Ciência e Tecnologia

Marcos Betiati leva ao ROGA DX 2026 debate sobre o impacto da IA nos negócios

Por Assessoria 17/08/2026 09h55
Marcos Betiati leva ao ROGA DX 2026 debate sobre o impacto da IA nos negócios
Executivo e advisor de inovação apresentou, no maior evento de tecnologia do Nordeste, a tese de que a inteligência artificial está mudando quem captura valor nas empresas - Foto: Assessoria


Os serviços jurídicos movimentam US$ 1,1 trilhão por ano no mundo. Desse total, os programas de computador voltados ao setor respondem por cerca de US$ 35 bilhões, pouco mais de 3%. A proporção se repete no mercado contábil e em praticamente todos os setores da economia. Foi com esses números que Marcos Betiati, executivo e advisor de inovação e negócios, abriu sua palestra no ROGA DX 2026, na Arena Business, neste sábado (15), no Centro de Convenções de Maceió.

“Quem executa é quem fica com o dinheiro”, resume. “O software organizou o trabalho por trinta anos, mas nunca fez o trabalho. Quem fazia era o cliente. É por isso que essa fatia sempre foi de 3%.”

CEO da mbetiati.pro, Betiati atua na interseção entre inteligência artificial, governança e negócios. Sua palestra, “Service é o Novo Software: a morte do SaaS e a ascensão da Era do Resultado”, parte de uma constatação: pela primeira vez, o sistema é capaz de executar o próprio trabalho, e não apenas organizá-lo. Segundo ele, isso reorganiza quem ganha dinheiro em cada cadeia produtiva.

Para explicar a mudança, ele recorreu a uma formulação clássica criada pelo economista Theodore Levitt: “Ninguém quer uma furadeira, todo mundo quer um furo na parede”. E a atualizou: “O furo é etapa, é processo, e ninguém paga por processo. O quadro pendurado é obrigação, e obrigação também ninguém paga. O que as pessoas pagam é o extraordinário: a parede limpa e o chão sem poeira.”

O diagnóstico se apoia em um movimento recente do mercado. Em fevereiro de 2026, o índice de valor das empresas de software caiu 21%, e companhias de grande porte do setor acumularam perdas expressivas de valor de mercado. Para Betiati, o que está em jogo é a diferença entre quem é dono dos dados e quem apenas oferece uma camada de acesso a eles.

O sinal mais concreto, na avaliação dele, vem do próprio cliente. “Os motivos de cancelamento dos softwares pelas empresas estão mudando. Não é mais ‘está caro’ ou ‘achei um concorrente melhor’. Agora está sendo: ‘eu entendo do meu negócio, faço meu próprio sistema e cancelo a sua assinatura’. E isso não está vindo de empresas com mil funcionários, mas de empresas com dez, quinze pessoas.”

O que continua sendo diferencial

A resposta, segundo ele, não está em construir uma inteligência melhor, mas no contexto em que ela opera. “Qualquer pessoa hoje tem acesso à mesma inteligência que eu tenho, logo, inteligência é commodity. O que não virou commodity é o contexto de cada empresa.”

Betiati sustenta que a lógica se inverteu: antes, eram os negócios que se moldavam ao software; agora, são os softwares que precisam se moldar aos negócios. E faz questão de precisar o argumento. “Não foi o software que morreu, foi a camada. E não morreu o desenvolvedor, mas o desenvolvedor que só executa, porque a barreira dele estava na execução, e a execução ficou barata.”

Na leitura apresentada, o modelo de assinatura de software deixa de ser o produto final e passa a ser a porta de entrada para uma camada de serviço humano de maior valor. É nessa camada, afirma, que está o que a tecnologia não resolve sozinha. “É na exceção que as empresas morrem. É na exceção que a operação quebra, que o cliente vai embora. O software sempre vendeu a média, o padrão. O serviço, por essência, sempre vendeu a exceção.”

Com uma atuação baseada no conceito de profissional nexialista, que conecta conhecimentos de diferentes áreas para solucionar problemas complexos, Betiati apoia startups e empresas da economia real na construção de modelos de gestão orientados a resultados práticos.

Ele destacou ainda a estreia da Arena Business na programação do ROGA DX como um sintoma da mudança. “Não dá mais para separar quem constrói de quem decide construir. Essa separação acabou.”

Palestrante do 3º Conecta Contábil

A discussão sobre tecnologia, gestão e estratégia também estará no 3º Conecta Contábil, realizado pela Ascontal nos dias 28 e 29 de agosto, no Centro de Convenções de Arapiraca. O evento reúne profissionais da contabilidade, empresários, gestores e estudantes para discutir as transformações que impactam o setor.

A pauta tem endereço direto no público contábil. Em Maceió, Betiati apontou que a contabilidade sustentou por décadas a mesma assimetria: o sistema vendido ao escritório representa uma fração mínima do que o escritório fatura com o serviço final. “Sempre foi assim porque toda etapa, classificar, conciliar, apurar, assinar e transmitir, exigia mão humana. Agora não exige mais. E isso muda o papel e a função do contador.”

A participação de Betiati amplia o debate para além das mudanças tributárias e operacionais que já fazem parte da rotina dos profissionais da área. A proposta é mostrar como inteligência artificial, inovação e governança podem ser incorporadas ao cotidiano das empresas para transformar as relações humanas que agora são os verdadeiros instrumentos de competitividade.

Betiati coloca no centro desse debate uma questão que ultrapassa a adoção de novas tecnologias: como transformar inteligência artificial em estratégia, eficiência e resultado para os negócios. Essa será também uma das discussões que ele levará ao público do 3º Conecta Contábil, em Arapiraca.

Serviço

3º Conecta Contábil
Data: 28 e 29 de agosto de 2026
Local: Centro de Convenções de Arapiraca
Realização: Ascontal
Palestrante: Marcos Betiati, executivo e advisor de inovação e negócios
Inscrições: ascontal.org.br