Ciência e Tecnologia

Obras recuperam vegetação de restinga em praias alagoanas

Barra Nova, Ipioca e Marceneiro são algumas delas

Por Claudio Bulgarelli 04/05/2026 20h52 - Atualizado em 04/05/2026 22h04
Obras recuperam vegetação de restinga em praias alagoanas
Trecho recuperado na Barra Nova, Marechal Deodoro - Foto: Cortesia / Ocean Protections

Há décadas o litoral alagoano vem sofrendo com problemas gerados pela erosão costeira. Um dos fatores agravantes desses problemas é a ação resultante da intervenção humana na natureza, devido as construções feitas muito próximas à praia, onde as mesmas tomaram o lugar das vegetações típicas de restinga que ocuparam aquele espaço, e em seu ciclo natural ajudavam a reter os sedimentos. Por este motivo se fez necessário o uso de obras de engenharia para a proteção costeira e recuperação da praia, no intuito de inibir os processos erosivos.

Em muitas praias já foi possível analisar e avaliar os efeitos causados pelos processos erosivos sobre a linha de costa, como também foi possível observar dentre as soluções adotadas, os pontos positivos e negativos de cada uma delas, onde, de acordo com estas análises, observou-se que dentre as soluções utilizadas para conter as erosões costeiras a maioria sofreu colapso em suas estruturas. Enrocamento, Gabião e o Muro de Arrimo, foram as que sofreram colapso, no entanto, duas soluções demonstraram resultados positivos, o Bagwall e o Sandbag.

Em Maceió, por exemplo, no local da instalação do Bagwall, na praia de Ponta Verde, o processo erosivo foi contido e ocorreu a engorda natural da praia. Após mais de 20 anos desde a sua construção, a obra se mantém intacta. Já o Sandbag instalado na praia de Ipioca em frente ao Hibiscus Beach Club, logo no primeiro mês após sua instalação, houve o recuo do mar, cerca de 30 metros da faixa de areia foi recuperada devido ao acúmulo de mais de 6.000 m³ de sedimentos. Desta forma, ao fazer o comparativo entre o Sandbag e as demais soluções de proteção costeira utilizadas nas praias de Maceió, conclui-se que apenas o Bagwall obteve resultados positivos semelhantes.

E essas obras de proteção costeira, projetadas pelo engenheiro alagoano Marco Lyra, um dos maiores especialistas em recuperação de praias do Brasil, CEO da Ocean Protections, reconhecidas por utilizar soluções baseadas na natureza para conter a erosão, trouxeram, consequentemente, algo bem maior: permitiram a recuperação de áreas de restinga e a faixa de areia em Alagoas.

Essas intervenções, que utilizam tecnologias como o Bagwall e Sandbag (dissipadores de energia), reduzem a força das ondas, induzem o acúmulo de sedimentos e possibilitam a regeneração natural da vegetação costeira.

E esses bons exemplos se tornaram referência em Alagoas e em todo o Brasil, como na praia de Barra Nova, em Marechal Deodoro, uma das obras mais longevas, com registros de sucesso que duram mais de 18 anos na contenção do avanço do mar e recuperação da faixa de praia, ou praia de Barra Mar, em frente ao Kenoa Resort, na Barra de São Miguel, onde o uso de dissipadores de energia resultou na formação de berma e no retorno da desova de tartarugas marinhas e da restinga, segundo relatórios de monitoramento.

Na praia de Ipioca, litoral norte de Maceió, a implantação de estruturas com Sandbag resultou na emersão da praia após um ano, permitindo o replantio e a fixação da vegetação de restinga na retaguarda.

Outro caso de sucesso foi o uso do sandbag que recuperou vegetação de restinga na praia do marceneiro, no Passo de Camaragibe, e após 6 da construção a berma se recuperou e a vegetação de restinga plantada está fixada, protegendo o trecho anteriormente afetado pelo avanço do mar. 

Já em Japaratinga, a Ocean Protections também realizou projetos de contenção nessas regiões, registrando sucesso na recuperação do perfil da praia e numa nova vegetação de restinga.

A metodologia adotada por Marco Lyra foca na estabilização do estirâncio (zona onde as ondas quebram), permitindo que a vegetação nativa de restinga retorne e ajude a fixar os sedimentos trazidos pela ação eólica, criando um ecossistema mais resiliente.