Economia
Estudo da FIEA revela força da Economia do Mar em Alagoas
A economia do mar já é uma das principais engrenagens da atividade econômica em Alagoas, mas ainda guarda amplo potencial para expansão e diversificação. A conclusão faz parte de um estudo apresentado pela Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (FIEA) durante o “Seminário sobre Economia do Mar em Alagoas”, realizado na manhã desta segunda-feira (8), no auditório da Capitania dos Portos, no bairro de Jaraguá, em Maceió.
O encontro integrou as celebrações do Dia Mundial dos Oceanos, comemorado em 8 de junho, e também a programação do Mês da Marinha, cuja principal data é o Dia da Marinha, celebrado em 11 de junho. A iniciativa reuniu representantes do setor produtivo, da academia e do poder público para discutir caminhos para o desenvolvimento sustentável da chamada economia azul em Alagoas.
Elaborado pelo Observatório da Indústria da FIEA, o levantamento traçou um panorama inédito dos segmentos econômicos ligados ao mar no estado, analisando empresas, empregos, comércio exterior e atividades produtivas associadas à faixa costeira alagoana. O estudo identificou 24,7 mil empresas ativas relacionadas à Economia do Mar e um estoque de 24,7 mil empregos formais. Mais de 92% dessas empresas estão concentradas no segmento de Serviços do Mar, evidenciando o peso do turismo na estrutura econômica do setor.

A pesquisa também mostra que Alagoas possui 16 municípios litorâneos, onde vivem mais de 1,27 milhão de pessoas – cerca de 40,7% da população estadual. Além disso, Maceió, Marechal Deodoro e Coruripe figuram entre as cinco maiores economias do estado em termos de Produto Interno Bruto (PIB).
Responsável pela apresentação do estudo, a analista do Observatório da Indústria da FIEA, Claudia Beatriz Lopes Almeida, destacou que o levantamento amplia a compreensão sobre um setor frequentemente associado apenas ao turismo. “A Economia do Mar é muito mais ampla do que a atividade turística. O estudo mostra que ela engloba serviços, transporte, manufaturas, pesca, energia e defesa. Estamos falando de uma cadeia econômica estratégica para Alagoas, responsável por milhares de empresas e empregos, além de ser fundamental para a movimentação econômica dos municípios costeiros e para o comércio exterior do estado”, afirmou.
Segundo ela, os números revelam não apenas a importância atual do setor, mas também oportunidades para ampliar sua participação na economia alagoana. “Os dados mostram uma forte concentração das atividades em serviços ligados ao turismo, o que confirma uma vocação natural de Alagoas. Ao mesmo tempo, identificamos espaço para novos investimentos em áreas como manutenção de embarcações, processamento de frutos do mar, qualificação profissional, inovação tecnológica, biotecnologia marinha e energias associadas ao ambiente costeiro. O estudo oferece uma base para que políticas públicas e investimentos privados possam atuar de forma mais estratégica”, ressaltou.

Turismo lidera a Economia do Mar
O levantamento aponta que os Serviços do Mar são o principal motor da economia marítima alagoana. Maragogi aparece como destaque na distribuição geográfica das empresas do segmento, concentrando cerca de 6,9% dos empreendimentos ligados à Economia do Mar. Entre as principais atividades estão alimentação e bebidas (79%), agências de viagens (14%) e hotéis (6,6%). A expectativa é de que Alagoas receba 16 novos hotéis até 2026, impulsionada por investimentos privados no setor turístico.
A pesquisa também registra os impactos da pandemia sobre o mercado de trabalho. Entre 2019 e 2020, houve redução de 12,2% nos empregos do segmento, que posteriormente retomou sua trajetória de crescimento. Atualmente, cerca de 75% dos trabalhadores possuem ensino médio completo.
Outro destaque é a relevância histórica e econômica do Porto de Jaraguá. O estudo lembra que a estrutura foi fundamental para o desenvolvimento urbano de Maceió e atualmente movimenta cerca de 1,7 milhão de toneladas de cargas por ano, além de receber aproximadamente 8 mil passageiros de cruzeiros marítimos.

Mar domina comércio exterior do estado
Os números apresentados pela FIEA também reforçam a importância logística da atividade marítima. Atualmente, 92% das importações e 99,8% das exportações de Alagoas são realizadas por via marítima, consolidando o mar como principal corredor de comércio internacional do estado.
Entre os produtos mais exportados estão açúcares e produtos de confeitaria, minérios e tabaco. Além dos serviços e do transporte, o estudo identifica potencial de crescimento em segmentos como a pesca e a carcinicultura, com destaque para a produção de camarão, a manufatura naval, a cadeia energética e as atividades ligadas à defesa marítima.
Nas conclusões, o Observatório da Indústria aponta oportunidades concretas para atração de investimentos em manutenção de embarcações, processamento de frutos do mar e capacitação de mão de obra especializada.
Debate sobre vocação marítima
Promovido pela Capitania dos Portos de Alagoas, em parceria com a FIEA, o Porto de Maceió, o Planejamento Espacial Marinho (PEM) e outras instituições parceiras, o seminário reuniu especialistas para discutir o potencial econômico do litoral alagoano.
O capitão dos Portos de Alagoas, capitão de fragata Rodrigo Garcia, destacou que a realização do evento no Dia Mundial dos Oceanos reforça a importância de ampliar o debate sobre o tema. “Alagoas tem um potencial enorme para a economia do mar. Nós temos o turismo, o turismo náutico, a pesca, a aquicultura, o transporte marítimo. A ideia desse seminário é debater as várias potencialidades que Alagoas tem para o desenvolvimento da economia do mar”, afirmou.

Segundo ele, o encontro foi concebido dentro do conceito da tríplice hélice, reunindo academia, setor produtivo e governo. “Quando a gente consegue reunir a comunidade acadêmica, o setor produtivo e o setor governamental, conseguimos desenvolver melhor as oportunidades para a economia do mar aqui em Alagoas.”
Garcia ressaltou ainda que a discussão faz parte das ações do Mês da Marinha, celebrado em junho. “Alagoas é um estado com uma vocação marítima inquestionável. Este tipo de evento promove temas estratégicos que envolvem todo o estado. É um assunto transversal, que interessa à sociedade como um todo. Temos muito orgulho de estar sediando e fomentando esse debate justamente no Dia Mundial dos Oceanos e dentro da programação do Mês da Marinha”, declarou.
Além da apresentação da FIEA, a programação contou com a palestra “A contribuição da Marinha do Brasil para a Economia do Mar em Alagoas”, ministrada por Rodrigo Garcia; “Planejamento Espacial Marinho no Nordeste: uma construção coletiva junto à sociedade”, apresentada pela professora Nídia Noemi Fabré; “Porto de Maceió e a Economia do Mar”, conduzida pelo administrador do Porto de Maceió, Diogo Holanda Pinheiro; e “Socioeconomia da pesca artesanal: cultura marinha, bem-estar social e conservação ambiental em diálogo”, apresentada por Vandick da Silva Batista, coordenador do Caderno de Pesca Artesanal do PEM Nordeste. O evento foi encerrado com um debate entre palestrantes e participantes.
Mais lidas
-
1Veja vídeo
São João de Maceió terá 20 dias de programação e movimentará R$ 350 milhões
-
2Maceió
Encostas da Grota da Macaxeira e João Sampaio são entregues e ampliam proteção em áreas de risco
-
3Maceió
Investimentos da Prefeitura estão concentrados na parte alta da cidade
-
4Aldeia Nova Esperança
Indígenas Katokinn cobram acesso à saúde em Pariconha
-
54 a 8 de junho
Confira aqui a Publicidade Legal do jornal Tribuna Independente de quinta a segunda-feira





