Ciência e Tecnologia
Praias alagoanas são severamente atingidas por marés altas
Nas últimas semanas foram três praias
Nas últimas semanas, três casos de avanço do mar avançando sobre áreas recreativas de praias alagoanas, destruindo casas e engolindo carros, segundo o engenheiro Marco Lyra, um dos maiores especialistas de recuperação de praias do Brasil, é uma tragédia anunciada, já que ele vem defendendo que é preciso mudar urgentemente a concepção dos projetos de engenharia para proteção costeira em todo o Brasil.
E com o aumento do nível do mar, o perigo para as cidades costeiras é ainda maior. É que dois terços da elevação do nível dos oceanos nas últimas três décadas vieram do derretimento de geleiras e calotas polares, segundo dados da Nasa. Os números vêm da missão GRACE-FO, da Nasa, que mede o campo gravitacional da Terra para calcular a perda de massa de gelo no planeta. Entre 1993 e 2023, o nível médio dos oceanos subiu mais de 11 centímetros.
Assim, os oceanos estão se deteriorando em um ritmo alarmante, apresentando riscos diretos para as populações costeiras ao redor do mundo, incluindo o Brasil. Essa grave situação foi destacada na Terceira Avaliação Global dos Oceanos (WOA-3), divulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU) no Dia Mundial dos Oceanos. O estudo revelou que a taxa de crescimento anual passou de 3,2 mm para 4,3 mm, representando um aumento superior a 50% desde a última avaliação, realizada há quatro anos, impactando diretamente as áreas costeiras do Brasil, que conta com mais de 8 mil quilômetros de litoral e abriga milhões de habitantes em suas cidades costeiras.

No Pontal do Peba, em Piaçabuçu, uma das praias que mais sofre com o avanço do mar, dezenas de casas já foram destruídas, e recentemente a maré subiu tanto que engoliu um carro deixado na área mais distante da maré. Na Barra Nova, em Marechal Deodoro, mais de 15 casas já foram destruídas ou semidestruídas. E inclusive a maré destruiu uma gigantesca barreira de contenção e fez uma enorme cratera dentro da área de lazer do Galeto Barra Nova. E no Pontal da Barra, litoral sul de Maceió, a maré subiu tanto, influenciando o canal da lagoa Mundaú, que avançou sobre dezena de casas.
E não são apenas três casos isolados com as marés altas. "As experiências com obras tradicionais não estão aumentando a capacidade de resiliência da praia. É preciso mudar a concepção dos projetos de engenharia para proteção costeira", afirma o engenheiro Marco Lyra.
"Os efeitos das mudanças climáticas sobre as regiões costeiras promovem processos erosivos nas áreas urbanizadas. O litoral alagoano e do Nordeste tem sofrido com ressacas cada vez mais fortes, onde ondas avançam sobre ruas, casas e comércios. As ressacas das marés e a elevação no nível dos oceanos contribuem decisivamente para o aumento da erosão marinha no litoral. Assim é preciso buscar maior eficácia nas obras de contenção costeira, procurando encontrar nas soluções de engenharia a recuperação da praia natural recreativa. É preciso ação para conter a erosão costeira. As cidades litorâneas precisam de adaptação para enfrentar as marés atuais e futuras, frente as mudanças climáticas", afirma o engenheiro.
Nesse contexto, segundo Marco Lyra, surgem duas situações. A engorda artificial, que é o alargamento de faixa de praia, tecnicamente conhecido como aterro artificial, que consiste na colocação artificial de areia preferencialmente de mesmo tamanho e densidade do material original da praia. O principal objetivo da obra é preservar, alargar ou formar praias e dunas compensando a erosão verificada, aumentando a largura da praia. Geralmente a alimentação artificial é utilizada associada a outras obras de proteção costeira de forma complementar tais como: espigões, quebra-mares e molhes.
Já a engorda natural, é uma nova abordagem exigindo novos conceitos na definição de obras de defesa costeira com o objetivo de promover a recuperação de praias. Para o engenheiro, no ambiente costeiro, os ventos são os grandes responsáveis pela dinâmica costeira, e seu papel não se restringe a originar ondas, e por consequência, as correntes litorâneas.
Em Alagoas, foram construídos dissipadores de energia de ondas com uso de geossintéticos desde 2003 para proteção costeira. O uso de dissipadores de energia em oito praias do litoral alagoano, sendo todas elas em condições completamente distintas do ponto de vista geográfico e geológico, teve como resultado final a contenção do avanço do mar sem transferir o processo erosivo para áreas adjacentes, além da recuperação da praia com a recomposição do perfil devido à engorda natural e a facilitação do acesso da população à praia natural recreativa, o que indica a necessidade de expandir a experiência para outras praias.
Mais lidas
-
1Crise?
Lucas Guimarães perde tudo no SBT e promove demissão em massa nos bastidores
-
2Assassino da máscara de hóquei
Jason Voorhees existiu de verdade? A história real por trás do filme Sexta-Feira 13
-
3Reprise confirmada
Vem por aí! TV Globo confirma Pantanal como próxima novela do Vale a Pena Ver de Novo
-
4Sem feridos
Acidente entre quatro carros provoca congestionamento na Leste-Oeste, em Maceió
-
5Ficção x Realidade
Saiba quem foi a mulher que inspirou Süreyya Boran em Para Sempre no Meu Coração




