Cidades
Homem é condenado a 67 anos e quatro meses de prisão por morte de Cícera Laura
Anderson Gonçalves foi considerado culpado por feminicídio, estupro e ocultação de cadáver; durante o julgamento, ele confessou o assassinato, mas negou a violência sexual
O homem acusado de matar Cícera Laura da Silva, de 47 anos, durante uma caminhada no Bosque das Arapiracas, foi condenado a 67 anos e quatro meses de reclusão nesta quarta-feira (4), após julgamento pelo Tribunal do Júri, em Arapiraca, no Agreste de Alagoas. Anderson Gonçalves, de 31 anos, foi condenado pelos crimes de feminicídio, estupro e ocultação de cadáver.
Durante a sessão, o réu confessou ter assassinado a vítima, mas negou a prática de violência sexual. A discussão sobre esse crime marcou os debates entre acusação e defesa, principalmente diante das condições em que o corpo foi encontrado.
Em sua manifestação, a promotora de Justiça Viviane Farias rebateu o argumento da defesa de que a acusação estaria presumindo a ocorrência de estupro. Ela mencionou os relatos de duas mulheres que disseram ter sido abordadas anteriormente pelo acusado durante caminhadas, quando ele teria tocado suas nádegas e exibido os órgãos genitais.
A promotora também questionou o fato de Cícera ter sido encontrada sem roupas e o tempo que o acusado teria permanecido com ela na área de mata.
"Se ele não tivesse cometido o estupro, por que tirou as roupas da vítima? Isso não se trata de meras conjecturas, meras suposições, lembrando, inclusive, que estupro não ocorre somente com conjunção carnal", argumentou.
Viviane explicou que os exames periciais não conseguiram comprovar tecnicamente a violência sexual devido ao avançado estado de decomposição do corpo e à presença de larvas. Ela também apresentou imagens do local onde a vítima foi deixada, com autorização dos familiares, para contestar a alegação da defesa de que não houve ocultação de cadáver porque o corpo não havia sido enterrado.
"O doutor Marcos falou aqui que não houve ocultação de cadáver, mas vou mostrar outra foto aos senhores para que vejam onde ele deixou o corpo da vítima. Um local de difícil acesso, pra dificultar as buscas", afirmou.
A promotora encerrou sua manifestação defendendo a condenação pelos três crimes. "Nada pode ser comparado à dor da família, mas ele precisa ser condenado devidamente", declarou.
Assistente de acusação também defendeu condenação
A advogada Lívia, que atuou como assistente de acusação, reforçou os argumentos apresentados pelo Ministério Público e destacou que o acusado negou a violência sexual durante o processo, embora tenha admitido o assassinato.
Ela também lembrou que Anderson apresentou a versão de que teria matado Cícera por causa de uma suposta dívida, informação contestada pelos filhos da vítima.
"É muito difícil um homem confessar o crime de violência sexual. Nesse caso, ele nega, mas não esclarece a sua justificativa. Mesmo com a vítima despida, mesmo com a posição do corpo, ele negou tudo durante o processo", afirmou.
Ao se dirigir aos jurados, a advogada pediu que a decisão levasse em consideração os elementos apresentados durante o julgamento.
"Espero que os senhores tomem a decisão acertada e que possam deixá-los colocar a cabeça no travesseiro e dormir tranquilos", concluiu.
Réu confessou assassinato durante julgamento
Anderson Gonçalves inicialmente afirmou que não responderia às perguntas do juiz. Depois de uma orientação da própria defesa sobre a possibilidade de a confissão contribuir para a redução da pena, admitiu ter cometido o assassinato.
O acusado é natural do Rio Grande do Sul e, segundo as informações apresentadas durante o julgamento, é reincidente em crimes de estupro. Ele já cumpriu pena por esse tipo de crime e também por roubo no estado de origem.
Família relatou dificuldades nas buscas
Os depoimentos dos familiares também marcaram o julgamento. A filha de Cícera, Amanda, contou que a família começou a procurar a mãe depois que o pai chegou à residência e percebeu que ela não estava em casa.
Segundo ela, ao procurar as autoridades, os parentes receberam a orientação de aguardar 24 horas para registrar o desaparecimento e 72 horas para o início das buscas. Diante da demora relatada, decidiram procurar a mulher por conta própria.
A família conseguiu imagens de câmeras de segurança que teriam registrado Anderson conduzindo Cícera para uma área de mata. De acordo com o filho da vítima, Wesley Silva Santos, as gravações também mostraram o homem deixando o local aproximadamente uma hora depois.
O Corpo de Bombeiros foi acionado e utilizou um drone para auxiliar nas buscas. O corpo foi localizado dois dias após o desaparecimento, em uma região de vegetação fechada.
Durante o julgamento, duas mulheres também relataram abordagens anteriores atribuídas ao acusado. Vilma Almeida e Maria Irani afirmaram que Anderson teria importunado uma delas durante uma caminhada, cerca de um mês antes do assassinato.
Cícera desapareceu na madrugada de 4 de janeiro, depois de sair de casa por volta das 4h30 para caminhar no Bosque das Arapiracas. O corpo foi encontrado em uma área de mata, com sinais de violência.
A nora da vítima, Karla Franciny, falou sobre o sofrimento da família desde o crime e pediu uma punição severa. Em um dos momentos mais emocionantes dos depoimentos, Amanda resumiu a importância da mãe em sua vida: "Minha mãe era tudo para mim".
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