Cidades
Albino é condenado a mais 60 anos de prisão por assassinato de casal e soma 294 anos de penas
Conhecido como 'serial killer de Maceió', réu foi condenado pelo duplo homicídio de John Lenno e Débora Vitória; julgamento ocorreu nesta quinta-feira no Fórum do Barro Duro
O réu Albino dos Santos Lima, conhecido como “serial killer de Maceió”, foi condenado a mais 60 anos de prisão pelo assassinato do casal John Lenno Santos Ferreira e Débora Vitória Silva dos Santos. A sentença foi proferida nesta quinta-feira (22), durante julgamento realizado no 10º Tribunal do Júri, no Fórum do Barro Duro, em Maceió.
Com a nova condenação, Albino passa a acumular 294 anos, dois meses e 13 dias de reclusão. Antes deste julgamento, ele já possuía penas que somavam 234 anos, dois meses e 13 dias de prisão por outros homicídios praticados na capital alagoana.
O Conselho de Sentença reconheceu as qualificadoras de motivo fútil e recurso que dificultou a defesa das vítimas. Pela morte de John Lenno, a pena foi fixada em 30 anos de reclusão. Pela morte de Débora Vitória, a condenação também foi de 30 anos, totalizando 60 anos de prisão em regime fechado.
Ao ler a sentença, o juiz Geraldo Amorim destacou a gravidade dos crimes. “Se você quer entender o artista, precisa olhar para a arte dele. A cena do crime é a tela do serial killer”, afirmou.

Pastor relatou desentendimentos e comportamento suspeito
A principal testemunha de acusação foi o pastor José Luiz, líder religioso frequentado tanto pelas vítimas quanto pelo acusado. Em depoimento, ele afirmou que John Lenno procurou a liderança da igreja para denunciar que Albino estaria filmando Débora sem autorização durante atividades do grupo de louvor.
Segundo o pastor, após ser confrontado, Albino negou a acusação, mas ficou irritado com a repreensão.
José Luiz também relatou outro episódio envolvendo uma menina que frequentava a congregação. Conforme o depoimento, John Lenno voltou a procurá-lo para reclamar de olhares considerados inadequados do acusado em direção à criança.
O religioso afirmou ainda que certa vez percebeu que Albino estava armado dentro da igreja. Ao ser questionado, ele teria respondido que carregava a arma por se sentir ameaçado.
Outro trecho do depoimento chamou atenção no plenário. O pastor relatou que, dias após o assassinato do casal, Albino retornou à igreja aparentando satisfação com as mortes.
“Chegou aparentando estar feliz com a morte, dizendo: ‘Está vendo aí? Foi comprar moto roubada, deu no que deu’”, afirmou a testemunha.
Acusação destacou laudo balístico
Durante os debates, o promotor de Justiça Antônio Vilas Boas sustentou que a autoria dos crimes ficou comprovada por provas periciais e testemunhais.
Segundo o Ministério Público, o laudo balístico apontou que os projéteis retirados dos corpos de John Lenno e Débora foram disparados pela mesma pistola calibre .380 atribuída ao réu e utilizada em outros crimes pelos quais ele já havia sido condenado.
O promotor também exibiu ao Conselho de Sentença documentos e fotografias encontrados no celular de Albino, incluindo uma pasta onde estariam armazenadas imagens do casal e anotações relacionadas à execução do crime.
Durante a acusação, Vilas Boas classificou Albino como um criminoso serial e destacou que ele já havia sido condenado em diversos julgamentos anteriores.
Réu negou participação
Interrogado pelo juiz, Albino negou envolvimento no duplo homicídio e contestou a versão apresentada pela acusação. Ele também negou ter retornado à igreja demonstrando felicidade após a morte das vítimas.
Ao longo do interrogatório, afirmou que tinha interesse em servir ao Exército de Israel e disse que realizou diversos cursos de tiro com esse objetivo.
A defesa sustentou que o acusado é uma “pessoa boa” e ressaltou aspectos de sua infância e personalidade. O advogado destacou ainda o laudo psiquiátrico anexado ao processo, argumentando que o documento apontava preservação da capacidade de entendimento e discernimento do réu.
Décimo julgamento
O julgamento desta quinta-feira foi o décimo enfrentado por Albino dos Santos Lima por homicídios atribuídos a ele em Maceió.
Recentemente, ele já havia sido condenado a mais 30 anos de prisão pela morte de Mikaele Leite da Silva, de 21 anos, assassinada no bairro do Vergel do Lago.
Com a nova condenação pelo assassinato de John Lenno e Débora Vitória, o total de penas impostas ao réu chegou a 294 anos, dois meses e 13 dias de reclusão.
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