Educação

Coité do Noia, a "fábrica" alagoana de talentos da Matemática

Nas últimas nove edições da Olimpíada, a Escola Estadual Álvaro Paes teve dez medalhistas

Por Agência Alagoas 22/08/2017 10h56
Coité do Noia, a 'fábrica' alagoana de talentos da Matemática
Reprodução - Foto: Assessoria

Com pouco mais de 11 mil habitantes, a simpática Coité do Noia esconde um segredo: lá, os pequenos são gigantes. Na rede estadual, essa façanha é protagonizada pela Escola Estadual Álvaro Paes que, com pouco mais de seis salas, é a maior vencedora da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) dentre as escolas estaduais. Nas últimas nove edições do evento, a instituição teve dez medalhistas e já almeja aumentar sua coleção de títulos na edição 2017, cujas provas da segunda fase acontecem no dia 16 de setembro, data da emancipação de Alagoas.

Na edição 2016, cuja premiação acontece no dia 23 de agosto, a unidade de ensino teve dois medalhistas de bronze: José Ruan Francisco da Silva e Maria Karla Barbosa, ambos alunos da 2ª série do ensino médio. Oriundos da zona rural do município, os dois jovens têm em comum a paixão pela matemática, o desejo de serem professores da escola no futuro e a determinação para realizar seus sonhos.

“Tenho dois irmãos que abandonaram os estudos em busca de oportunidades de trabalho em São Paulo, mas, eu quero algo diferente para mim. A matemática é a porta do meu futuro”, assegura José  Ruan. Karla, que também tem muitos familiares que partiram para o Sudeste, conta que herdou a paixão pela aritmética do pai. “Mesmo não tendo terminado a 3ª série do fundamental, ele tem uma facilidade incrível para fazer cálculos. Foi com ele que aprendi a amar a matemática”, revela a garota.

Foco nos estudos

José Ruan e Karla são pupilos do professor Josué Lourenço de Alcântara. Com 28 anos de magistério (dos quais 15 na Álvaro Paes), o educador que sonhava com a sala de aula desde criança tem em seu currículo seis medalhistas da Obmep e, para a edição 2017, já conta com 31 estudantes classificados para a segunda fase.

“Acredito que o sucesso de nossa escola na Obmep é consequência do comprometimento de toda a equipe e dos alunos. Para mim, meus alunos são como filhos e este ambiente que temos é muito favorável a estes resultados”, avalia o professor.

A diretora Raquel Porto recorda que, além da Obmep, a unidade de ensino também alcança êxito no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e demais vestibulares, tendo alunos aprovados em cursos como Medicina e Engenharia. “Este ano, tivemos 32 alunos convocados logo na primeira chamada do Sisu. A cada dia, nossos jovens se superam e isto é consequência de um trabalho focado de toda a comunidade escolar” garante.

Cultura

O coordenador da Obmep em Alagoas, o professor Adelailson Peixoto, do Instituto de Matemática da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) atribui os bons resultados a uma cultura  que se instalou no município e que envolve também a Escola Municipal José de Sena Filho, que já teve inclusive medalhistas de ouro.

“A cultura da Obmep se instaurou no município de Coité do Noia há mais de dez anos, quando tivemos o primeiro medalhista, Samuel Rocha, que hoje está concluindo o Mestrado em Matemática. O trabalho de educadores como o professor Adriano Valeriano também ajudou a solidificar esta cultura”, relata.

Adelailson destaca ainda as transformações sociais e educacionais que a Olimpíada propiciou aos medalhistas do município. “Percebemos também que, após a Obmep, Coité do Noia passou a figurar entre os melhores IDEB´s de Alagoas, sendo também um dos municípios com o maior número de estudantes da rede pública aprovados na Ufal. Além disso, as bolsas de iniciação científica  promoveram a inclusão social de jovens que antes ajudavam as famílias nas lavouras de subsistência e passaram a ganhar um benefício para estudar”, informa.

Agreste

Eliete Rocha, titular da 5ª Gerência Regional de Educação (Gere), diz que o Agreste alagoano tem evoluído consideravelmente nos últimos anos na Olimpíada. Dados da organização da Obmep mostram que, na edição 2016 da competição, a região contabilizou 29 medalhistas – alunos de escolas estaduais, municipais e Instituto Federal de Alagoas (Ifal). Em 2011, este número foi de três medalhistas ( 2 de ouro e um de prata), todos alunos da rede municipal e estadual de Coité do Noia.

"Além de Coité do Nóia, Arapiraca, Taquarana, Girau do Ponciano, Limoeiro de Anadia e Lagoa da Canoa, dentre outros municípios da região, tem tido grandes avanços na Obmep. Isso é fruto de um trabalho de formação que a Ufal e a Seduc fizeram na região,bem como pela motivação das escolas junto aos seus alunos para a participação na Olimpíada" , pontua Eliete.