Ciência e Tecnologia

Golpes digitais nas férias: especialista ensina como se proteger

Por Assessoria 17/07/2026 11h15
Golpes digitais nas férias: especialista ensina como se proteger
Aumento das compras online, reservas de viagens e uso de redes públicas amplia os riscos de golpes virtuais durante o período de férias - Foto: Freepik/Ilustração



As férias escolares e o período de recesso são marcados por viagens, compras de passagens, reservas de hospedagem e maior uso da internet. Mas, enquanto milhões de brasileiros aproveitam esse momento para descansar, criminosos virtuais intensificam a aplicação de golpes que podem resultar em perdas financeiras e roubo de dados pessoais.

De acordo com o coordenador do curso de Ciência da Computação da Afya Maceió, professor Francisco Vital, o aumento das fraudes digitais acompanha o comportamento dos consumidores. "Durante as férias, as pessoas passam mais tempo conectadas, realizam mais transações financeiras e compartilham um volume maior de informações pessoais. Esse cenário é explorado por criminosos que criam falsas promoções, sites fraudulentos e mensagens com senso de urgência para enganar as vítimas", explica.

Entre os golpes mais comuns nesta época do ano estão páginas falsas que imitam companhias aéreas, hotéis e plataformas de hospedagem, além de mensagens enviadas por WhatsApp, SMS e e-mail informando supostos problemas em reservas ou pagamentos. Há ainda criminosos que se passam por funcionários de bancos, empresas de turismo ou centrais de atendimento para convencer a vítima a fornecer dados bancários ou realizar transferências via PIX.

Outro ponto de atenção, segundo o especialista, é o uso de redes Wi-Fi públicas em aeroportos, hotéis, restaurantes e shoppings. Redes falsas, criadas com nomes semelhantes aos estabelecimentos, podem ser utilizadas para interceptar informações pessoais. A recomendação é confirmar sempre qual é a rede oficial, evitar acessar aplicativos bancários em conexões públicas e, sempre que possível, utilizar a internet móvel ou uma rede privada virtual (VPN).

Na hora de comprar passagens ou reservar hospedagens, Francisco Vital alerta que preços muito abaixo do mercado devem despertar desconfiança. Antes de concluir qualquer pagamento, é importante verificar se o endereço eletrônico pertence realmente à empresa, pesquisar a reputação da plataforma, conferir informações como CNPJ e canais oficiais de atendimento e desconfiar quando o único meio de pagamento disponível for PIX ou transferência bancária.

O professor também reforça a importância de medidas simples de segurança, como manter celulares e computadores atualizados, utilizar senhas diferentes para cada serviço, ativar a autenticação em dois fatores em aplicativos e realizar backup dos arquivos importantes antes de viajar. Além disso, recomenda instalar aplicativos apenas pelas lojas oficiais e evitar downloads enviados por mensagens ou sites desconhecidos.

A evolução da inteligência artificial também trouxe novos desafios para a segurança digital. Hoje, criminosos conseguem produzir mensagens praticamente sem erros, clonar vozes e criar vídeos manipulados os chamados deepfakes para tornar os golpes ainda mais convincentes. Por isso, o especialista orienta que qualquer solicitação de dinheiro ou informação sensível seja confirmada por outro canal de comunicação antes de qualquer decisão.

Caso o usuário perceba que foi vítima de um golpe, agir rapidamente pode fazer toda a diferença. A orientação é entrar imediatamente em contato com a instituição financeira para bloquear transações, alterar senhas das contas comprometidas, registrar boletim de ocorrência e comunicar a plataforma utilizada. Nos casos envolvendo PIX, ainda existe a possibilidade de acionar o Mecanismo Especial de Devolução (MED), que pode auxiliar na tentativa de recuperação dos valores quando a fraude é comunicada rapidamente. O MED do Pix é exclusivo para casos de golpe, fraude ou falha operacional. Ele deve ser acionado diretamente no aplicativo da sua instituição financeira (banco) em até 80 dias da data da transferência.

Para encontrá-lo e acioná-lo no seu banco:

1.Acesse a área Pix no aplicativo do seu banco; 2. Vá até o seu Extrato e selecione a transferência feita para o golpista; 3. Procure por opções como "Contestar transação", "Reportar fraude" ou "Devolução MED"; 4. Preencha o formulário relatando o ocorrido e anexe comprovantes, como o Boletim de Ocorrência e prints de conversas.

Para Francisco Vital, a tecnologia oferece inúmeras facilidades, mas também exige uma postura cada vez mais cuidadosa por parte dos usuários. "A maioria dos golpes pode ser evitada com atitudes simples, como verificar a origem de uma mensagem, confirmar informações por outro canal e pesquisar a reputação de um site antes de realizar pagamentos. A melhor ferramenta de segurança continua sendo o comportamento do usuário. Quanto mais informado e atento ele estiver, menores serão as chances de cair em fraudes e maiores as possibilidades de aproveitar as férias com tranquilidade", conclui.