Interior
Acusado de matar mulher durante caminhada em Arapiraca confessa crime em júri popular
Durante o julgamento, filhos de Cícera Laura relataram a angústia vivida nas buscas pela mãe e apontaram dificuldades no atendimento das autoridades
O homem acusado de assassinar Cícera Laura da Silva, de 47 anos, enquanto ela caminhava no Bosque das Arapiracas, em janeiro deste ano, confessou o crime durante o júri popular realizado nesta quarta-feira (4), em Arapiraca, no Agreste de Alagoas.
Anderson Gonçalves, de 31 anos, havia informado inicialmente que permaneceria em silêncio. No entanto, depois de ser orientado pela própria defesa sobre a possibilidade de a confissão contribuir para a redução da pena, admitiu ter cometido o assassinato.
Além da confissão, a sessão foi marcada pelos depoimentos dos familiares da vítima, que relembraram os momentos de desespero durante as buscas e questionaram a atuação das forças de segurança.
Cícera desapareceu na madrugada de 4 de janeiro, depois de sair de casa por volta das 4h30 para caminhar no bosque, localizado na região central de Arapiraca. Dois dias depois, o corpo foi encontrado em uma área de vegetação fechada, com poucas roupas e sinais de violência.
Família relata dificuldades durante as buscas
A filha da vítima, Amanda, contou que a família percebeu o desaparecimento quando o pai chegou em casa e não encontrou Cícera. Como os pertences e o celular dela continuavam na residência, os parentes começaram a procurá-la.
Durante o depoimento, Amanda afirmou que, ao procurar as autoridades, a família recebeu a orientação de aguardar 24 horas para registrar o boletim de ocorrência e 72 horas para que as buscas fossem iniciadas. Diante da situação, os familiares decidiram não esperar e passaram a procurar a mulher por conta própria.
A família também conseguiu imagens de câmeras de segurança que teriam registrado o momento em que Anderson levou Cícera para uma área de mata. Segundo o filho da vítima, Wesley Silva Santos, as gravações também mostraram o suspeito deixando o local cerca de uma hora depois.
Os parentes acionaram o Corpo de Bombeiros, que mobilizou equipes e utilizou um drone para auxiliar nas buscas em meio à vegetação. O corpo foi localizado durante a operação.
Após ouvir os relatos, a promotora de Justiça Viviane Farias manifestou solidariedade aos familiares e criticou as falhas institucionais apontadas durante os depoimentos.
“Quero me solidarizar com o senhor, receba minha indignação pelas falhas das instituições que deveriam cumprir seus papéis enquanto representantes do Estado”, declarou.
Mulheres relatam abordagens anteriores
Outros depoimentos apresentados durante o julgamento trouxeram relatos de situações anteriores envolvendo o acusado. Duas mulheres afirmaram ter sido abordadas por Anderson enquanto caminhavam na região.
Vilma Almeida contou que, aproximadamente um mês antes do assassinato, o homem teria dado um tapa em suas nádegas e, na sequência, exibido os órgãos genitais. Segundo ela, o suspeito também fez comentários de cunho sexual.
A irmã dela, Maria Irani, confirmou o episódio e disse que presenciou a abordagem. As duas relataram que reconheceram Anderson depois que uma fotografia dele começou a circular nas redes sociais, após a prisão.
A nora de Cícera, Karla Franciny, também falou sobre o sofrimento enfrentado pela família desde o assassinato. Ela afirmou que os dez meses após o crime foram marcados pela dor e pediu uma punição rigorosa para o acusado.
Segundo os familiares, caminhar no Bosque das Arapiracas fazia parte da rotina de Cícera e era um dos poucos momentos em que ela costumava sair sozinha.
Durante o depoimento, Amanda resumiu a importância da mãe em sua vida: “Minha mãe era tudo para mim”.
Mais lidas
-
1Suspense policial espanhol
Colisão Implacável explicado: o que realmente acontece no final confuso do filme da Netflix?
-
2Tetra
Eleitores de Lula celebram quarta vitória do presidente em ato na orla de Maceió
-
3Novo sistema
Radares em rodovias estaduais de Alagoas começam a multar neste domingo (1º)
-
4Sertão de Alagoas
Pai de suspeito de feminicídio diz que dívida de R$ 1,5 mil teria motivado assassinato em Santana do Ipanema
-
5Nota de esclarecimento
Laudo aponta mais de 20 golpes de faca no corpo de mulher assassinada em Santana do Ipanema




