já não é mais uma universidade pequena e vem se empenhando a cada ano para formar bons profissionais e atender as demandas da sociedade, por meio das pesquisas e das ações de extensão.
Esperançoso, Tonholo disse que a universidade vai trabalhar com dificuldades, mas vai sobreviver. “Somos o maior vetor de desenvolvimento do estado de Alagoas! O que não falta é competência e capacidade de trabalho para todo o time da Ufal, estudantes, técnicos e docentes. E a sociedade sabe da nossa importância. Pergunte a quem usa o HU [Hospital Universitário Professor Alberto Antunes]. Nosso HU teve 98% de avaliações excelentes pelos usuários”, destacou.
O reitor da Ufal disse ainda que é triste ver a situação claudicante das universidades federais. “Todas com os mesmos gargalos, com situação orçamentária que difere muito da qualidade do trabalho que apresentamos. Veja como exemplo os excelentes resultados que estamos tendo na área de pesquisa e pós-graduação, com aumento substancial de oferta de cursos e aumento da nota destes cursos junto à Capes. Ou então a abertura de novos cursos que vão fazer a diferença para Alagoas, como a graduação em Inteligência Artificial, que começa no segundo semestre deste ano, com a seleção pelo Enem/Sisu. Isto faz parte do pacote na área de inovação, de uma revolução silenciosa que está acontecendo em Alagoas, a partir da Ufal e seus parceiros”, completou.
Josealdo Tonholo ressaltou, inclusive, o apoio que a Ufal recebeu da bancada federal, com aporte de emendas. “Contamos com apoio de emendas importantíssimas dos deputados e senadores, especialmente do deputado Daniel Barbosa, que sempre nos apoia na manutenção do Campus Arapiraca, do senador Fernando Farias, que apoia toda a estrutura da Ufal no Sertão), do deputado Alfredo Gaspar, que apoia um importante projeto dos estudos sobre a ELA [Esclerose Lateral Amiotrófica], e o deputado Paulão, que apoia as ações culturais da nossa Universidade e é o padrinho do Campus do Sertão. Fora isto, recebemos também o aporte de R$ 6 milhões. A bancada federal é sempre parceira da Ufal, sabe da nossa importância para transformar o estado, por isso está sempre atenta ao que estamos fazendo”, finalizou.
Nota da Andifes
Em nota recente, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) alertou toda a sociedade brasileira para sua profunda preocupação com os cortes promovidos pelo Congresso Nacional no orçamento das universidades federais durante a tramitação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa) de 2026.
Em especial, a manifestação destacou a grave situação do orçamento destinado à Política Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), cujo nível de financiamento compromete diretamente a permanência de estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica nas instituições federais de ensino superior.
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