Ciência e Tecnologia

Soluções hibridas com uso de Geobags são as melhores escolhas para conter o avanço do mar nas praias alagoanas

Alternativa foi apresentada pelo especialista em recuperação de praias Marco Lyra

Por Claudio Bulgarelli 14/06/2026 12h06 - Atualizado em 14/06/2026 14h12
Soluções hibridas com uso de Geobags são as melhores escolhas para conter o avanço do mar nas praias alagoanas
Berma formada e vegetação de restinga na praia do Patacho após 3 anos - Foto: Divulgação

Obras de proteção costeira no Brasil frequentemente falham quando priorizam estruturas rígidas, como espigões e muros, que bloqueiam o transporte de sedimentos e intensificam a erosão em praias vizinhas, ou quando engordas artificiais sofrem com falhas de drenagem e perda rápida do material. No entanto, para o engenheiro civil Marco Lyra, CEO da Ocean Protections, e considerado um dos maiores especialistas do país em obras de defesa costeira e contenção da erosão marinha, as soluções hibridas são as melhores escolhas para conter o avanço do mar nas praias brasileiras, especialmente em muitas de Alagoas.

Ele participou recentemente do Seminário sobre Economia do Mar em Alagoas, promovido pela Marinha do Brasil, onde falou da importância de um Plano de Proteção Costeira para todo o litoral alagoano, citando os excelentes resultados pioneiros já obtidos no estado com estruturas dissipativas na contenção da erosão costeira e da engorda natural da praia. E segundo ele, o avanço do mar afeta criticamente pelo menos 14 praias em Alagoas. Os pontos mais vulneráveis ficam no litoral sul e na capital, com áreas perdendo faixas de areia rapidamente e ameaçando estruturas comerciais e residenciais. 

Na Barra Nova, em Marechal Deodoro, uma das áreas mais críticas do estado, onde a maré alta frequentemente invade ruas, destrói barreiras de contenção e atinge residências e comércios; na Praia do Gunga, em Roteiro, que apresenta risco severo, com projeções de perda de até 60 metros de sua faixa de areia; na praia do Saco, também em Marechal Deodoro, onde a erosão provocou a demolição de escadarias de acesso e oferece risco de desmoronamento estrutural e a Praia do Francês, que sofre com o avanço constante do mar em trechos específicos. E mais ao sul, a Praia do Pontal, em Coruripe e Pontal do Peba, em Piaçabuçu, litorais que exigem prevenção urgente devido à acelerada erosão costeira.

Em Maceió, a praia da Ponta Verde, que enfrenta forte erosão do solo, o que tem exposto raízes de árvores e danificado o calçadão, exigindo intervenções constantes de obras de contenção, a praia da Sereia, em Ipioca, onde o mar tem avançado com violência durante a maré alta, destruindo estruturas e impactando fortemente os comerciantes locais, além das praias do Pontal da Barra (Av. Assis Chateaubriand), Praia da Avenida e Praia da Ponta da Terra.

"Se o objetivo for impacto rápido e visível, a engorda artificial funciona, mas é cara e temporária. A engorda da praia (ou aterro hidráulico) é uma técnica de engenharia costeira que consiste em adicionar grandes volumes de areia para alargar a faixa de praia. O objetivo é criar uma barreira física que absorva a energia das ondas, contendo a erosão causada pelo avanço do mar e protegendo a orla. Se o objetivo for estabilidade e custo-benefício, as soluções dissipativas são superiores, já que são intervenções projetadas para reduzir a força destrutivas das ondas. Em vez de apenas bloquear o mar (o que pode intensificar a erosão), essas estruturas absorvem e dissipam a energia da água, contendo o avanço do mar e facilitando o acúmulo natural de areia. E se o objetivo for eficiência real, a solução hibrida é a melhor escolha", afirma o especialista.

No Nordeste, ele cita alguns exemplos de obras que não surtiram o efeito prático, como a recente obra de engorda artificial na praia de Ponta Negra, em Natal, que custou cerca de R$ 100 milhões, enfrentou problemas severos de drenagem e com alagamentos. Investigadas pelo MPF, as galerias de escoamento apresentaram acúmulo de água parada, lodo e denúncias de bloqueios irregulares, causando poluição e afastando turistas, ou a construção de grandes espigões de pedra que alterou bruscamente a dinâmica marítima, como no Aterro de Boa Viagem, em Recife e em algumas praias de Aracaju, já que enquanto algumas áreas pontuais acumulam faixas artificiais de areia, setores a sotavento (como a Praia dos Artistas em Aracaju), outras registraram o quase desaparecimento de faixas de areia, formação de correntes perigosas e buracos profundos.

"Em Santos, por exemplo, no início de 2018, foram utilizados Geobags para minimizar os efeitos da ressaca e erosão na praia de Ponta da Praia. A estrutura submersa em formato de 'L' com extensão de aproximadamente 500 m, após um ano e meio de intervenção, uma ressaca destruiu parte de um muro na calçada e alagou a avenida da praia. Atualmente serão construídos dois quebra-mares com uso de novos geobags para reduzir os impactos o avanço do mar no local", afirma o especialista.

Para ele, o fato de ser feita uma nova intervenção, indica que não houve controle do processo erosivo no local. e uma solução híbrida seria a solução para o controle da erosão no local.

Com forte atuação no Nordeste, ele se destaca pelo desenvolvimento de tecnologias sustentáveis para proteção de praias, já que é pioneiro na aplicação de sistemas dissipadores de energia baseados em Bagwall e Sandbag, que reduzem a força das ondas sem destruir a dinâmica natural das praias. É autor do livro técnico “Como controlar o avanço do mar”, lançado em 2025, focado em estratégias práticas e baseadas em evidências contra a erosão costeira.