Economia

6 de maio de 2020 08:03

Carta do trade turístico nacional repercute entre empresários do setor em Alagoas

Documento pede imediata liberação de linhas de créditos e criação de estímulos fiscais para encurtar ao máximo a etapa de recuperação do setor

↑ São Miguel dos Milagres, a famosa capital da Rota Ecológica, é a nova pérola do turismo alagoano que une praias lindas e rede hoteleira (Foto: Luiz Eduardo Vaz / Sedetur)

Uma carta aberta enviada pelas oito maiores entidades do turismo nacional ao Governo Federal, com uma série de reivindicações tem repercutido muito entre os empresários do setor em Alagoas. A carta, assinada pelos diretores e presidentes da Associação Brasileira de Resorts, Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil, Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação, Sistema Integrado de Parques e Atrações Turísticas, Associação das Empresas de Parques de Diversões do Brasil, União Nacional de CVBx e Entidades de Destinos e Brazilian Luxury Travel Association, pede imediata liberação de linhas de créditos e criação de estímulos fiscais para encurtar ao máximo a etapa de recuperação do setor.

A carta começa dizendo: “É possível trazer muitas provocações a respeito das consequências da não sobrevivência do setor. Mas, talvez, a mais importante indagação em um país continental e diverso como o Brasil é: qual seria o setor econômico substituto do turismo capaz de gerar o efeito multiplicador e descentralizado para a economia? O Governo Federal trouxe soluções importantes para uma fase de contenção dos efeitos negativos da pandemia e vários setores produtivos foram contemplados por meio da MP 936. No entanto sabemos que há setores que, mesmo impactados, ainda continuam produzindo. Esse não é o caso do turismo”.

“Essa indústria foi a primeira e será a última a retomar sua normalidade. No Brasil, até o momento, já computamos R$ 14 bilhões de prejuízos no setor desde o início da crise, 295 mil demissões, impactando 571 atividades econômicas dependentes do segmento de viagens. O efeito dominó diante da paralisação da atividade turística de lazer e de negócios pode levar à falência não apenas de empresas, mas também de inúmeros municípios espalhados pelas cinco regiões do país que tem suas atividades diretamente ligadas ao setor´´.

Para os executivos dessas entidades, essas medidas foram cruciais, mas não serão suficientes. ´´É o momento do Governo Federal dar prioridade para o turismo, onde o motor da atividade: resorts, hotéis e parques, necessitam de um auxílio adicional para sobreviverem. Já estão na UTI! Precisam de “respiradores” e um remédio de uso contínuo por 03 anos para conseguir sua alta, ou seja, recuperação completa´´.

Toni Sando, da Unedestinos, que participou de uma “live” duas semanas atrás promovida pelo Costa dos Corais Convention, afirmou que “a solução para uma possível retomada da recuperação depende de três situações, sendo que a primeira é a prorrogação da suspensão do contrato de trabalho (MP 936) para o turismo. Depois será necessária a liberação imediata de crédito para pequenas, médias e grandes empresas do setor e, por fim a criação de estímulos fiscais para encurtar ao máximo a etapa de recuperação do setor”.

O empresário alagoano Márcio Coelho, um dos principais hoteleiros de Alagoas, com uma rede de cinco hotéis, afirmou que as medidas são importantes e que podem realmente salvar a atividade turística. “Mais do que salvar 8,1 % do PIB nacional é vital salvar toda a cadeia de empregos, diretos, indiretos, formais e informais, que atuam em todo setor do turismo no Brasil´. Já o empresário José Veloso, da Amitus, que é a Associação Milagrense de Turismo Sustentável, mesmo sabendo que o setor será o último a se recuperar, acredita que a atividade turística possa voltar com força já em setembro, com um fluxo muito maior de brasileiros fazendo turismo interno, o que ajuda na recuperação econômica.

Já o pousadeiro Nilo Bulgarelli, da Pousada do Toque, em São Miguel dos Milagres, que pretende retornar as atividades no início de junho como uma fase experimental, acredita que qualquer ação em prol da atividade pode realmente salvar o turismo de uma crise bem maior. “Todas essas ações são bem vindas. Mas a principal é saber quando é que poderemos voltar à normalidade, pois só assim daremos significado a nossa atividade, trabalhando, gerando empregos, recursos e impostos”.

Fonte: Tribuna Independente / Claudio Bulgarelli

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