Economia

Empresas enfrentam mais problemas de governança do que de capital, especialista aponta caminhos

Com startups falhando por crescimento prematuro e PMEs fechando em cinco anos, o fundador da Mobiauto, Sant Clair de Castro Jr., detalha como a disciplina corporativa e o Método PIPA podem evitar o colapso na fase de tração

Por Assessoria 02/10/2026 15h32 - Atualizado em 02/10/2026 15h41
Empresas enfrentam mais problemas de governança do que de capital, especialista aponta caminhos
Sant Clair de Castro Jr., autor do livro “O Voo do Empreendedor” - Foto: Assessoria

O choque entre a velocidade exigida pelo ecossistema de inovação e a disciplina do ambiente corporativo tradicional tem sido o principal divisor de águas para a sobrevivência de novos negócios no Brasil. Segundo dados do Startup Genome Report 2026, cerca de 74% das startups de tecnologia fecham as portas devido à "escala prematura", cenário em que a operação tenta acelerar vendas e equipe sem ter processos e governança consolidados.

A análise de mercado mostra que o insucesso de empreendimentos promissores raramente decorre da ausência de boas ideias ou da falta de aportes iniciais. O verdadeiro gargalo surge quando a empresa ganha tração e precisa gerenciar a crescente complexidade operacional sem perder o controle de margem e qualidade.
Para Sant Clair de Castro Jr., fundador da Mobiauto e autor do livro ’O Voo do Empreendedor’, o grande erro de muitas empresas que estão em crescimento é a ausência de estratégias que alinham as expectativas de tração comercial com a real capacidade de produção, entrega e operacionalidade de seus funcionários.
"Existe um mito de que a velocidade de execução justifica a ausência de processos. 

Na prática, a intuição e o apetite ao risco do fundador são suficientes para colocar o negócio no ar, mas é a estrutura de governança que o mantém viável quando a pressão aumenta. Sem rituais claros de gestão, o ganho de escala vira sinônimo de caos", alerta o autor do livro e especialista.

O diagnóstico é comprovado por dados da consultoria CB Insights. Embora o esgotamento do caixa seja apontado como o principal motivo do encerramento de 38% das empresas, as causas raízes revelam falhas de planejamento bem anteriores, onde 35% das startups falham por lançar produtos sem necessidade real de mercado, enquanto a má formação de equipes e a ausência de controles operacionais básicos minam a saúde financeira do negócio antes mesmo da fase de maturidade.
Governança prática como antídoto para o colapso precoce

Para contrapor estatísticas nacionais como as do Sebrae e do IBGE, que apontam que mais de 50% das pequenas e médias empresas brasileiras encerram suas atividades antes de completar cinco anos, Sant Clair utilizou sua própria vivência no mercado.

Após consolidar uma carreira executiva como diretor do Itaú Unibanco, ele deixou o ambiente corporativo tradicional para fundar e liderar a Mobiauto. Como CEO, viveu na pele as dores reais do ecossistema: o gerenciamento da taxa de queima de caixa (burn rate), a atração de talentos e a necessidade de estruturar processos sem engessar a inovação.

A partir dessas dores reais e dos ajustes de rota na construção de uma das maiores autotechs do país, o executivo desenvolveu o Método PIPA (Preparar, Impulsionar, Proteger e Aprimorar). O framework foi desenhado para preencher a lacuna entre manuais teóricos de administração e a volatilidade da nova economia, estruturando a escala em quatro etapas:
Preparar: Validar rigorosamente a dor do cliente e as premissas financeiras do modelo de negócio antes de realizar grandes aportes de capital;
Impulsionar: Executar estratégias de go-to-market e tração comercial alinhadas à capacidade real de entrega e atendimento da equipe;

Proteger: Implementar rituais de governança corporativa, gestão de riscos de caixa e fortalecimento de uma cultura organizacional autônoma;

Aprimorar: Monitorar sistematicamente indicadores de desempenho (KPIs) para garantir eficiência operacional e perenidade ao negócio.

"O ecossistema de negócios brasileiro precisa de métodos práticos e aplicáveis. A consolidação de uma empresa longa exige equilibrar a ousadia da inovação com a rigidez do controle financeiro. Os fundadores que incorporam métodos sólidos de gestão deixam de ser reféns da sorte e passam a construir negócios preparados para crescer com estabilidade", conclui o autor.

Através do ‘O Voo do Empreendedor’, o autor consolida um mapa prático de navegação para fundadores, executivos e lideranças em fase de expansão. Ao traduzir a vivência de quem esteve à frente de grandes corporações e no comando da escala de uma autotech, a obra surge como uma ferramenta estratégica para quem busca profissionalizar a gestão, proteger o patrimônio e garantir que o crescimento do negócio ocorra sobre bases sólidas e perenes.

Sobre o autor
Sant Clair de Castro Jr. é graduado em Economia e mestre em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP), com especialização em Marketing pela Columbia University e MBA Executivo pelo Insper. Ao longo da carreira, realizou capacitações nos polos de inovação do Vale do Silício, incluindo Google, Salesforce, Oracle e Stanford.

Como executivo, possui trajetória de sucesso no Itaú Unibanco. Como empreendedor, fundou e liderou a Mobiauto, criando um dos ecossistemas de tecnologia mais inovadores do setor automotivo no Brasil, operação na qual é sócio do BTG. Atualmente, empreende em outras cinco empresas de diferentes setores da economia.
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