Economia

15 de janeiro de 2021 08:57

Mercado imobiliário em Alagoas cresce 8,4% na pandemia

Para Ademi, maior preocupação é o aumento no preço dos materiais de construção

↑ Mesmo com alta dos preços, meses atípicos não afetaram setor imobiliário (Foto: Edilson Omena)

A pandemia trouxe estagnação para muitos setores da economia mundial. Muito se falou durante todo o ano de 2020, que o setor de supermercados, foi um dos que não sofreram com a crise do novo coronavírus (Covid-19). Os meses atípicos também não afetaram o setor imobiliário, apesar da alta nos preços dos imóveis e dos materiais de construção.

E na prática foi assim mesmo. Em Alagoas, Jubson Uchôa, presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Alagoas (Ademi-AL), destacou que apesar da pandemia o setor teve um bom ano, com aumento significativo de vendas, na casa dos 8,4% em comparação com 2019.

“O aumento dos materiais de construção tem sido a maior preocupação do setor. Em alguns casos tivemos mais de 70% de aumento. Com a baixa produção da indústria, seja pela diminuição de jornada de trabalho ou demissão, houve acúmulo de pedidos e causou falta de diversos insumos, trazendo prejuízo na produtividade dos serviços”, explicou o presidente da Ademi. “A verdade é que não se esperava uma reação tão rápida do setor da construção”, frisou.

De acordo com Jubson Uchôa, o aumento do preço dos imóveis é inevitável, por conta do aumento dos materiais de construção e do salário mínimo, junto com uma defasagem de anos, por isso, segundo ele, haverá um realinhamento natural.

Uchôa destacou ainda que em 2020 houve um aumento nas vendas de 8,4% a mais que em 2019 e houve quedas nos lançamentos. “Quem quiser um imóvel deve procurar logo”, finalizou.

De acordo com o corretor de imóveis da MRV, Manoel Vitor Paulino, apesar da crise que se desencadeou por conta da pandemia, em 2020 foram alcançados marcos inesperados. “Superamos o VGV (valor geral de vendas) de 2019, tivemos dois lançamentos de sucesso com novos empreendimentos, aqui em Maceió, que atraíram um público que já estava na expectativa por esses produtos, e que mesmo com os receios da crise, investiram em nossos imóveis pela confiança e credibilidade que conquistamos no mercado imobiliário”, enfatizou.

Ainda conforme o corretor, outro fator relevante é que a empresa já estava se preparando para as inovações que seriam necessárias implantar para não sofrer impactos maiores da pandemia. “Então aderimos ao contrato digital, onde otimizou bastante o processo de compra, adotamos o estilo home office com uma estrutura de qualidade e todo o apoio necessário da empresa para atendermos o cliente com a mesma excelência do presencial, e isso foi decisivo para que os processos não parassem no meio do caminho”, considerou.

Manoel Vitor Paulino resumiu o ano de 2020, como desafiador, mas superou as expectativas. “Fizemos inovações e nos preparamos para a crise. Acredito que esse foi o diferencial”, finalizou.

Rita Almeida sempre teve o desejo de morar perto do trabalho por conta dos congestionamentos no trânsito, mas essa inspiração deu lugar ao sonho real de viver numa casa maior, com quintal, podendo até ser em outra cidade, sem precisar dar adeus ao emprego. “O trabalho home office possibilitou esse anseio, consegui alugar um imóvel na Barra de São Miguel e pretendo comprar um terreno no Litoral Sul. Já tenho um em Marechal Deodoro também, que comecei a construir, vi que é possível trabalhar de casa num local maior e com mais tranquilidade em relação ao trânsito de Maceió.”

Poliana Monteiro também pretende se mudar porque tem criança e atualmente trabalha em casa. No entanto, pondera que no momento não está em condições financeiras de procurar um espaço maior para a família. “Mas é o meu sonho, realmente sair do apartamento que se tornou apertado com a chegada da pandemia e termos que a partir de então trabalhar de casa”, mencionou.

Imóveis em Maceió estarão entre mais procurados no mundo pós-pandemia

 

Maceió tem tudo para ser um dos mercados imobiliários mais disputados no cenário pós-Covid-19. A afirmação foi feita pelo economista Ricardo Amorim durante o encontro de lançamento do movimento “Imóvel é + Negócio”, uma iniciativa da Ademi-AL.

Baseia-se na seguinte análise de comportamento do consumidor: com a tendência de consolidação do trabalho em home office já anunciada por várias empresas, é quase certo que muitas pessoas perceberão a possibilidade de deixar os grandes centros urbanos em busca de mais qualidade de vida.

Nesse contexto, a capital alagoana – que em 2019 já havia sido incluída em um ranking da revista Forbes como uma das quatro melhores cidades do mundo para comprar um imóvel – reúne, com suas belezas naturais e estrutura urbana, as condições ideais para se transformar num dos destinos favoritos dos investidores tanto para moradia quanto para segunda residência.

“O período de isolamento social imposto pela pandemia já está moldando novos valores percebidos como importantes na hora de escolher um imóvel para morar”, afirmou Jubson Uchôa, presidente da Ademi-AL. “Hoje, por exemplo, as pessoas estão muito mais atentas a características como varanda, ventilação, privacidade e localização”, completou.

Para detalhar ainda mais as tendências do mercado imobiliário no mundo pós-pandemia, o movimento “Imóvel é + Negócio” promoveu em julho do ano passado, um encontro online com Danilo Igliori, economista chefe do Grupo Zap, uma das principais referências nacionais do segmento. PhD em Economia pela Universidade de Cambridge e ex-Economista Sênior do BTG Pactual, Danilo falou sobre o novo conceito de cidade e suas novas formas de organização.

Para Jubson Uchôa foi, sem dúvida, uma grande oportunidade de adquirir uma visão mais ampla dos fatores que influenciam atualmente o mercado imobiliário para aproveitar, de forma ainda mais estratégica, o momento favorável para o investimento em imóveis, com baixa taxa de juros e oportunidades de financiamento.

Fonte: Tribuna Independente / Ana Paula Omena

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