Economia

Expectativa de juros menores impulsiona investimentos em 2026, apesar das incertezas eleitorais

Bolsa segue atrativa, renda fixa entra em transição e diversificação em ativos internacionais ganham protagonismo no mercado

Por Assessoria 23/01/2026 09h53
Expectativa de juros menores impulsiona investimentos em 2026, apesar das incertezas eleitorais
Sócio-fundador da Fatto Capital, Paulo Soprana - Foto: Divulgação

Após um 2025 de recordes da bolsa de valores mesmo em meio a um cenário de juros altos, o ano de 2026 reserva expectativas de cortes da Selic já no primeiro semestre. Apesar do Banco Central ter se mantido cauteloso quanto a queda de juros, o consenso do mercado financeiro espera que a taxa feche o ano a 12,25%, representando uma retração de 2,75 ponto percentual em relação ao patamar atual, significando boas oportunidades para o mercado dos investimentos.

Com esse cenário, e considerando também que 2026 será um ano eleitoral, algumas oportunidades se destacam mais para quem tem interesse em investir. A bolsa de valores segue atrativa e com múltiplos descontados, já que o Ibovespa passou boa parte do ano em trajetória de alta, renovando recordes históricos e superando os 164 mil pontos pela primeira vez. Segundo o assessor de investimentos da Fatto Capital, Paulo Soprana, a estratégia recomendada foca em empresas de alta qualidade, com balanços sólidos e baixa alavancagem.

“Quando se tem um cenário da taxa Selic caindo, há um desafogo no caixa das empresas. As do ramo do varejo são as mais beneficiadas com essa redução de taxas de juros, porque mais gente estará tendo acesso a crédito e conseguirá comprar mais. Empresas de construção civil também voltam a financiar apartamentos com juros mais baratos. O ouro, por exemplo, é um ativo de proteção, casos recentes como o de Trump invadindo a Venezuela geram tensões e é comum a compra de ouro para se proteger, já que é um ativo que tende a subir de valor nessas situações”, explica.

O ano eleitoral também traz algumas desconfianças e é preciso estar atento às estratégias adotadas para manter o patrimônio durante esse período. “Esse ano em particular tem as eleições e isso vai gerar muita volatilidade no mercado de ações, o câmbio principalmente, com o dólar e o euro podendo ficar mais caro ou mais barato. Por isso tentamos sempre indicar para o cliente como se proteger nesse cenário, não só para ganhar dinheiro. Por isso vale a pena colocar 10% de patrimônio em uma conta fora do país para evitar que aqui o dólar dispare por qualquer motivo e o patrimônio tenha uma corrosão de poder de compra”, orienta o assessor.

Com a recomendação de uma alocação internacional nessa modalidade de investimentos, os títulos do Tesouro americano são vistos como um ativo de referência no cenário global, combinando segurança com taxas historicamente elevadas. Os títulos atrelados ao CDI ou à Selic seguem como base da carteira, especialmente para reserva de emergência e gestão de caixa.

Para a renda fixa em 2026, é projetado um cenário de transição, dado que o início do ciclo de queda da Selic tende a abrir oportunidades para travar rentabilidades elevadas, mas o ambiente ainda exige cautela diante das incertezas fiscais e do contexto eleitoral.

Outro ponto a se destacar é a novidade da isenção de imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais. Com dinheiro sobrando, essa fatia da sociedade pode utilizar dos investimentos para render um patrimônio que antes era descontado. “Nada mais justo que se organizar para pegar esse montante e colocar em uma aplicação financeira. Daqui a alguns anos essa reserva que está sendo construída vai gerar para esse investidor quase que um décimo terceiro salário, vai ajudar em uma emergência que possa surgir, uma viagem ou até na compra de um carro”, salienta Paulo Soprana.

O que vemos, no entanto, é que o brasileiro tem um orçamento meio apertado, mas quando se tem uma sobra de dinheiro costuma-se gastar. O especialista aponta a falta de educação financeira da sociedade e a desconfiança pelo mercado de ações para esse padrão visto no país.

“Quando se fala de ativo de risco e bolsa de valores não se sabe quanto vai receber no final do ano após uma aplicação e isso gera um pouco de desconforto para o investidor. Como é uma economia muito cíclica, pode ser que alguma ação caia e depois retome, mas o brasileiro não tem essa paciência para aguardar. Por isso, o importante é conhecer um pouco mais sobre o mercado, entender qual é o perfil mais adequado e contar com alguém de confiança para dar umas dicas, sugestões e analisar a carteira”, sugere o assessor de investimentos.

Para começar nesse mundo, o especialista da Fatto Capital conta que é preciso entender a realidade do cliente e seu orçamento familiar. “Caso ele não tenha uma reserva, pode não ser interessante um investimento a longo prazo, já que ele pode vir a precisar desse patrimônio. É feito um planejamento financeiro adequado, indicando quanto se tem que aportar por mês para atingir os objetivos. E para quem está começando, hoje se tem ativos no tesouro direto com um investimento de valor mínimo de 50 reais, se tem CDBs de bancos a partir desse mesmo valor, fundos de investimento no tesouro direto, atualmente a melhor forma do investidor começar a rentabilizar. O melhor momento para se investir foi ontem, o segundo é hoje e por isso recomendo a todos que comecem o quanto antes”, finaliza Paulo.